“Vírus é menos mortal do que cancro”. Bernard-Henri Lévy critica “medo excessivo” da covid-19

Ministerio de Cultura de la Nación / flickr

O escritor e filósofo francês Bernard-Henri Lévy.

O escritor e filósofo francês Bernard-Henri Lévy defende que a pandemia do novo coronavírus provocou “um super-medo” que foi “excessivo” quando existem “doenças terríveis e incuráveis como o cancro” que provocam mais mortes. Um “pânico” que colocou em xeque a democracia, defende.

Este vírus “é mortal em poucos casos, menos do que outros vírus, menos do que doenças terríveis e incuráveis como o cancro”, constata Bernard-Henri Lévy em entrevista ao Expresso no âmbito do lançamento do seu último livro, intitulado “Este vírus que nos enlouquece”.

Na obra recém-publicada em Portugal, o filósofo francês fala precisamente da pandemia que estamos a viver.

Bernard-Henri Lévy entende que é normal ter medo deste vírus, “mas não mais do que de outras doenças mortais” como o cancro, conforme refere na entrevista.

“O medo foi excessivo”, salienta ainda o filósofo, referindo-se a “um super-medo” e frisando que parte dele “era irracional e insensato“. “Para a sociedade, o medo irracional chama-se pânico e o pânico provoca efeitos sociais que não são bons”, constata ainda.

O escritor fala também do distanciamento social como algo que “não é uma coisa boa”. “Um dos principais objectivos da democracia é reduzir o distanciamento social, o distanciamento entre as classes, o distanciamento entre os poderosos e os humildes, entre os governantes e os governados”, salienta.

“Mas havia qualquer coisa nova nessa maneira de o defender ou de o aceitar sem crítica”, refere ainda sobre o distanciamento social, salientando que teve “um pressentimento disso” quando ouviu o médico Anthony Fauci, o responsável norte-americano pela estratégia contra a pandemia, a “dizer que não voltaríamos a apertar a mão uns aos outros”.

Lévy também destaca que “vivemos numa época particularmente moralista que faz de tudo uma questão moral, que culpabiliza tudo e todos” e diz que “esse espírito do tempo apropriou-se deste vírus”.

“O espírito do tempo tem uma vontade, mas o vírus não tem”, constata, notando que “esse espírito investiu o vírus de uma energia punitiva“.

“Epidemia de loucura que varreu o mundo”

Já em entrevista à Rádio Antena 1 no início deste mês, também no âmbito do lançamento do seu livro, Bernard-Henri Lévy salientava a “tendência perigosa” que nos leva a habituarmo-nos “à ausência de liberdade” e “à ideia de que o outro é um potencial inimigo” e que, portanto, nos “devemos afastar dos outros”.

Ser humano não é confinar-se para olhar para dentro de si”, mas “sair de si próprio e aproximar-se dos outros”, dizia ainda nessa entrevista.

Bernard-Henri Lévy referiu ainda que, “de forma brusca, colocaram no centro das nossas vidas uma doença, a covid-19, e de repente mais nada existe“.

“Os que morrem de cancro, de diabetes, de AVC, do coração, já não foram mais ao hospital” e essas doenças deixaram de “interessar”, constatou na Antena 1, realçando que “os doentes já não tinham lugar” porque os espaços hospitalares estavam “transformados para tratar a covid-19”.

Além disso, considerou que também se esqueceram daquela “outra doença social que é a miséria extrema“.

Nesta entrevista à Antena 1, o filósofo referiu-se à “epidemia de loucura que varreu o mundo” e assumiu-se “zangado” porque “enlouquecemos” com “consequências económicas, provavelmente incalculáveis”.

“A economia e a vida não são duas coisas diferentes, a economia também é vida, é a pobreza, o desemprego, a miséria humana, a pessoa que já não aguenta a doença mental, são os problemas psicológicos”, reforçou, notando que “a mundialização do medo está muito abalada pelo terror”.

Bernard-Henri Lévy também refutou as críticas que lhe tecem sobre o facto de ter ideias próximas de Donald Trump no que se refere à covid-19.

Trump é a pior catástrofe que aconteceu nos EUA desde a escravatura“, considerou, frisando que o Presidente norte-americano “faz parte dos que se aproveitam do vírus para fazer avançar a sua agenda supremacista, para fechar as fronteiras e para retocar o seu slogan “America first””, enquanto se afirmou como sendo “o contrário”.

[sc name=”assina” by=”SV, ZAP”]
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13 YORUMLAR

    • Não, não estás.

      Eu também acho o mesmo, entramos em pânico com algo que nem sabíamos ou sabemos o que realmente é.
      Com isso a sociedade mundial perdeu a liberdade que tanto nos custou a ganhar (muitos dos nossos pais e avós morreram por ela) e pior, vez as pessoas na rua a fazerem queixa do vizinho que juntou a familia e tinha uma pessoa a mais do que a lei permite porque o bebe de 3 meses também conta!!!

  1. Estes “filosofos” analfabetos mostram como o obscurantismo se espalha hoje no mundo. So’ um analfabeto compara o medo do cancro, que nao e’ contagioso, com virus altamente contagioso e cujo contagio vai significar inevitavelmente o sofrimento atroz e morte de uma percentagem dos contagiados, ou dos avos dos contagiados.
    Depois de perorar com generalidades a “La Palisse” – a economia e a vida, blabla – e de se posicionar no politicamente correcto facil, atacando Trump, este senhor na realidade alinha com os trumps contra os cientistas (como Fauci), ao denegrir a mensagem dos cientistas serios, como Fauci, e alinhar com o discurso “bolsonarista” de ridicularizar o “medo”.
    O Fauci pode fazer vaticinios errados, sobre apertos de mao no futuro, mas por em causa alguem que quando fala da perigosidade do virus e’ suportado pela evidencia cientifica, e a expoe com cuidado, e’ a prova prvada da arrogancia analfabeta obscurantista destes “filosofos”. Talvez este senhor queira apontar a evidencia de valas comuns a sepultar centenas de pessoas por dia, medicos e pessoal de apoio hospitalar a morrer por terem estado a tentar salvar doentes … do cancro. Esta conversa e’ um insulto a’ nossa inteligencia, e um insulto aos familiares dos milhoes que morreram, nos ultimos meses, do coronavirus.

  2. São com comparações sem nexo como esta, que o risco de infecção e morte, tem belos Dias por a frente. Estes Indivíduos deveriam ser responsabilizados, por as estupidezes que destilam!.

  3. Concordo completamente com este senhor Bernard-Henri Lévy, desde o início da “crise” que tenho ouvido opiniões sobre o tipo de pandemia que se estava a desenvolver, a pandemia do vírus e a pandemia do medo, sendo esta última mais perigosa do que a da doença.
    Concordo totalmente e acrescento, não é apenas a pandemia do medo, é mais a pandemia do pânico.
    Com esta política do pânico tem sido destruída a economia, as relações de proximidade e vida em sociedade do ser humano, as relações laborais e, inclusivamente, algumas empresas.
    É raro o dia que não tenha alguma querela com alguém do “pânico” que se sente omnipotente nas suas soluções para evitar contágios e impõe que os outros cidadãos procedam da forma que este padroniza, alguns até alegando a Lei.
    Passei a ser atendido na rua como se fosse um “cão sarnoso” em alguns serviços públicos e isso deixa-me muito chateado.
    Mas, como é moda dizer-se agora, temos que viver com o “novo normal”, onde um casal que dorme na mesma cama cumprimenta-se na rua com um “toque de cotovelo”.
    Sinto a democracia ter sido destruída, as pessoas a habituarem-se a atitudes ditatoriais devido ao pânico de morrerem, a serem passivas e sem vontade própria.
    Esta é a minha opinião e faço tenção de a defender como “opinião não formada por politiquices e manipuladores de opinião”.

      • Ponderei bastante se havia de responder visto o seu comentário estar muito fora de contexto.
        No entanto, cá vai.
        No meu comentário e no do senhor Bernard-Henri Lévy apenas nos referimos à forma utilizada pelas autoridades para gerir a crise, não a obrigatoriedades que, como todos sabemos, ao ser decretada uma regra esta é para cumprir obrigatoriamente.
        O que referi foi o excesso de zelo que muitos cidadãos usam e abusam para acrescentar às regras impostas (tipo para além da troika), quase todos devido ao pânico generalizado em que vivem.
        A minha opinião não foi no sentido de não cumprir regras e contagiar deliberadamente as outras pessoas, tenho muito respeito pelos direitos dos outros, assim os outros tivesse o mesmo respeito pelas minhas opiniões.
        Também não faço qualquer gosto em me contagiar, não sou assim tão estúpido.
        Certo é que você não compreendeu o meu comentário e colocou em mim actos e palavras que eu nunca referi, provavelmente aterrorizado com os efeitos desta pandemia e com a possibilidade de ficar infectado.
        Talvez devesse criticar a PSP por só usarem viseiras podendo assim infectar aqueles que interpelam, assim como outros cidadãos que apenas usam viseiras e inclinam a cabeça para trás para que o som saia com mais facilidade, o som e as possíveis infecções, como já foi alertado pelas autoridades de saúde.
        Para finalizar, pode estar descansado que eu não faço tenção de contagiar outras pessoas, uso de medidas aconselhadas pelas autoridades de saúde e mais algumas que me possam parecer úteis, apenas não obrigo as outras pessoas a procederem como eu e não vivo apavorado.

  4. Não percebo porque a opinião de um escritor/filósofo aparece nas notícias sobre o Covid-19. Nessa selecção deveriam constar factos, não opiniões sem qualquer fundamento científico. Refiro-me ao campo à direita do texto principal com a selecção de notícias sobre o Coronavirus. A opinião deste senhor vale tanto como a de qualquer um nas redes sociais.

  5. Isso pode ser o que está a comentar, mas de certeza não é o que o senhor Bernard-Henry Lévy comentou. Ele comparou ainda o COVID com outras doenças que “matam mais”. Isso é uma ignorância – Até porque se pensar bem, o vírus só chegou à Europa em Fevereiro/Março, ou seja, nem faz um ano ainda. E como o número de infeções aumenta exponencialmente, se nenhuma medida de prevenção (como o lockdown, a quarentena, as máscaras, o distanciamento) se tomasse, a situação seria horrível, como se viu em alguns países que demoraram a adotar medidas. Concordo que haja um panico por vezes excessivo, mas o perigo é muito real, e o senhor Lévy pareceu não concordar com esse facto.

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