Uma equipa de cientistas da Coreia do Sul acaba de fazer história: o Korea Superconducting Tokamak Advanced Research (KSTAR) funcionou durante 20 segundos.
A maioria dos métodos que usamos atualmente para produzir energia são poluentes e limitados. A fusão nuclear é uma grande aposta, na medida em que, aproveitando a energia solar, seria possível produzir mais energia do que nunca e com segurança. Mas há um problema: a produção deste tipo de energia ainda não funciona.
Ainda assim, o progresso é constante. O mais recente passo foi dado por uma equipa de cientistas que estabeleceu um novo recorde mundial: o reator de fusão nuclear Korea Superconducting Tokamak Advanced Research (KSTAR), também conhecido como “Sol artificial coreano”, funcionou durante 20 segundos.
De acordo com o Extreme Tech, o reator conseguiu manter o seu plasma superaquecido a 100 milhões de graus Celsius durante 20 segundos. Apesar de não ser um marco impressionante, nenhum outro reator conseguiu manter-se em funcionamento durante mais de 10 segundos (no ano passado, o KSTAR atingiu a marca dos oito segundos).
Para recriar na Terra as reações de fusão que ocorrem no Sol, os isótopos de hidrogénio devem ser colocados dentro de um dispositivo de fusão como o KSTAR para criar um estado de plasma onde os iões e eletrões são separados. Os iões devem ser aquecidos e mantidos a altas temperaturas.
Até agora, houve outros dispositivos de fusão que controlaram o plasma a temperaturas de 100 milhões de graus ou mais, mas nenhum conseguiu bater a barreira dos 10 segundos.
Este ano, o KSTAR melhorou o desempenho do modo de Barreira de Transporte Interno (ITB), um dos modos de operação de plasma da próxima geração, desenvolvido no ano passado, e conseguiu manter o estado do plasma durante um longo período de tempo, superando os limites existentes.
“O sucesso do KSTAR em manter o plasma a alta temperatura durante 20 segundos será importante na corrida para garantir as tecnologias para a operação de plasma de alto desempenho, um componente crítico de um reator de fusão nuclear comercial no futuro”, reagiu Si-Woo Yoon, diretor do Centro de Pesquisa KSTAR, citado pelo Phys.
A próxima meta do KSTAR é, até 2025, manter o reator a uma temperatura de iões superior a 100 milhões de graus Celsius durante cinco minutos.
Os resultados da experiência ainda não foram publicados, mas foram partilhados na Conferência de Energia de Fusão da IAEA 2021.
[sc name=”assina” by=”Liliana Malainho, ZAP” url=”” source=””]

