Neuro-cientista explica porque é que há pessoas mais propensas a acreditar em teorias da conspiração

Recorrendo a um vídeo publicado YouTube, a neuro-cientista Shannon Odell explica porque é que determinadas pessoas são mais propensas a acreditar em teorias da conspiração. O fenómeno está relacionado com a leitura cerebral de padrões e a dopamina pode também desempenhar um papel no processo.

“O cérebro humano está programado para ver padrões que nos ajudam a sobreviver. Padrões de deteção podem salvar as nossas vidas. O processamento de padrões tornou-se cada vez mais sofisticado com a expansão do córtex cerebral, particularmente o o córtex pré-frontal e as regiões envolvidas no processamento de imagens”, começou por explicar.

Contudo, este mecanismo de sobrevivência pode acabar descontrolado, levando determinadas pessoas a percecionar de forma mais recorrente padrões ilusórios.

“À medida que evoluímos, o cérebro ficou tão bom na tarefa de encontrar padrões que, às vezes, vê um padrão em dados completamente desconectados. Pessoas que acreditam em conspirações têm cérebros que são mais propensos à perceção do padrão ilusórios, também conhecido como aquele que encontra conexões quando estas não existem”.

De acordo com a cientista, a dopamina, também conhecida como a “Hormona da Felicidade”, pode estar por trás da perceção de padrões ilusórios.

“Pessoas com níveis geneticamente mais altos de dopamina livre têm mais probabilidade acreditar numa ou mais teorias da conspiração”, explicou. Depois de estas teorias se enraizarem, o viés da confirmação acaba por fortalecê-las, frisa ainda o portal IFL Science.

No mesmo vídeo, Odell explica ainda que os dias de incerteza que vivemos, em muito associados à pandemia, podem estar a exponenciar um boom de novas teorias.

Sentimentos de impotência podem obrigar uma pessoa a tentar encontrar ordem no caos e isso muitas vezes significa encontrar padrões onde não há nenhum”, continua, antes de deixar um conselho para evitar estas situações. “[É importante] capacitar as pessoas, incentivando-as a agir nas suas próprias vidas. Isto pode reduzir os sentimentos de impotência e, por sua vez, reduzir os níveis de confiança nas teorias da conspiração”.

 

O novo coronavírus, que causa a covid-19, tem gerado várias teorias da conspiração, causando já centenas de mortes, segundo uma investigação publicada em agosto passado na American Journal of Tropical Medicine and Hygiene.

Algumas das teorias da conspiração estão relacionadas com a origem do vírus, havendo outras que alegam que as novas vacinas para combater a doença foram produzidas muito rapidamente e, por isso, contêm substâncias prejudiciais que podem alterar o código genético de quem as toma.

Outras das teorias da conspiração mais conhecidas está relacionada com os chemtrails: há quem a os rastros deixados pelo aviões são “rastros químicos”, deliberadamente pulverizados a partir dos céus com alegadas substâncias nocivas.

[sc name=”assina” by=”Sara Silva Alves, ZAP” ]
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