Já arrancou a avaliação ambiental do plano do lítio. EUA de olho no “ouro branco” português

A avaliação ambiente do plano do lítio já está em curso, segundo apurou o jornal Público. O secretário de Estado adjunto e da Energia João Galamba assinou despacho antes da votação do Orçamento de Estado para 2021 (OE2021).

O jornal Público avança esta quinta-feira que a avaliação ambiental do plano do lítio já está em curso. “Por despacho do secretário de Estado adjunto e da Energia, João Galamba, assinado a 2 de novembro, foi determinada a realização de avaliação ambiental estratégica para as áreas que potencialmente poderão integrar o concurso de atribuição de direitos de prospecção e pesquisa de lítio, com prazo de concretização de cinco meses e que teve já o seu início”, disse fonte oficial do Ministério do Ambiente.

O matutino recorda que as propostas apresentadas pela deputada Joacine Katar Moreira e pelos deputados do partido Os Verdes, para abranger os projetos para a exploração de lítio numa avaliação ambiental estratégica à mineração, foram aprovadas a 24 de novembro.

Porém, o despacho já tinha sido assinado no início desse mês por João Galamba, secretário de Estado adjunto e da Energia.

Em relação às situações em que já foram atribuídas concessões de exploração, como é o caso da Savannah e da Lusorecursos, o Governo recordou que a concessão “tem a sua eficácia condicionada a uma decisão favorável em sede de avaliação de impacte ambiental”.

“Só quando, e se, essa decisão favorável for emitida, poderão desenvolver-se quaisquer trabalhos de exploração do recurso. Até lá, não pode existir qualquer intervenção no terreno”, disse o Governo, em declarações ao Público.

Segundo o mesmo jornal, o concurso para a pesquisa e prospecção de lítio nas áreas reservadas pelo Governo só avançará depois da avaliação ambiental estratégica que está a decorrer até final de março.

EUA de olho no lítio português

De acordo com o Jornal Económico, a administração dos Estados Unidos que as empresas norte-americanas invistam na produção de lítio em Portugal.

Segundo o jornal, Francis Fannon, subsecretário adjunto para os Recursos Energéticos do Departamento de Estado dos Estados Unidos, esteve em Portugal para encontros com o Governo e o setor privado para apresentar uma aliança, que visa garantir uma cadeia de abastecimento segura de lítio e outros minerais essenciais para a transição energética.

Estou em Portugal dado o seu potencial em termos de recursos [lítio], e dada a ambição do Governo em agarrar esta oportunidade no momento da presidência da União Europeia (UE)”, confirmou Francis Fannon, defendendo que “Portugal está numa posição de liderança para demonstrar ao mundo o que é uma cadeia de abastecimento responsável”.

Para o responsável, esta é uma oportunidade “incrível” e há “outras áreas do setor energético” em que os norte-americanos querem “trabalhar com Portugal”, como o hidrogénio verde.

Fannon revelou que ainda não há “datas específicas” sobre as metas para Portugal estar a produzir lítio em grande escala. O Governo assegurou que “o seu nível de compromisso para o fazer da forma certa é muito elevado”.

A importância do lítio, conhecido por “petróleo branco” ou “ouro branco”, tem crescido nos últimos anos, uma vez que é um componente vital para a transição energética, nomeadamente nas baterias de iões de lítio que equipam os carros elétricos.

[sc name=”assina” by=”Maria Campos, ZAP” url=”” source=””]
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10 COMENTÁRIOS

  1. Os Estados Unidos e a procura incessante dos recursos dos outros países, é uma saga muito antiga e que envolve todos os países, de uma forma geral mais fracos economicamente. Exportar é bom, porque entram divisas sempre bem vindas, principalmente em tempos de crise como a que vivemos. Mas o governo dos E.U. nunca se contenta com pouco e é capaz de revolver o céu e a terra, para atingir os seus objectivos. Anos e anos de interferências noutros países, para conseguir obter os recursos que precisam, mostram que será preciso cuidado a lidar com a administração americana. Só se espera que o nosso governo saiba, de forma cautelosa, defender os interesses portugueses, naquele que virá a ser um filão de riqueza num futuro próximo.
    Por outro lado, que as regiões do interior português, onde estas explorações serão feitas, possam ser devidamente recompensadas. Não basta dizer que se irão criar muitos postos de trabalho. As regiões que irão ser objecto destas explorações, deverão ter o direito de ser compensadas de forma significativa, para que os municípios locais possam avançar com melhoramentos e desenvolvimentos regionais, uma vez que os recursos desses municípios não comportam investimentos de grande envergadura.
    Se o nosso governo sabiamente, seguir por esse caminho, teremos então uma mais justa e devida distribuição da riqueza.

  2. Esta história do Lítio recorda-me uma novela semelhante de 1974/75 que foi a do urânio da Urgeiriça. Quem “mexe” nisto todos os dias sabe que a stockagem de energia eléctrica em baterias de iões de lítio só é económicamente viável para pequenas aplicações. Para grandes aplicações do tipo fotovoltaicas autónomas neste momento de desenvolvimento custa (só a stockagem) cerca de 5 milhões de euros por megawatt (24 horas). Se adicionarmos o custo da geração ( cerca de 1,5 milhões de euros por megawatt) temos um custo de produção absolutamente incomportável face a outras tecnologias também aceitáveis do ponto de vista ambiental. No que toca ao hidrogénio, o caso é diferente já que só é ambientalmente aceitável se conseguirmos obtê-lo através da electrólise da água do mar. Isto será possível quando se conseguir produzir eléctrodos suficientemente resistentes e duradouros para rentabilizar a operação e não ser necessária a sua substituição a cada hora. De momento, toda esta polémica me parece ser do tipo do “dixote” – Ó patego olha o balão!

  3. 22/02/2009
    Obstinadamente, os tentáculos da besta crescem dia a dia, dominando o pouco que resta do tecido bom da sociedade.
    Comparando o passado com o presente, naquela época, a corrupção e todo o tipo de promiscuidade pouca influência tinha sobre a sociedade de então. De à umas décadas para cá, progressivamente tem vindo a globalizar a perversidade generalizada.
    O homem e a sua forma insaciável de crescimento económico, sem escrúpulos, subjuga o seu semelhante até ao limiar de nova época da escravatura, alegando, para tal, mil e uma mentira.

    12/03/2010
    “A besta”, matreira como é, mostrando sempre o rosto de seriedade, recorre das suas artimanhas através de legislação criada por encomenda política, justificando sempre os interesses, supostamente públicos, para alcançar os seus fins.
    Povo acordai, mantenham-se acordados, para que não sejamos enganados pela “besta”, que tudo fará para vencer e poder reinar. Conforme a parábola das recém casadas, “Acendei as vossas lanternas da sabedoria e conhecimento” para que não sejais surpreendidos no escuro da ignorância, mantenham-se atentos, não vamos deixar que os nossos vindouros nasçam e cresçam no reinado pleno da “besta”, da iniquidade e corrupção.

    Votar na corrupção? Não obrigado.
    No tempo do estado novo quem nomeava os corruptos era o Salazar actualmente quem os nomeia é o voto democrático, é o povo.

  4. Faço minhas as palavras do Nuno Cardoso (acima)

    «Portugal deve garantir que a refinação do lítio e o fabrico de baterias se faça em Portugal, e não permitir a exportação do minério que faria com que fossem outros a beneficiar das mais valias.»

    É vital que, no final, quando já não houver lítio ou o lítio já não servir para coisa nenhuma, não fique em Portugal apenas um buraco no chão.

    É vital que se utilize esta oportunidade para geral valor. Gerar capacidade. Gerar saber e saber fazer. É vital que isto aconteça!

    PS. Já agora, é bom que não se dê ouvidos aos ´velhos do Restelo’ que seguramente vão aparecer com a conversa do costume: Está tudo mal. É tudo corrupto. O PS vai dar isto aos amigos (O PSD não tem amigos). O que vai ser das populações? Pensem nas criancinhas! O lítio é o demónio…..etc.
    O lítio é apenas uma etapa mais no caminho da energia que se quer tão verde quanto possível. Se Portugal não quiser ou não souber fazer parte desta etapa, outros farão.

  5. Se for mais uma avaliação de impacto ambiental igual à da Torre Bela, onde se matam os animais todos e cortam-se as árvores para se dizer que não vai haver qualquer impacto na biodiversidade porque não existe lá nada e que se pode instalar uma central fotovoltaica à vontade, Portugal está muito bem servido, repleto de gente competente e honesta!

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