Sebastião Moreira / Lusa

Um novo estudo australiano revela que o sistema imunológico não esquece o seu encontro com o vírus SARS-CoV-2 durante oito meses após a infeção.
Apesar de ainda ser muito cedo para dizer com certeza quanto tempo pode durar a imunidade, os cientistas estão otimistas.
Um novo estudo, que juntou cientistas da Monash University, do Alfred Hospital e do Burnet Institute em Melbourne, na Austrália, analisou amostras de sangue de 25 voluntários diagnosticados com covid-19. Outros 36 indivíduos sem história da doença também forneceram uma amostra de sangue para comparação, escreve o Science Alert.
As amostras positivas para a covid-19 sugerem que as concentrações de anticorpos anti-SARS-CoV-2 flutuantes começam a desaparecer apenas 20 dias após o aparecimento dos sintomas, uma descoberta em linha com estudos anteriores que sugere que os níveis de anticorpos caem rapidamente, especialmente em casos leves da doença.
No entanto, os pacientes continuaram a ter células B de memória que reconheceram um dos dois componentes do vírus SARS-CoV-2, as proteínas do pico e do nucleocapsídeo.
Estas células estavam presentes de forma estável até oito meses após a infeção. “Estes resultados são importantes porque mostram, de forma definitiva, que os pacientes infetados com o vírus da covid-19 mantêm a imunidade contra o vírus e a doença”, disse Menno van Zelm, do Departamento de Imunologia e Patologia da Monash University.
As células B de memória “lembram-se” da infecção pelo vírus e, quando estimuladas novamente através da reexposição ao vírus, desencadeiam uma resposta protetora por meio da rápida produção de anticorpos especializados para aquele antígeno.
Além de darem esperança à eficácia de qualquer vacina, estes resultados explicam por que motivo houve tão poucos casos de reinfeção. O artigo científico com as descobertas foi publicado no dia 22 de dezembro na Science Immunology.
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