Grécia “não vai ser o anfitrião amigo dos oprimidos deste mundo”, diz Mitsotakis

ORESTIS PANAGIOTOU

O líder do Nova Democracia e atual primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis

Quando os campos de refugiados das ilhas gregas do Egeu, mais perto da Turquia, enfrentam um grau de sobrelotação sem precedentes, o chefe do Executivo grego, o conservador Kyriakos Mitsotakis, declarou que a Grécia “não vai ser o anfitrião dos oprimidos deste mundo”.

As declarações do primeiro-ministro surgiram em resposta a um comentário do líder do partido de esquerda Mera25, e antigo ministro das Finanças, Yannis Varoufakis, noticiou no domingo o Público.

Kyriakos Mitsotakis foi questionado no Parlamento na sexta-feira, durante um debate sobre política de migração, com a Grécia a registar um aumento substancial de chegadas, sobretudo nos últimos dois meses. Cada vez mais pessoas arriscam a viagem, que apesar de curta é muito perigosa, em barcos inseguros, com coletes salva-vidas que, muitas vezes, em vez de serem feitos de material que flutua, são feitos de material que afunda.

Estes coletes, símbolo da crise dos refugiados em 2015 – foram usados, por exemplo, pelo artista Ai Weiwei numa instalação em Berlim para chamar a atenção para o perigo da rota pelo Mediterrâneo – voltaram a acumular-se perto das praias de ilhas como Lesbos, Samos ou Quios.

Mas as semelhanças com 2015 são sobretudo simbólicas. Os números destes últimos meses não têm comparação com os números de 2015: em agosto chegaram 9656 pessoas à Grécia, comparado com 5800 em julho, informa o site de informação Macropolis. Em 2015, apenas num dia, 29 de agosto, chegaram às praias das ilhas 5558 pessoas. E no pico da crise, no outono, houve dias em que o número de chegadas foi o dobro.

Kyriakos Mitsotakis causou polémica por classificar, sem dar dados, a chegada atual de pessoas ao país como “uma crise de migração”. “Têm o perfil de migrantes económicos e não de refugiados”, disse, repetindo planos para deportar dez mil pessoas cujos pedidos de asilo sejam rejeitados até ao final do ano.

Segundo o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, às ilhas gregas têm chegado este ano sobretudo pessoas vindas do Afeganistão (38%), Síria (20%), e outros países como a República Democrática do Congo (9,5%) ou o Iraque (7,8%).

O chefe de missão dos Médicos Sem Fronteiras na Grécia, Tommaso Santo, diz que é “totalmente errado” falar de migração económica neste contexto. “As pessoas estão a chegar de locais em que há conflitos ativos – o Afeganistão é um país em guerra”, indicou, numa conversa telefónica com o Público.

“As pessoas não fogem deixando tudo para trás porque querem ter uma experiência noutro país”, sublinhou. “Fogem porque estão numa situação dramática, porque não têm nada, provavelmente perderam familiares, casas e bens”, enumerou, concluindo: “É uma escolha difícil, a de fugir”.

Há anos que associações de proteção de direitos humanos como a Amnistia Internacional dizem que o que aconteceu após o grande fluxo de chegadas em 2015 – a lentidão nas respostas, a concentração de pessoas em más condições, a falta de informação sobre o país para onde poderiam ir, o dificultar as reunificações familiares, deixando as pessoas numa espera agonizante antes de poderem chegar ao país onde está o familiar – foi uma tentativa de dissuasão. Deixar pessoas concentradas em campos com condições difíceis de aceitar num país europeu foi um meio de levar quem foge a pensar duas vezes.

Esta é uma “crise humanitária criada sobretudo por políticas” desadequadas, lê-se no relatório recente da organização Refugee Support Aegean, com os centros de receção (os campos de refugiados) a serem mantidos permanentemente em modo de emergência.

Não houve planeamento de longo prazo ou medidas eficazes, repetiram-se impasses em obstáculos burocráticos que deitaram a perder financiamento da União Europeia (UE), com falta de profissionais especializados ou soluções de habitação de longo termo.

A vergonha da Europa

No campo de Moria, na ilha de Lesbos, a sobrelotação atingiu níveis máximos com 13 mil pessoas (deveria receber, no máximo, três mil). Há anos que as condições em Moria são terríveis, “a vergonha da Europa”, como lhe chamou a dada altura a revista alemã Der Spiegel, numa reportagem em 2017.

Uma mulher morreu num incêndio no campo no dia 29 de setembro, mas levou dias até que se percebesse o motivo do incêndio e se tinha havido mais mortos como se pensou ao início ou se havia pessoas desaparecidas. As mortes de um egípcio e de um sírio em janeiro de 2017, com quatro dias de intervalo, na mesma tenda, nunca foi esclarecida.

Segundo Eleni Velivasaki, advogada a trabalhar com a RSA, é uma incógnita o estado da investigação à morte mais recente. Moria existe numa zona cinzenta em que ninguém assume a responsabilidade, disse ao Guardian.

O campo foi interdito aos media, mas mesmo assim chegam imagens como montanhas de sacos de lixo, pretos e azuis, que fazem quase um muro junto a uma das poucas fontes de água do campo – foram arrastados pela última chuva torrencial, este fim-de-semana.

O cheiro, diz quem visita o campo, é sempre insuportável. Mistura o que vem do lixo apodrecido com o que sai das casas de banho. A vida no campo é passada a considerar as filas – para comer, para a água, para ir à casa de banho. As mulheres vão muitas vezes em grupos para terem alguma segurança, algumas passaram a usar fraldas para não irem à noite – e a resolver problemas (manter um colchão seco depois da chuva, tentar que a lama não chegue a tudo, manter escorpiões, ratos e cobras longe de bebés).

Mas o aumento de chegadas nos últimos dois meses levou esta situação a um extremo. Tommaso Santo mencionou as condições “inaceitáveis”, a falta de “serviços básicos”. Conta que os Médicos Sem Fronteiras tiveram de aumentar a sua intervenção, dando neste momento mais de cem consultas por dia porque não há resposta apropriada do Estado. “Estamos a testemunhar como pessoas vulneráveis, com doenças crónicas, não têm prioridade na retirada dos campos”.

Ghith Sy / EPA

Sofrimento indescritível

Sophie McCann, britânica que dá aconselhamento aos Médicos Sem Fronteiras na ilha, falou ao Guardian de “um sofrimento humano indescritível”, contando que os casos de auto-mutilação aumentaram muito, mesmo entre crianças muito pequenas. “Tenho dificuldade em encontrar as palavras certas porque nenhuma consegue transmitir a miséria absoluta e desumanidade de uma situação que, na Europa, é francamente indescritível”.

Jules Montague, neurologista, está em Lesbos a fazer um estudo sobre a resposta de crianças a trauma. Num artigo do Guardian, contou a história de Ayesha, nove anos, que há duas semanas permanece como se estivesse a dormir – não abre os olhos sequer, deixou de falar, comer, andar.

Outras crianças mordem-se a si mesmas, batem com a cabeça contra muros até sangrar.

No Afeganistão, Ayesha passou pela morte do irmão de nove anos, estava perto dele quando morreu na explosão de uma bomba. Os estilhaços que ficaram na sua perna levaram Ayesha a passar por várias cirurgias (tem ainda uma espécie de caixa de metal em volta da perna). A seguir passou pela viagem de barco até Lesbos. Ficou no estado atual já em Moria, depois de um adolescente ter sido esfaqueado até à morte ao lado da sua tenda.

O problema é que, chegando à Europa, a expectativa é de um mínimo de segurança e isso não se encontra em Moria, ou em nenhum dos campos nas ilhas gregas.

“Enquanto as pessoas estão a fugir, em trânsito, têm um objetivo e um mecanismo para gerir o stress e os problemas, ficam mais fortes, não estão a pensar no futuro ou no passado mas na viagem”, disse Tommaso Santo. “Quando chegam e ficam no mesmo lugar, e não têm nada para fazer, os pesadelos do passado atacam, e perdem este mecanismo”, concluiu.

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