Com Biden à frente e milhões de votos por contar, Trump declara vitória e já antecipa batalha no Supremo

Jim Lo Scalzo / EPA

Mesmo com milhões de votos por contabilizar em vários estados, sendo que muitos deles são considerados decisivos no resultados das eleições, Trump cumpriu a promessa que fez durante a campanha e já declarou vitória. Contudo, há estados decisivos que ainda estão em aberto.

Donald Trump continua a insistir na teoria de “fraude eleitoral” associada ao voto por correspondência, e já avisou que vai recorrer ao Supremo Tribunal para garantir que não são contabilizados votos “acrescentados mais tarde” por um “grupo triste de pessoas”. No entanto, os advogados de Joe Biden já reagiram e admitem estar preparados para o combate que se avizinha no Supremo Tribunal.

“Estávamos a preparar-nos para um grande celebração. Estamos a vencer em todo lado e de repente parou tudo. Isto é fraude para com o povo americano. É uma vergonha para o nosso país. Estávamos prontos para vencer esta eleição. Francamente, vencemos esta eleição. E vencemos por muito”, disse o Presidente dos EUA, num discurso ao país.

https://twitter.com/SkyNews/status/1323892454127534086

A posição de Trump surge numa altura em que Joe Biden vai à frente nos votos para o Colégio Eleitoral. Contudo, ainda faltam contabilizar tanto os votos em urna, como os votos por correspondência, em estados importantes. Quem conquistar o Michigan e a Pensilvânia tem grandes possibilidades de ser declarado vencedor das presidenciais.

Esta atitude de Trump já era esperada, não fossem os avisos do candidato republicano nos últimos dias. Horas antes do discurso do Presidente, o candidato democrata já tinha referido que não compete ao candidato republicano declarar o vencedor, mas sim ao eleitorado.

No entanto, Trump prometeu recorrer ao Supremo Tribunal para confirmar este suposto triunfo, denunciando, sem apresentar provas, de que há votos a serem depositados ilegalmente, e que há “gente muito triste” a querer “marginalizar o povo americano”

As reações às declarações de Donald Trump não se fizeram esperar. Vários analistas e comentadores políticos foram muito críticos com o Presidente, mas reforçaram que ninguém foi propriamente apanho de surpresa por esta tomada de posição.

“Estamos a ouvir um aspirante a ditador. Pode não conseguir vir a sê-lo, mas é isso que ele é. Esta é uma tentativa de golpe e pode resultar em violência”, disse Bart Bonikowski, sociólogo na New York University, especialista em estudos de cultura e política, no Twitter.

“Depois do que ele disse, os advogados de Trump terão agora que defender o conceito de os voto não serem todos iguais, de o voto de uma pessoa não valer o mesmo que o de outra. O que é inconsistente com a cláusula de proteção igualitária”, afirmou, por sua vez, Jonathan Allen, analista da NBC News.

“Como se esperava, acusou falsamente pessoas nefastas de lhe estarem a roubar a eleição. Reclamou vitória na Carolina do Norte e na Georgia, apesar de não se saber ainda quem venceu nos dois estados. Era este o plano desde o início”, considera David Axelrod, antigo estratega de Barack Obama e diretor do UChiPolitics.

Esperança democrata mantém-se acesa

Joe Biden chegou ao dia das eleições com uma média de sondagens nacionais a apontarem para uma vitória de cerca de dez pontos e entre os democratas esperava-se uma onda azul que varresse alguns estados fulcrais para as suas aspirações.

O caso mais flagrante foi o da Florida, que vale 29 votos nos 538 do Colégio Eleitoral. Joe Biden e Kamala Harris apostaram bastante no estado do sudeste, mas o candidato republicano também insistiu nas visitas ao estado e a sua mensagem passou, sobretudo entre os latinos, segundo os analistas. No final de contas a sua vitória foi reforçada em relação a 2016.

Embora as sondagens não lhe dessem a vitória, Joe Biden e os democratas acreditavam ser possível conquistar o Ohio e o Texas, mas mais uma vez Trump levou a melhor nestes estados.

Ainda assim, Biden conquistou os desejados Minnesota, Arizona, California e Maine, mas ainda há estados que não estão fechados.

Ao longo do dos próximos dias deverá conhecer-se os resultados da Pensilvânia, Michigan e Wisconsin, e é nestes estados que a esperança dos democratas ainda se mantém acessa. Contudo, é importante relembrar que Trump saiu aqui vencedor em 2016.

Tendo em conta a larga adesão dos eleitores, ​o desfecho da mais tensa eleição norte-americana das últimas décadas promete arrastar-se durante vários dias ou até semanas. Para já Joe Biden conta com 238 votos no Colégio Eleitoral, contra os 214 de Trump. Para que um vencedor seja declarado são necessários 270 votos.

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11 YORUMLAR

  1. Grande palhaço este Trump. Quando um sociopata sobe ao poder (pela mão do povo, o que ainda é mais triste), o resultado só pode ser este. Não sabe perder, não admite perder e tudo fará para não largar o poleiro mesmo que o Biden ganhe as eleições.

    Um não-democrata em democracia funciona exactamente assim: Quando visita a Coreia do Norte, diz que quer ver o seu povo vergar-se perante ele como os Norte-Coreanos se vergam perante Kim Jong-Un. Quando as notícias não são a seu gosto, diz que são falsas. Quando perde as eleições diz que é vigarice. Então pois claro… Todos os presidentes que perderam eleições antes dele, perderam legitimamente… Mas quando chega a vez dele tinha de ser diferente. Então não sei?…

  2. Estas eleições na América, parecem mesmo envergonhar aquilo que deveria ser a maior democracia do Mundo.
    Primeiro, deveriam ser respeitados os prazos, mesmo dilatados, para total apuramento dos votos pelas partes envolvidas na campanha. Trump, muito mais que Biden, quer ser eleito mesmo sem a contagem de votos completa. Um absurdo.
    Segundo, o partido democrata escolheu um candidato (entre outros) que parece não ter as capacidades mentais capazes de enfrentar um lugar com tanta responsabilidade, principalmente nos tempos que vão correndo.
    Terceiro, a possibilidade de Trump vir a ganhar, mesmo que com maioria de votos no Congresso.
    De facto, não é difícil analisar o que foram estes quatro anos de governo Trump.
    O fetiche do muro da vergonha com o México, que custa milhões de dólares aos contribuintes americanos, bem como o azedar de relações diplomáticas um pouco por todo o Mundo O abandono sistemático e teimoso dos grandes foruns internacionais, onde se decide o futuro do Ocidente e do Mundo, entregando, gratuitamente, o ouro ao bandido. Por fim, a quebra considerável mas muito importante, na balança das exportações americanas, entregando assim uma fatia muito valiosa das exportações mundiais aos chineses, que nesta altura se orgulham de ter o maior volume de exportações do mundo. Ter permitido, que a Rússia ocupasse espaço político em muitos países “abandonados” , aumentou ainda mais o poder de Putin e do seu amigo estratégico Xi Jimping.
    Por tudo isto e mais que aqui não cabe, Trump não é presidente para defender os interesses americanos nem ocidentais, mas Biden, talvez cheio de boas intenções, não tem sangue na guelra que o torne capaz de contrariar todas as asneiras do seu antecessor.
    Talvez por isso, o partido democrata devesse ter escolhido um candidato com um perfil diferente e mais jovem.

    • Durante meses as sondagens deram sempre a vantagem ao Biden com cerca de 9 ou 10%. Agora que a contagem está muito adiantada, a percentagem para um e outro está quase ela por ela. Cada vez me convenço mais que as sondagens foram sempre manipuladas. Aguardemos o desfecho…!

  3. “This is a fraud on the American public, this is an embarrassment to our country”
    Eheheheeee… o Trampa não perde uma oportunidade de envergonhar os EUA!…

  4. …não é nada que já não se estivesse à espera. A dúvida é quanto tempo este palhaço pode impedir os resultados de serem aceites. Se não houver desistência de uma das partes a coisa vai durar meses…

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