
Arthur C. Clarke em 1968 com os pods de “2001 – Odisseia no Espaço”, filme baseado na sua novela com o mesmo nome.
Um vídeo de Arthur C. Clarke numa conferência em 1976, revelado esta semana, mostra as previsões do escritor para o século XXI – e pelo menos oito dos cenários estão corretos, antevendo situações que hoje parecem banais mas que há 40 anos eram apenas ideias.
Com a chegada de 2015, muitas foram as comparações feitas entre a realidade que nos rodeia e a descrita no filme Back To The Future, de 1985, e a verdade é que o autor da película revelou-se certeiro em muito poucas situações. Não há carros voadores nem viagens no tempo.
Mas o mesmo não acontece com Arthur C. Clarke, inventor e escritor britânico de ficção científica, autor do livro 2001: Odisseia no Espaço.
Sir Arthur C. Clarke morreu em 2008, sem ter tido oportunidade de conhecer todas as inovações dos últimos. Mas, em 1976, numa conferência da AT&T/MIT, antecipou o futuro do século XXI e conseguiu acertar em, pelo menos, oito previsões.
Em vez de carros voadores, o escritor deu mais atenção à área da comunicação e conseguiu prever com sucesso, por exemplo, a invenção do satélite de comunicações e a criação do Google.
Nesta conferência, Arthur C. Clarke previu cenários que ainda não são realidade, como as viagens espaciais puramente pelo prazer de viajar. Mas a SpaceX de Elon Musk e a Virgin Galactic de Richard Branson já aí estão, a abrir o caminho para a concretização da ideia.
Ainda assim, muitos dos cenários de Clarke estão correctos, como é o caso do desenvolvimento dos computadores. No tempo das fitas perfuradas, o escritor previu que um teclado seria unido a um ecrã para que a comunicação com o mundo exterior pudesse acontecer.
Para além disso, no seu discurso, o escritor aponta os dispositivos interligados como o futuro, na medida em que “vão permitir que enviemos mais informação para os nossos amigos, para trocar informações gráficas, dados, livros e mais”.
O culminar desta previsão surge com o desenvolvimento da internet que permite, precisamente, essas trocas de que falava.
Arthur C. Clarke afirmou também que as chamadas com vídeo seriam comuns no século XXI, e o surgimento de ferramentas como o Skype são a prova disso mesmo.
O e-mail foi também antecipado por Clarke, que o descreveu sob a forma de um meio de comunicação puramente digital que facilitasse a comunicação em tempo real como um complemento ao telefone da época.

Em “2001, Odisseia no Espaço”, escrito em 1968, Arthur C. Clarke previu chamadas telefónicas com vídeo.
O próprio telefone viria a sofrer alterações que o escritor previu, como por exemplo que os equipamentos se tornariam móveis e que seriam de tal forma integrados no quotidiano das populações que operaria uma “reestruturação na sociedade”.
O escritor antecipa ainda o telecommuting, que consiste no aproveitamento das tecnologias digitais para que se possa trabalhar em casa tal como se se estivesse no escritório, enquanto realidade comum. Apesar de ainda não ser tão habitual como previu, o telecommuting já é uma realidade em muitas profissões.
Uma das previsões que corresponde na perfeição ao século XXI passa pela criação de uma “máquina” que teria a capacidade de procurar informações numa espécie de “biblioteca central”, ou seja, o desenvolvimento de um motor de busca. O Google é um exemplo da concretização deste cenário.
Por fim, Arthur C. Clarke antecipou o desenvolvimento de uma tecnologia que permitisse a existência de smartwatches. O lançamento do primeiro relógio inteligente da Apple está previsto para abril deste ano – e nem sequer será propriamente o primeiro smartwatch a ver a luz do dia.
Clarke é considerado o pai do satélite geo-estacionário de telecomunicações, por ter descrito os prencípios de física teórica que estão por trás da sua invenção.
Das mais importantes antecipações científicas de Clarke, está por concretizar o seu elevador espacial, uma invenção descrita na sua premiada novela The Fountains of Paradise.
Mas a julgar pela novela, que descreve a construção de uma estrutura gigante a ligar a terra a um satélite geo-estacionário, teremos que esperar pelo século XXII para poder ir de elevador até ao espaço.
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Recomendo a todos a leitura do livro Visões do Futuro de Arthur C. Clarke. É já de 2001, mas é uma boa leitura. Chega até a ser hilariante a forma descontraída como o autor o escreve, mas também um exercício mental de previsão de futuro brilhante (mas não em todos os casos :).
Mas, sem tirar qualquer crédito à antecipação, em 1976 o e-mail já existia bem como os computadores com teclado e rato (patenteado em 1970) e a interligação via Internet (década de 70) também existia. Claro que não em massa como conhecemos actualmente nem fora das universidades e ambientes militares. Mas, existiam…