Só tinham ouvido falar. Depois de 8 meses isolados, descobriram o real impacto da covid-19

(dr) Matt Saunter / Hawaii Department of Land and Natural Resources

Matt Saunter, Matt Butschek II, Naomi Worcester e Charlie Thomas

Uma equipa de quatro investigadores viajou para Kure Atoll, um atol remoto no Oceano Pacífico que fica a mais de 2.100 quilómetros de Honolulu. Quando regressaram ao Havai, foram surpreendidos com o impacto da covid-19, a doença de que tinham ouvido falar, mas nada sabiam.

Em fevereiro, quatro investigadores viajaram para um dos lugares mais remotos do planeta: Kure Atoll, um atol remoto no Oceano Pacífico que fica a mais de 2.100 quilómetros de Honolulu, no Havai. Quando regressaram ao arquipélago, o mundo era um lugar diferente: devastado por um vírus que dizimou empresas, sobrecarregou os sistemas de saúde e impôs novas regras de distanciamento social e máscaras faciais.

Depois de oito meses isolados – sem acesso a televisão, telemóveis e Internet limitada -, o quarteto recebia e-mails ocasionais de amigos e familiares para se manter atualizado em relação ao mundo exterior. Da covid-19 tinham ouvido falar, mas pouco mais do que isso.

“Eu já tinha ouvido algumas coisas”, contou Matthew Butschek II, de 26 anos, à CNN. “Mas, depois de ver outras doenças como a SARS e a gripe suína, pensei: ‘É só mais uma. Nada grande’. Eu realmente pensei que já teria passado quando voltássemos para casa.”

Um dos quatro membros da equipa, Charlie Thomas, de 18 anos, confessou que todos os elementos ficaram “distantes” do mundo real. “Eu só tinha visto algumas coisas no noticiário. Lembro-e de voar para Honolulu, em fevereiro, ao mesmo tempo que chegava um voo do Japão. Toda a gente naquele avião estava a usar máscaras”, contou.

Apesar de os amigos e os familiares os terem avisado do que estava a acontecer no mundo, com a chegada inesperada de um vírus silencioso, ouvir relatos sobre uma pandemia é muito diferente do que vivê-la em primeira mão.

Thomas, o único membro da tripulação que não é dos Estados Unidos, já está de volta a Auckland, na Nova Zelândia, depois de uma quarentena de 14 dias num hotel. Matt Saunter e Naomi Worcester continuam no Havai, enquanto Butschek está com a família no Texas, o primeiro estado norte-americano a atingir a marca de um milhão de casos de covid-19, no mês passado.

“Sinto que ainda estou a aprender todos os detalhes. Mas, felizmente, ninguém que eu conheço, nenhum dos meus amigos, foi diagnosticado com covid-19”, contou Butschek.

A equipa está feliz por voltar a casa, mas reconhece que o distanciamento social e as medidas restritivas impostas pelos governos estragaram a alegria do retorno. “Tem sido muito estranho“, disse Naomi Worcester, de 43 anos, a única mulher do grupo. “Já não há pessoas à espera no aeroporto. Estou feliz com o regresso da boa comida, mas eu não dei um abraço a ninguém desde que voltei.”

O regresso é agridoce.

Embora a tripulação tenha acabado de chegar a um mundo que enfrenta uma crise sanitária global, as pesquisas na ilha devem continuar.

Com quase dez quilómetros de extensão, o Kure Atoll é um santuário de vida selvagem administrado pelo Departamento de Terras e Recursos Naturais do estado do Havai. A cada ano, duas equipas são enviadas para o atol, o lar de centenas de aves marinhas e focas ameaçadas de extinção, para conduzir investigações sobre o ecossistema da ilha.

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