Aulas ao ar livre podem ser “a grande alternativa” para manter as escolas abertas

Em tempos de covid-19, cada vez mais escolas pelo mundo estão a apostar nas aulas ao ar livre para manterem as escolas abertas em maior segurança. Em Portugal, a Associação Nacional de Professores considera que, neste momento, essa pode ser “a grande alternativa”, nomeadamente para resolver os problemas do distanciamento social.

Por todo o mundo, cada vez mais escolas, em países como EUA e França, estão a apostar nas aulas ao ar livre como resposta à pandemia, uma vez que os especialistas consideram que a transmissão do coronavírus é menos provável em espaços exteriores. Além disso, o sol e o vento podem ajudar a reduzir a presença de vírus viáveis para contágio nas superfícies, de acordo com alguns estudos.

Perante as dificuldades que algumas escolas portuguesas podem ter para manter as regras de distanciamentos social definidas pela Direcção Geral de Saúde (DGS), esta prática pode ser “a grande alternativa”, como considera ao ZAP a presidente da Associação Nacional de Professores (ANP), Paula Figueiras Carqueja.

Pais acham que “só dentro da sala há aprendizagem”

A ANP está envolvida há cerca de cinco anos no movimento internacional “Dia de Aulas ao Ar Livre” que, em Portugal, é promovido pela associação ambiental Bloom que se dedica a “promover, incentivar e divulgar a conservação do ambiente junto das crianças, famílias e profissionais de educação”, conforme se explica no site oficial.

“As aulas ao ar livre são sempre uma grande solução“, com ou sem pandemia, constata Paula Carqueja, salientando que “devemos aproveitar o bom clima do nosso país” e passar essa mensagem no arranque deste novo ano lectivo diferente do habitual.

Paula Carqueja fala da importância de “sensibilizar as nossas crianças de que a escola em si não é dentro daqueles muros fechados, mas que está presente em todo o lado“. Mas é preciso “sensibilizar sobretudo os pais/encarregados de educação e as associações de pais”, alerta.

Em declarações ao ZAP, a responsável da ANP fala da resistência à prática por parte de pais/encarregados de educação, considerando que subsiste a mentalidade de que “só dentro do espaço sala de aula é que há aprendizagem”.

“Os pais ainda não perceberam que na rua, nos jardins, nos pátios da escola, podemos partilhar conhecimento, a brincar, mas sempre a aprender“, sublinha Paula Carqueja.

Também a vice-presidente e fundadora da associação Bloom, Mónica Franco, entende que há “ainda muita dificuldade em reconhecer novos contextos de aprendizagem nos espaços ao ar livre das escolas”.

“Há uma clara separação física (e de entendimento) entre o espaço para brincar e o espaço para aprender, embora esteja amplamente comprovada a eficácia da aprendizagem em contexto de brincadeira, porque esta é por excelência a “linguagem” das crianças“, salienta Mónica Franco ao ZAP.

É preciso um “empurrão” do Ministério

Sublinhando que temos “o privilégio de viver num país com bom tempo”, Mónica Franco destaca que as aulas ao ar livre deveriam ser, “sem dúvida, uma solução a equacionar” em tempos de pandemia. Mas, para isso, é preciso que “exista vontade política” e que surjam “orientações claras das entidades competentes” para que “as escolas utilizassem os espaços ao ar livre para leccionar”.

“Sem esse “empurrão” da tutela ainda vai levar muito tempo até que exista uma utilização alargada do ar livre para aprender”, lamenta Mónica Franco.

A vice-presidente da Bloom lembra ao ZAP que as orientações da DGS e da Direcção Geral de Educação (DGE) para fazer face à pandemia indicam que “deve ser privilegiada a utilização das salas ou espaços mais amplos e arejados“, bem como “actividades em espaços abertos (pátios, logradouros, jardins)”, mas “apenas para o ensino pré-escolar”.

“Nos ensinos básico e secundário não existe nenhuma referência neste sentido”, acrescenta Mónica Franco, notando que até se dá “a indicação para a diminuição do tempo dos intervalos” que está a ser “contestada por vários psicólogos que temem uma pandemia na saúde mental”.

“Crianças mais felizes” e mais saudáveis

Para lá de contribuírem para travar a propagação do coronavírus, as aulas ao ar livre têm associados diversos benefícios, nomeadamente em termos de saúde mental e física, mas também no desenvolvimento cognitivo e emocional.

Alguns estudos associam as actividades ao ar livre à redução da diabetes, de doenças cardíacas e de doenças crónicas em crianças, além de vincarem que diminui a ansiedade e a depressão nos estudantes.

“O tempo passado ao ar livre, fora das 4 paredes da sala de aula, ajuda as crianças a concentrarem-se, ajuda a fomentar a sua criatividade e imaginação, para além de ser mais divertido”, analisa Mónica Franco ao ZAP.

“Brincar ajuda as crianças a construírem amizades, a testarem os seus limites, a resolverem os seus próprios problemas” e, “consequentemente, isso melhora o seu comportamento“, diz ainda, concluindo que as “crianças são mais felizes”.

Todavia, apesar desse reconhecimento dos “benefícios do contacto com o ar livre” e da certeza das “consequências devastadoras no desenvolvimento saudável das crianças da falta de contacto com o exterior”, o foco ainda está muito “na aquisição de competências curriculares”, entende a responsável da Bloom.

“Não existe mau tempo, só existe mau vestuário”

Nos países nórdicos, onde alguns modelos educativos são considerados dos melhores exemplos de sucesso mundial, acontece precisamente o inverso, com as escolas menos focadas nos currículos, nos testes e nas avaliações, e com um grande nível de flexibilidade, nomeadamente para programarem actividades ao ar livre.

“A mentalidade é que faz bem às crianças experienciarem diferentes tipos de clima”, conta ao ZAP Alexandre Silva, um português que é professor num infantário de Reiquiavique, a capital islandesa, que acolhe crianças dos 18 meses aos 5 anos e onde é habitual saírem todos os dias para o recreio.

“No infantário onde trabalho, todas as crianças passam, pelo menos, meia hora lá fora, faça chuva ou faça neve, para se habituarem a aceitar o tempo seja ele qual for, para se prepararem para viver numa terra inóspita, onde a Primavera e o Outono fazem parte do Inverno”, relata Alexandre Silva.

“Como o tempo geralmente é severo, quando faz bom tempo é de certa forma ‘obrigatório’ ir para a rua”, analisa ainda, considerando que “faz parte de um mindset que a população tem em relação ao exterior”.

“Não existe mau tempo, só existe mau vestuário”, conclui.

“Há escolas que são ao ar livre a maior parte ou quase a totalidade do tempo”, aponta também ao ZAP Alexandre Silva.

São as chamadas “forest schools” (“escolas florestais”) que existem também noutros países, como a Finlândia, com turmas em idade pré-escolar e do jardim de infância, onde as crianças podem passar até 95% do dia escolar ao ar livre, combinando aprendizagem com brincadeira e contacto com a natureza.

“Escolas florestais” nasceram durante outra pandemia

Estas “escolas florestais” tiveram a sua génese na Alemanha, no início do Século XX, com o pediatra Bernhard Bendix e com o inspector escolar Hermann Neufert, e surgiram como uma resposta à pandemia de tuberculose.

Bendix e Neufert abriram a primeira Waldschule für kränkliche Kinder (“escola florestal para crianças doentes”) nas imediações de Berlim, em 1904, no coração de uma floresta local, com apenas uma estrutura de madeira básica que servia para dar as aulas durante os dias mais frios ou chuvosos, como relata o site History.

Essa Waldschule acolhia, essencialmente, crianças que tinham sintomas associados à tuberculose.

Mas, pela mesma altura, muitas escolas, em países como os EUA, optaram por levar os alunos para salas de aula ao ar livre para reduzir os riscos de contágio com tuberculose (a doença também se transmite através de gotículas que transportam a bactéria).

O conceito de “escolas floresta” acabou por ficar e espalhou-se a vários países europeus, continuando a existir hoje em dia em muitos deles.

[sc name=”assina” by=”SV, ZAP”]
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  1. Seria aconselhável consultar pelo menos um mapa da Europa já que parece que as aulas de Geografia do Ensino Básico não serviram de nada a quem escreveu esta peça. Reiquiavique é capital da Islândia, da Finlândia é Helsínquia!!! Fiquei sem perceber se o português entrevistado vive na islandia ou finlandia (não que faça grande diferença para a questão das atividadea ao ar livre comuns em todoa ps países nórdicos,i.e., descendentes de vikings)

    • Cara leitora,
      Obrigado pelo seu reparo. Está corrigido.
      Lamentamos que, numa peça com esta profundidade e interesse, tenha sentido necessidade de recorrer ao enxovalho para alardear o seu conhecimento de geografia.
      Caso, além deste lapso de ensino básico, veja mais alguma gralha, imprecisão, erro, alguma vírgula mal posta — que é provável que exista — tente por favor dar-nos a conhecê-la de forma menos intensa.

    • A leitora Maria Fernandes não deve ter prestado atenção às aulas de história do ensino básico. Os vikings não são originários da Finlândia e as expedições que chegaram a território finlandês não afectaram as populações locais. Ou se calhar é o ensino português que baseia o seu foco da história no legado colonial do povo lusitano.

    • Cara leitora,
      Obrigado pela sua sugestão. Estamos com dificuldades em encontrar um revisor que não só tenha dado uso às aulas de Geografia do Ensino Básico, como também seja especialista em Física Quântica 🙂

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