Francisco não agrada a gregos e a troianos. Passos pede aliança, Chega faz aviso

O presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos

Francisco Rodrigues dos Santos vem romper com o “portismo” que dominou o CDS-PP nos últimos vinte anos. Uns congratulam-se, outros duvidam.

Francisco Rodrigues dos Santos foi eleito presidente do CDS-PP este fim de semana. A moção “Voltar a Acreditar” foi a mais votada na madrugada domingo no 28.º congresso do partido, em Aveiro.

A principais bandeiras de “Chicão” – luta contra a corrupção, choque fiscal, o SNS sem “preconceitos ideológicos”, coesão territorial, reforma do sistema de justiça – não são muito diferentes das de Assunção Cristas. Ainda assim, o novo líder garante que chegou um novo tempo ao CDS e não tem vergonha de dizer que vem liderar um partido de direita.

“Não seremos mordomo nem muleta de ninguém, não nos iremos diluir em nenhum partido. Sejamos claros: à direita lidera o CDS, não lidera nenhum outro partido. Não aceitamos lições de ninguém”, sustentou o mais recente líder.

No rescaldo do fim de semana quente centrista, Pedro Passos Coelho abriu “uma exceção” para pedir, publicamente, união aos dois partidos. Assim, o ex-primeiro-ministro e antigo líder do PSD dirigiu um “voto público” ao PSD e ao CDS de “afirmação” e “união” para que ambos os partidos possam fazer “ações reformistas importantes” que o país precisa.

“Isso está perfeitamente ao nosso alcance e o país precisa disso, e nós precisamos disso. É o voto que aqui quero deixar. Que o exemplo da Barca possa ser inspirador para os nossos partidos, e em particular para o meu, que é o PSD”, afirmou.

O ex-governante, que falava durante a tomada de posse dos novos órgãos da concelhia de Ponte da Barca, no distrito de Viana do Castelo, terminou um discurso de quase 40 minutos, formulando um voto público aos dois partidos, em particular, ao seu.

“Que possa encontrar o seu caminho, certamente de afirmação e de união, porque as pessoas têm de se saber unir. Se andarem em desavenças é mais difícil chegar a algum lado. Não estou a dizer que é impossível, mas é mais difícil”, referiu.

Passos Coelho lembrou que os dois partidos fecharam “ciclos políticos” e que novos se abriram. “No PSD houve eleições há pouco tempo e haverá um congresso daqui a 15 dias para coroar essa eleição. O CDS fez hoje o seu congresso. Podemos dizer que aqueles que estiveram, no Governo, juntos no passado com essas responsabilidades fecharam um ciclo, em definitivo, e abriram outro. Ainda para mais com pessoas e dirigentes que não tiveram nada a ver nem com esse Governo, nem com outros passados, destes partido”, especificou.

Passos Coelho apelou para que “as pessoas se unam, a pensar no serviço que podem prestar aos outros”. “Se puserem um bocadinho de lado as questões que foram acumulando, às tantas se elas não forem muitos importantes e, muitas vezes não são muitos importantes, as pessoas tendem a esquecê-las e tendem a unir-se em torno de coisas mais positivas.”

Na intervenção, que contou com a presença dos deputados Eduardo Teixeira e Emília Cerqueira, do ex-deputado Carlos Abreu Amorim, dos presidentes da Câmara de Ponte da Barca, da concelhia e distrital do partido, Passos apelou ao “respeito e elevação”.

“Temos de saber acomodar as nossas divergências e saber comportar-nos à altura daqueles que estão a ouvir, que não estão nada interessados em saber das nossas zangas. Isso não interessa para nada. As nossas zangas são connosco. Não temos de maçar as pessoas com elas, a não ser que sejam coisas importantes. Se são importantes vamos lá a debater. Uma vez que estão arrumadas, estão arrumadas. Andamos para a frente. Não podemos andar sempre a bater na mesma tecla, senão não saímos do sítio”.

Convidado pelo PSD de Ponte da Barca para a tomada de posse da comissão política concelhia, Passos Coelho afirmou que a “união” daqueles dois partidos é “indispensável” perante a ausência, no presente, de “qualquer ação reformista importante” que possa “prevenir problemas maiores no futuro”.

“Não se vislumbra nenhum programa económico em que alguma reforma se esteja a fazer na dimensão da produtividade e competitividade da economia”, referiu, apontando o envelhecimento, a sustentabilidade dos apoios sociais e a saúde, “que está a rebentar pelas costuras”, como os principais problemas do país, a par do “descrédito da ação governativa”.

“Era indispensável que se começasse a intensificar esta forma de abordar os problemas. Quem está hoje no Governo prima pela ausência de um quadro reformista para um futuro melhor”, reforçou.

No final da intervenção e questionado pelos jornalistas, Passos Coelho escusou-se a prestar mais declarações. “Isto hoje foi uma exceção“, disse.

Diálogo do PSD com CDS será fácil

O dirigente do PSD Paulo Mota Pinto disse  que o seu partido irá dialogar “com facilidade” com a nova direção do CDS, presidida por Francisco Rodrigues dos Santos. “Vimos que o CDS se assumiu aqui como um partido de direita, distinto dos partidos emergentes, mas é um partido com o qual o PSD dialogará com facilidade”, declarou.

Depois do discurso de consagração de Francisco Rodrigues dos Santos como sucessor de Assunção Cristas, o presidente do congresso do dos sociais-democratas insistiu que o CDS é “um parceiro natural de diálogo” do PSD e lembrou a história comum dos dois partidos, quando desempenharam funções no Governo.

Paulo Mota Pinto admitiu que o CDS “distingue-se dos partidos emergentes” e é “um partido importante para o espetro político português”, adiantando que o PSD faz votos para que consiga superar o momento difícil que atravessa.

“O CDS está a atravessar um momento difícil. Alias, isso é claro no mote que preside ao congresso – A ideia de mudança – querem mudar justamente por causa do momento difícil e o PSD faz votos que o CDS consiga superar esse momento difícil”, afirmou.

Chega avisa que só “o futuro dirá” quem vai liderar direita

O vice-presidente do Chega, Diogo Pacheco Amorim, foi um dos convidados do congresso nacional do CDS, onde alertou que só “o futuro dirá” qual dos dois partidos vai liderar a direita em Portugal.

Pacheco Amorim, adjunto do CDS há 20 anos no parlamento, foi um dos convidados dos partidos na sessão de encerramento do congresso e considerou ser “mais continuidade do que renovação” relativamente a Assunção Cristas, e não uma ameaça por ter um perfil mais conservador.

E se Rodrigues dos Santos afirmou, no discurso da vitória, que não aceita lições de ninguém, o representante do Chega concorda, porque o seu partido “não quer dar lições a ninguém”.

As divergências surgem quanto à classificação do Chega de partido emergente, que “é uma forma de expressão”. “Julgo que já somos mais do que um partido emergente, e já temos um lugar claro no espetro político português”, disse, claramente no espaço da direita.

Uma frase que serviu para uma crítica indireta ao CDS, por que o Chega é de direita, “sempre disse que o era”, ao contrário do CDS, alegou, que “nem sempre disse que era de direita, normalmente assume-se de centro-direita”.

Numa lógica competitiva, Pacheco Amorim considerou que o Chega está em melhores condições de liderar a direita em Portugal, porque é um partido antissistema e o CDS um partido do sistema, que é “muito influenciado pela esquerda e extrema-esquerda”.

Se o novo líder do CDS disse que o seu partido quer liderar a direita, Pacheco do Amorim admite que os dois têm um “inimigo comum” – “a esquerda e a extrema-esquerda”, mas quem vai liderar não se sabe.

No que resta à liderança da direita, o futuro dirá”, afirmou.

PS lamenta “abandono do centro político”

O secretário-geral adjunto do PS, José Luís Carneiro, sustentou que o CDS-PP “abandonou o centro político do país”, afirmando que do discurso do novo líder, Rodrigues dos Santos, só extraiu “generalidades e slogans”.

“Lamento porque verificamos que a direita abandonou o centro político do país, temos uma direita mais à direita”, afirmou, em declarações aos jornalistas, desejando “as maiores felicidades” ao novo líder do CDS-PP eleito no 28.º Congresso, em Aveiro.

Quanto ao conteúdo do discurso de encerramento de Francisco Rodrigues dos Santos, o secretário-geral adjunto socialista disse que irá aguardar “porque para além das generalidades pouco mais se conseguiu extrair”. “Houve um conjunto grande de generalidades e slogans, do ponto de vista concreto não vimos nada”, respondeu.

Por outro lado, considerou, o CDS-PP reconheceu “que o discurso radical de crítica e contestação ao primeiro-ministro e ao Partido Socialista teve resultados catastróficos para o CDS”. “Aguardamos agora por uma alternativa e por alternativas políticas”, disse, sublinhando que o PS “dialoga com todos aqueles que queiram apresentar propostas para o país”.

[sc name=”assina” by=”ZAP” url=”” source=”Lusa”]
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  1. «…No PSD houve eleições há pouco tempo e haverá um congresso daqui a 15 dias para coroar essa eleição. O CDS fez hoje o seu congresso. Podemos dizer que aqueles que estiveram, no Governo, juntos no passado com essas responsabilidades fecharam um ciclo, em definitivo, e abriram outro. Ainda para mais com pessoas e dirigentes que não tiveram nada a ver nem com esse Governo, nem com outros passados, destes partido…» Pedro Coelho in ZAP aeiou

    A continuar assim, o sr. Rio terá muita dificuldade em cativar os cidadãos Portugueses em torno do Partido Social Democrata (PSD), e enquanto não expulsar de vez esta corja de idiotas úteis dos neoliberais e do clericalismo, que destruíram a economia do país e a sua estrutura laboral, não terá qualquer respaldo por parte do eleitorado.

    «…Os conceitos de catolicismo progressista e de democracia cristã são bastante equívocos para mim – e não aceito enquadrar-me em qualquer deles. Entendo que os partidos políticos – que considero absolutamente indispensáveis a uma vida política sã e normal – não carecem de ser confessionais, nem devem sê-lo. Daí que não me mostre nada favorável, nem inclinado, a filiar-me numa democracia cristã. É evidente que a palavra pode não implicar nenhum conceito confessional e nesse sentido apresentar-se apenas como um partido que adopte os valores cristãos. Simplesmente, em política, parece-me que os valores não têm que ter nenhum sentido confessional e, portanto, se amanhã me pudesse enquadrar em qualquer partido, estou convencido de que, dentro dos quadros da Europa Ocidental, comummente aceites, iria mais para um partido social-democrata…» – Francisco Sá Carneiro

  2. Acho bem que se aliem para se enterrarem de vez os dois, afinal há muito que não servem nem para oposição quanto mais para governo!
    Qualquer politico tem pouco para se aproveitar mas o psd e o cds não têm absolutamente nada que aproveite!

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