José Coelho / Lusa

A Sexplanet está presente na 10.ª edição do Eros Porto, que decorre na Exponor, em Matosinhos, até domingo.
A primeira produtora de filmes para adultos do Porto, nascida em maio de 2015, produziu sete fitas e já recuperou os 75 mil euros investidos no negócio, conta o empresário Ricardo Duarte.
A Sexplanet surgiu no Porto depois de uma “tentativa falhada de criar um portal ligado à indústria do sexo”, explica à Lusa o empresário Ricardo Duarte.
Com “pequenas produções feitas no passado, destinadas ao mercado estrangeiro”, no seu histórico, o responsável optou por fazer nascer a produtora “após uma pesquisa ao nível do ‘marketing’ e a presença em feiras do sexo”.
“Foi isso que nos abriu as portas, pois, em termos de logística tínhamos no Porto tudo o que precisávamos para arrancar”, diz Ricardo Duarte, explicando que a opção recaiu então pela produção de “filmes com enredo, à americana”. “São filmes num modelo que já não se fazia em Portugal, ou seja, filmes com cenas de sexo e não o contrário“, frisa.
Essas produções “juntam atrizes e atores estrangeiros com portugueses”, explica o presidente da produtora, que está “ainda numa fase de investimento” e para a qual o maior lucro são “as portas, a nível internacional, que começam a abrir-se”.
“Já exportámos os nossos filmes para os Estados Unidos, Polónia, Alemanha, Espanha, Inglaterra e Canadá. Conseguimos recuperar os 75 mil euros de investimento inicial”, revela.
Dos sete filmes já produzidos, três foram só com atores nacionais, sendo que “em média um filme custa entre 10 e 12 mil euros, um valor que no estrangeiro é o minimamente aceitável”, explica.
“O que fazemos, para Portugal, é profissional, mas para o mercado estrangeiro é considerado amador. É um estigma, pois podemos filmar com o melhor realizador, mas se na capa surgir que é português é considerado amador”, lamenta.
Num país ainda “muito marcado pelo conservadorismo”, os atores “recebem consoante as cenas que fazem”, refere o empresário. “Os atores são, na nossa opinião, muito bem pagos. Estamos a tentar pagar o mesmo que as melhores produtoras da Europa. É um esforço que vai valer a pena a longo prazo”, diz.
Questionado sobre se é possível em Portugal um ator sobreviver só a fazer filmes para adultos, o administrador esclarece que “um ator porno português só será bem-sucedido se gravar também no estrangeiro. Nesse caso, vai ganhar muito bem”.
“Recebemos candidaturas no nosso site todos os dias, na maioria de homens entre os 23 e os 40 anos, mas há muitos que não querem dar a cara e desistem“, revela.
Sendo a maioria dos atores com que a produtora trabalha “oriundos de Lisboa”, Ricardo Duarte aponta para fora das fronteiras nacionais para aumentar a implantação da empresa, investindo num tipo de filme que “vai ao encontro da vida real”.
Nessa lógica, os locais para filmar as cenas surgem quase ao acaso, “muitas vezes a partir da sugestão de amigos, e já aconteceram numa barbearia, numa oficina, num ginásio, num restaurante ou numa sex-shop”.
“Em estúdio apenas gravamos os castings“, diz, referindo que a sua produtora já lançou, desde 2015, “mais de dez atores portugueses”.
A Sexplanet está presente na 10.ª edição do Eros Porto – Salão Erótico do Porto, que decorre na Exponor, em Matosinhos, até este domingo.
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Eu gosto muito da produtora