Na semana que antecedeu a resolução do Banif, o banco perdeu 960 milhões de euros em depósitos no seguimento da notícia da TVI que anunciou que este se preparava para fechar.

Dados revelados pelo governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, durante audição na Comissão de Orçamento e Finanças em torno do caso do Banif.

Em declarações divulgadas pelo Correio da Manhã, Carlos Costa alegou perante os deputados que o Banif estava sem dinheiro e que o Banco de Portugal foi mesmo obrigado a “ceder liquidez” no dia 18 de Dezembro, isto é, cinco dias depois da notícia da TVI.

Imaginem o que seria o banco, sem liquidez, estar de portas abertas“, frisou Carlos Costa na Comissão, justificando a venda apressada ao Santander

por 150 milhões de euros.

O governador defende ainda que seria impossível esperar pelo dia 1 de Janeiro para vender o Banif sob pena de a situação se tornar muito pior.

Na mesma Comissão, o ministro das Finanças, Mário Centeno, revelou que o Banif recebeu quatro propostas para a compra do Banco, uma delas não vinculativa, a da Apollo que era a melhor oferta.

Mas não sendo vinculativa, por a Apollo não ter o estatuto de Banco, “não existe, e como com ‘ses’ não se vendem bancos, não foi possível um outro resultado que não aquele”, salientou Mário Centeno em declarações divulgadas pelo Diário Económico.

O ministro ainda constatou que o Banco “Popular propunha-se comprar apenas uma parte muito reduzida do Banif, pagava zero e reduzia 900 trabalhadores”.

Centeno ainda revelou que a 4 de Dezembro, o governador do Banco de Portugal informou o Executivo de que tinha sido obrigado a “assumir responsabilidades junto da Direcção Geral da Concorrência da Comissão Europeia por ausência do governo”.

É o mesmo que dizer que o impasse na tomada de posse do novo governo, depois das eleições legislativas, prejudicou o caso Banif.

ZAP