CEiiA / Facebook

Ventilador Atena

Embora o ventilador Atena tenha sido chumbado pelo grupo de peritos, o Infarmed concedeu uma “autorização excecional” para o seu uso em casos extremos.

O ventilador Atena, desenvolvido pelo CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento, em Matosinhos foi unanimemente chumbado na avaliação pelo grupo de peritos criado especificamente para avaliar ventiladores pulmonares no âmbito da covid-19. Mesmo assim, o Infarmed deu uma “autorização excecional” para o seu uso, escreve o Público.

O conselho diretivo do Infarmed teve como informação de apoio os pareceres técnicos e científicos dos peritos, mas apesar da recomendação negativa do grupo de trabalho por si criado, decidiu “aprová-lo” de qualquer forma.

Os especialistas consideraram que o ventilador Atena – Modelo V1 ainda precisava de ser melhorado, concluindo que não se encontrava em condições de ir para o mercado. Em causa estava a incapacidade de regulação exata e precisa da “pressão positiva no final da expiração” (ou PEEP) na via área.

De acordo com o Público, a “autorização excecional condicionada” do Infarmed tem tantas condicionantes que acaba quase por impossibilitar a aplicação do ventilador a algum doente.

Assim sendo, o ventilador só pode ser utilizado no tratamento de doentes adultos infetados pelo coronavírus SARS-CoV-2 no Serviço Nacional de Saúde (SNS). A condicionante mais importante acaba por ser que o ventilador só pode ser usado caso o paciente não necessite de “uma pressão constante durante todo o tempo respiratório e uma ventilação em pressão assistida”.

Ora, o problema é que se o doente não precisa, durante todo o tempo respiratório, nem de pressão constante nem de pressão assistida, significa que não precisa de um ventilador.

“As autorizações excecionais estão previstas na legislação para proteção da saúde e têm um período de tempo definido, e normalmente são emitidas sob condições específicas”, explicou o Infarmed ao diário.

“As condições determinadas no âmbito da autorização excecional condicionada do ventilador CEiiA tiveram por base a informação resultante do processo de avaliação, sendo que a sua utilização no SNS apenas pode acontecer quando não estiver disponível outro ventilador com marcação C.E. Esta autorização é uma forma de colmatar eventuais situações absolutamente excecionais de falta de ventiladores com marcação C.E”, acrescentou a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde.

Resumidamente, o ventilador Atena só pode ser usado em casos extremos de urgência, quando mais nenhum ventilador com marcação C.E estiver disponível.

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