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O ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, afastou-se após a vitória do Não para facilitar as negociações

O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, demitiu-se este domingo para facilitar as negociações com os credores internacionais. Depois do ‘Não’ ter vencido no referendo nacional, terá sido o primeiro-ministro Alexis Tsipras a pedir-lhe para o fazer.

“Pouco depois de serem anunciados os resultados do referendo, fui informado de uma certa preferência de alguns participantes do Eurogrupo, e de vários parceiros, pela minha ‘ausência’ nas reuniões. Uma ideia que o primeiro-ministro considerou ser potencialmente útil para que conseguisse chegar a um acordo”, disse Varoufakis, através do seu blogue.

“Por este motivo deixo o Ministério das Finanças hoje”, acrescentou Varoufakis.

O ‘não’ às propostas dos credores obteve 61,31% no referendo de domingo na Grécia, segundo números definitivos, divulgados pelo Ministério do Interior grego.

Com a totalidade dos votos contados, o ‘sim’ foi a escolha de 38,69% dos gregos enquanto 5,80% dos votos foram considerados brancos ou nulos.

Entretanto, ainda nesta segunda-feira deve ser anunciado o próximo ministro das Finanças da Grécia e tudo aponta para que o escolhido seja Euclid Tsakalotos, o actual coordenador das negociações com os credores.

A Agência Reuters anuncia que este será o homem escolhido por Alexis Tsipras para liderar as árduas conversações com vista a um acordo que permita à Grécia continuar na Zona Euro e garantir a sustentabilidade financeira futura.

O governo grego está reunido deste as oito horas da manhã em Portugal para definir a estratégia para os próximos dias.

Atenas está convencida de que as negociações sobre as reformas e as medidas orçamentais, debatidas com a UE e o Fundo Monetário Internacional nos últimos cinco meses, podem ser retomadas a partir desta segunda-feira.

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O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Grécia, Euclid Tsakalotos, deverá ser o novo ministro das Finanças da Grécia

Mas na Europa isso não é absolutamente claro e o presidente da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker vai reunir-se, ao longo desta segunda-feira, com os líderes dos restantes 18 membros da Zona Euro para discutir a situação.

A chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês François Hollande têm também encontro marcado, em Paris.

Ainda nesta segunda-feira vai decorrer ainda uma cimeira por teleconferência com a participação de Jean-Claude Juncker, do presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, do presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, e do presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi.

Para esta terça-feira está marcada uma cimeira dos chefes de Estado e de Governo da Zona Euro e também haverá uma reunião dos ministros das Finanças da Zona Euro.

Movimentações que se intensificam quando a situação financeira na Grécia é muito complicada, começando a faltar alimentos e medicamentos e com os Bancos a ficar sem dinheiro.

Berlim fecha a porta a novo programa grego

Já esta segunda-feira, Berlim considerou que as “condições para as negociações sobre um novo programa de ajuda” não estão reunidas, tendo em conta a “decisão de ontem (domingo) dos cidadãos gregos”.

O Governo alemão “tomou conhecimento do ‘Não’ claro expresso e respeita este resultado, o Governo federal continua pronto para o diálogo, mas tendo em conta a decisão dos cidadãos gregos, as condições para negociações sobre um novo programa de ajuda não estão reunidas”, declarou o porta-voz do executivo alemão, Steffen Seibert.Seibert.

Seibert assegurou num encontro com os meios de comunicação em Berlim que a “Grécia está na zona euro” e que “está nas mãos da Grécia e do Governo daquele país que esta situação possa continuar assim”.

Por outro lado, um porta-voz do Ministério das Finanças alemão precisou que cabe a partir de agora “à Grécia e ao seu governo” agir para permanecer no euro e descartou qualquer negociação sobre uma reestruturação da dívida do país.

Comentando a demissão do até agora ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, o porta-voz da chanceler alemã, Angela Merkel afirmou que o que conta são “as posições e não as pessoas”.

“Trata-se sempre de posições e não de pessoas”, declarou Seibert.

ZAP / Lusa