O Instituto de Virologia de Wuhan, na China, acusado pelos Estados Unidos de deixar escapar o vírus da covid-19, anunciou este domingo ter três tipos vivos de coronavírus de morcego, mas nenhum corresponde à covid-19.

No início deste mês, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, pediu uma “investigação” para aprofundar a teoria de o novo coronavírus ter sido transmitido aos humanos a partir de um animal, no mercado da cidade onde são vendidos animais selvagens vivos, a alguns quilómetros de distância das instalações do instituto.

Essas suspeitas são “pura fabricação”, disse a diretora do instituto chinês, Wang Yanyi, numa entrevista realizada em 13 de maio e transmitida sábado à noite pela televisão pública CGTN.

“O nosso instituto recebeu pela primeira vez a amostra clínica da pneumonia desconhecida a 30 de Dezembro do ano passado. Não tínhamos qualquer conhecimento antes disso, nem nunca tínhamos encontrado, pesquisado ou mantido o vírus”, disse.

A responsável do instituto adiantou que, tal “como o resto do mundo”, desconhecia que o vírus existia e questionou: “Então, como poderia [o vírus] ter escapado do nosso laboratório?”.

Wang Yangi admitiu que o instituto “isolou e obteve certos coronavírus de morcegos”, num total de “três tipos de vírus vivos”, mas cuja semelhança com a covid-19 “é de apenas 79,8%“.

Estas declarações surgem como resposta a Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, que acusou a China de não ter contido o vírus. “Acho que [o vírus] poderia ter sido contido com relativa facilidade. Acho que não conseguiram ou não o quiseram fazer. Digo que [o vírus] provavelmente fugiu de controlo”, disse Trump no final de abril.

Depois destas acusações, a China contra-atacou, dizendo que o vírus teve origem num laboratório militar nos Estados Unidos e que é isso que explica os números trágicos do país, com mais de 90 mil mortes.

As autoridades dos Estados Unidos não foram as únicas a acusar a China de deixar o vírus escapar do Instituto de Virologia de Wuhan. Em abril, o cientista laureado com o prémio Nobel da Medicina em 2008, Luc Montagnier, também defendeu que o novo coronavírus foi criado num laboratório em Wuhan, na China.

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