Peter Rae / EPA

Por solicitação do próprio Julian Assange, detido na quinta-feira na embaixada do Equador, em Londres, o WikiLeaks libertou o acesso a todos os documentos do seu arquivo de segurança que mantinha reservado para uma situação de emergência. Em causa estão milhares de dados secretos de governos e empresas de inúmeros países.

Os dados brutos mostram contratos, atas de reuniões e documentos. Contudo, grande parte do material já tinha sido divulgado pela organização. Ainda não se sabe se há entre os documentos conteúdos comprometedores para os Governos, como os já revelados no passado pelo WikiLeaks.

Entre os documentos agora disponíveis na Internet, constam informações sigilosas sobre o Governo dos Estados Unidos, o que provocou o pedido de extradição do fundador do WikiLeaks. No país, o ativista é acusado de conspiração e arrisca uma pena até cinco anos de prisão.

De acordo com o Jornal de Notícias, o arquivo contém igualmente mapas dos projetos de TGV em Portugal, um relatório da Polícia Judiciária sobre o caso do desaparecimento de Maddie McCann, diversos itens sobre as forças militares norte-americanas e os atentados de 11 de setembro. Timor-Leste é também um dos temas que se pode encontrar na lista com milhares de entradas.

Há ainda documentos que apontam que Steve Jobs, fundador da gigante norte-americana Apple, era seropositivo. Vários órgãos de comunicação internacionais, incluindo o CanalTech, contestaram os testes divulgados, alegando que são falsos.

“De acordo com analistas da Apple

, ambos os documentos já tinham vindo a público ainda quando [Steve] Jobs estava vivo, e surgiram do site CNN iReport (…) em meados 2006, como uma tentativa de assustar os investidores da Apple e baixar o valor das ações da empresa”, observa o portal.

Equador deteve pessoa ligada ao portal

Na sexta-feira, a ministra do Interior do Equador, Maria Paula Romo, informou que as autoridades do país detiveram uma pessoa ligada ao portal WikiLeaks.

Durante uma entrevista numa rádio local, Maria Paula Romo assumiu que a detenção “é para fins de investigação”, preferindo não entrar em mais detalhes. “Temos de ser muito cautelosos” com as investigações, afirmou, deixando claro que o seu Governo não vai “permitir que o Equador se torne num centro de pirataria continental”.

“Uma pessoa próxima à Wikileaks, que reside no Equador, foi detida esta tarde (quinta-feira), enquanto se preparava para viajar para o Japão”, revelou o Ministério do Interior na sua conta oficial no Twitter.

Com 47 anos, Julie Assange foi detido devido a um mandado de extradição norte-americano por “pirataria informática”, que será analisado numa audiência judicial em 2 de maio, e a um mandado emitido em junho de 2012 pela justiça britânica por não-comparência em tribunal, um crime passível de ser punido com um ano de prisão.

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