Maja Suslin / EPA
A ucraniana Jamala venceu a 61ª edição do Festival Eurovisão com a canção “1944”
A vitória da Ucrânia no Festival Eurovisão da Canção 2016 está a agudizar a tensão latente entre o país e a Rússia. Tudo porque os russos, que ficaram em terceiro lugar no concurso, consideram que a música ucraniana é uma provocação política.
Há quem chegue a realçar que está em causa uma espécie de “acto de guerra” contra a Rússia, com os média do país a destacarem que a canção ucraniana é “altamente provocante” e algumas autoridades a ameaçarem boicotar o próximo Festival da Eurovisão.
Tudo isto porque a música vencedora, uma balada intitulada “1944”, aborda a invasão da Crimeia e a limpeza étnica levada a cabo pela ditadura russa de Estaline.
Mas a associação com a anexação russa da Crimeia, em 2014, é inevitável. A própria cantora da música, Jamala, originária da etnia crimeia Tatar, foi obrigada a deixar aquela República Autónoma no seguimento da chegada dos russos.
Antes da final do concurso, a Rússia tinha tentado banir a música da Eurovisão, alegando que representava uma posição política contrária aos ideais do Festival. Mas na Suécia, na grande decisão do concurso, a música ucraniana bateu toda a concorrência, incluindo o russo Sergey Lazarev, que ficou em terceiro lugar e que era visto como um dos grandes favoritos à vitória.
“Não foi a cantora ucraniana Jamala e a sua canção “1944” que ganharam o Festival Eurovisão 2016, foi a política que derrotou a arte“, reagiu o vice-presidente do Comité do Conselho da Federação Russa para a Defesa e Segurança, Franz Klintsevich, em declarações a uma agência de notícias russa citadas pelo jornal inglês The Independent
.“Se nada mudar na Ucrânia no próximo ano, então penso que não devemos fazer parte”, disse ainda este dirigente, assumindo a intenção de boicote à próxima Eurovisão que se realizará em Kiev.
Pelo Twitter, vários russos queixam-se de que para a próxima Eurovisão, a Rússia deve ir de “tanque”, enquanto outros falam de um início da III Guerra Mundial. E também há quem atire que a Crimeia continua nas mãos da Rússia como factor de consolação.
Outros preferem salientar que as novas regras da votação do concurso, que combinam os votos de júri com os televotos dos espectadores, permitiram aos organizadores “arranjar” os resultados como lhes convinha.
Por fim, o líder do Comité de Negócios Estrangeiros do Parlamento russo, Alexey Pushkov, sugeriu no Twitter, na próxima Eurovisão, a Rússia deve cantar sobre os “mártires de Odessa”, referindo-se aos separatistas pró-russos que morreram nos conflitos com o governo ucraniano, em Maio de 2014.
SV, ZAP
Quem não deve não teme. Se a Russia nada fez não em que estar c/ estas coisas. Agora quando se fez e se quer esconder a todo custo ai sim. Mas da Russia podemos contar com este tipo de situações de fazer o que querem e nada sofrerem c/ os seus atos.