Situações como o confinamento agora imposto, o desemprego e a incerteza, estão a levar a um aumento da procura de apoio psicológico por parte de mulheres registadas como potenciais vítimas de violência doméstica, sobretudo através de mensagens escritas.

De acordo com os últimos dados da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, citados pela Rádio Renascença, este é o principal meio que as vítimas de violência doméstica encontraram para contactar as autoridades e fazer queixa.

“Desde que o serviço de SMS começou a funcionar, no dia 27 de março, temos já 44 pedidos, o que revela eficácia deste meio, uma vez que muitas pessoas estarão em situação de confinamento e sentir-se-ão mais seguras e confortáveis ao procurar informação e apoio através de mensagens escritas”, disse à Renascença a secretária de Estado da Igualdade e Cidadania (CIG), Rosa Monteiro.

A responsável referiu que, por agora, isso não significa um aumento do número de denúncias. “Estamos a monitorizar e não há registo de um aumento de casos, tanto reportados pelas forças de segurança como pelas linhas de atendimento e pelo novo serviço SMS da CIG”.

Um total de 95 contactos através destes meios diretos para a CIG foram registados desde o dia 19 e “as 39 chamadas para a linha de atendimento estão dentro do número padrão”, indiciou ainda, acrescentando que “noutros países só após o pico da epidemia é que se vieram a revelar situações de intensidade e violência”

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“O espaço doméstico é de grande risco para as pessoas mais vulneráveis – as crianças e as mulheres – mas, nesta altura, darão prioridade às questões de proteção da saúde”, disse.

E acrescentou: “As equipas no terreno têm detetado um aumento da procura de apoio psicológico por parte de mulheres que já estavam a ser acompanhadas. São pessoas com traumas e as situações de pânico, ansiedade, dúvida e medo agudizam este período”. Este tipo de apoio também tem sido solicitado “por mulheres que estão a ficar desempregadas”.

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