A diferença de géneros na era dos Vikings estava longe de ser tão marcada como a dos dias de hoje. Em casa, tanto mulheres como homens tinham tarefas equitativamente distribuídas.

A suposição de que na era dos Vikings havia um grande fosse de género entre homens e mulheres está longe de estar correta. De acordo com uma arqueologista norueguesa, homens e mulheres eram muitas vezes enterrados com os mesmos adereços, como por exemplo utensílios de cozinha.

“A chave é um bom exemplo. Muitas vezes, é considerada o símbolo de uma dona de casa. No entanto, quase tantos túmulos de homens tinham chaves como as sepulturas das mulheres”, explicou a arqueóloga Marianne Moen.

Ao contrário do que pensa, Moen conta que os homens tinham a mesma probabilidade do que as mulheres de serem enterrados com utensílios de cozinha, como pratos e copos. Aliás, das sepulturas encontradas pelo arqueóloga, havia mais de homens com este tipo de itens do que de mulheres.

“A minha interpretação é que os utensílios de cozinha sugerem hospitalidade. Isso foi muito importante durante os tempos Viking”, disse Moen, embora outros interpretem de forma diferente.

Alguns, como o arqueólogo Frans-Arne Stylegar, acreditam que só porque os homens eram enterrados com material de cozinha, não significava que seriam eles a cozinhar. “É difícil traduzir a pessoa idealizada nos costumes funerários em realidade histórica real. É quase uma questão filosófica”, explicou.

Por outro lado, Moen acredita que os objetos com os quais eram enterrados tinha uma maior relação com o que era a vida real naqueles tempos, como explica o Science Nordic. Stylegar deu o braço a torcer em alguns aspetos e, apesar de admitir que “já tinha essa impressão” que não havia grande diferença de género entre Vikings, assumiu que Moen “o mostra de uma maneira muito clara”.

Stylegar acredita ainda, de acordo com a sua experiência como arqueólogo, que os agricultores sentiam uma maior necessidade de demarcar o género nas sepulturas comparativamente a Vikings de uma superior estrato social.

A investigação de Moen mostra também que mais de 40% dos túmulos de homens continham jóias, como broches e contas. A arqueóloga quer mudar a forma como a sua área olha para os Vikings, apesar de reconhecer que mudar as perspetivas de outros arqueólogos não é tarefa fácil.

Dei de caras com um pouco de ceticismo. Existem muitos investigadores que estão muito determinados na sua opinião sobre género no que toca a papéis relacionados ao trabalho”, disse Moen.

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