Hugo Breda e João Relógio, ambos associados à produtora Swag On, publicaram na suas contas de Instagram um vídeo no qual denunciam o desperdício alimentar numa cadeia de supermercados em Lisboa.
O vídeo publicado nas redes sociais, e que já foi visto por mais de 1,2 milhões de pessoas, mostra vários alimentos embalados, como fruta, legumes e quilos de pão, que ambos dizem ter recolhido de um caixote do lixo de uma loja do Pingo Doce na capital.
De acordo com o DJ Hugo Breda e João Relógio, a validade dos alimentos encontrados expiravam no dia em que foram recolhidos, a três de agosto – data em que o vídeo foi publicado – mas estes encontram-se em bom estado de conservação.
“Estava tudo impecável, o prazo de validade terminava no dia de hoje [dia 3 de agosto] e a quantidade de comida desperdiçada alimenta várias famílias”, escreveu João Relógio na publicação de Instagram, dando conta que não recolheram tudo o que viram no caixote.
Na mesma rede social, João Relógio conta que foi desafiado por Hugo Breda a fazer uma incursão nos supermercados depois de uma outra pessoa ter relatado ter visto, ao sair de um supermercado, alguém a remexer no lixo do supermercado e a levar comida.
Inicialmente, foram testemunhar com os próprios olhos o que tinha sido relatado e, no local da loja, cuja morada não chegou a ser revelada, encontraram vários alimentos, segundo conta o Correio da Manhã. Mais tarde, voltaram a procurar a mesma situação noutros supermercados e foi aí que gravaram o vídeo.
“Fomos fazer uma ronda e percebemos que muitos sítios têm os seus caixotes de lixo trancados ou em garagens onde não é fácil de aceder (…) É literalmente assustador”, diz Hugo Breda no vídeo publicado, antes de mostrar os alimentos recolhidos. “Isto tudo que está aqui foi apanhado, foi desinfetado e está embalado e acaba o prazo hoje”.
Jerónimo Martins está a investigar
Confrontada pelo matutino, fonte oficial da Jerónimo Martins, grupo que detém o Pingo Doce, garantiu que a situação “constitui um incumprimento das regras estabelecidas na Companhia” e que já a ser averiguada internamente. “O combate ao desperdício alimentar é, para o Pingo Doce, uma missão e um compromisso sério”, garantem.
“Quando os alimentos estão aptos para serem consumidos, mas não para venda” são doados a “instituições que apoiam pessoas em situação de vulnerabilidade nas comunidades próximas das lojas”, afirmam, em comunicado.
A polémica terá apanhado a empresa “completamente de surpresa“.
Ao Observador, a investigadora Iva Pires, autora de um ensaio da Fundação Francisco Manuel dos Santos sobre desperdício alimentar, alertou para a complexidade do processo de doação de alimentos e pediu uma legislação mais flexível.
“Hoje em dia é mais fácil deitar comida para o lixo do que doá-la“.
[sc name=”assina” by=”ZAP” ]
...não vejo qual a surpresa, e a explicação está precisamente no ultimo parágrafo.
A complexidade e responsabilidade inerente à doação de produtos alimentares em fim de validade é tão grande que a destruição acaba por ser a solução mais viável.
Isto faz-me lembrar o que se passa com a legislação sobre alguns resíduos gasosos altamente perigosos (assunto que estou bem mais informado) o custo para a destruição legal OBRIGATÓRIA dos mesmos é absurdamente caro (pode ultrapassar o custo de novo), já a libertação "acidental" para a atmosfera não tem qualquer consequência legal por ser indetectável, ora adivinhem então o que se passa na realidade.