A presidente da Comissão Europeia está a enfrentar a desconfiança de alguns dos funcionários que trabalham em Bruxelas. Alguns consideram que a organização está desorganizada desde que Ursula von der Leyen assumiu o cargo.
De acordo com a agência Bloomberg, alguns dos funcionários que trabalham diretamente com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, começam a questionar se a alemã tem o que é preciso para estar à frente do cargo.
Funcionários “veteranos” ouvidos pela agência norte-americana falam de alguma desordem na organização desde que von der Leyen assumiu o lugar, a 1 de dezembro de 2019. Um deles comparou o caos atual com a situação de 1999, quando um escândalo de corrupção obrigou Jacques Santer a renunciar.
Von der Leyen é apenas a segunda pessoa em 35 anos a tornar-se presidente da Comissão Europeia sem nunca ter servido como primeira-ministra de um país e, também por isso, não tem uma base de poder em Bruxelas, nem uma extensa rede de contactos entre os governantes dos Estados-membros, escreve a Bloomberg.
Além disso, a alemã deposita muita confiança nos conselheiros que trouxe de Berlim, mas, segundo os funcionários ouvidos pela agência noticiosa, estes não têm o respeito que Martin Selmayr, chefe de gabinete do ex-presidente Jean-Claude Juncker, tinha.
Por outro lado, também há quem pense que a ex-ministra da Defesa alemã será uma boa presidente e que apenas está a ter mais dificuldades porque foi confrontada pela pandemia de covid-19,
que veio abalar a Europa e o mundo.Fontes ouvidas pela agência noticiosa lembram que Ursula von der Leyen tinha como prioridade do seu mandato a criação de um novo Pacto Ecológico, mas que tudo se alterou com a pandemia. Também há quem defenda que a governante está a ser atacada pelo facto de ser mulher.
Este domingo, a Comissão Europeia ameaçou avançar com um processo de infração contra a Alemanha pelo acórdão do Tribunal Constitucional alemão relativo à política do Banco Central Europeu (BCE).
A reação surgiu depois de o Tribunal Constitucional alemão ter exigido ao BCE que, no prazo de três meses, justifique a conformidade do seu mandato para as vastas compras de dívida.
”Von der Leyen perdeu muitas batalhas até agora no seu breve mandato. Se voltar a perder quando tentar defender o Banco Central Europeu contra o Tribunal Constitucional alemão, isso criará outra fissura grave no edifício da unidade da UE”, conclui a Bloomberg.
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Está a acontecer com Ursula o mesmo que se passa com Centeno. Os dois estão determinados a resolver a crise que lhes caiu em cima e, como é evidente, as fórmulas que eles desenham não agradam a todos os líderes dos diferentes países. Parece-me, que talvez por ser mulher, há nesta dirigente muita sensibilidade e interesse em encontrar soluções, mas esse facto também a torna mais vulnerável a críticas. Vamos esperar que ela mostre, mais uma vez, tal como aconteceu com a covid 19, nos países governados por mulheres, que os homens têm que sair dos pedestais e dar lugar à competência feminina.