Maurizio Degl'Innocenti / EPA

Este vai ser um Verão escaldante em Portugal. A previsão é de especialistas meteorológicos e aponta que a partir de Junho a temperatura vai começar a subir até atingir valores históricos. Os portugueses devem preparar-se para ondas de calor, temperaturas de 43 graus e risco elevado de incêndio.

As previsões são avançadas pelo site de meteorologia AccuWeather que alerta que “ondas de calor de longa duração” vão afectar a Europa, desde Portugal a Espanha, até à Polónia e à Hungria.

O calor deverá começar já no próximo mês de Junho na Península Ibérica, com as “localidades mais quentes” a atingirem temperaturas máximas que podem ultrapassar os 43 graus por vários dias consecutivos.

“O calor será mais persistente do que durante o último Verão, onde temperaturas recorde foram registadas em zonas de Portugal, Bélgica, Holanda, Alemanha e Escandinávia, mas, em geral, demoraram por apenas uma semana”, salientam os especialistas do AccuWeather.

IPMA diz que é “cedo para saber”

Todavia, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) considera que estas previsões são precipitadas. “É muito cedo para saber”, constata a responsável pela comunicação do organismo, Vânia Lopes, em declarações ao Jornal de Notícias (JN).

Não há dados científicos neste momento que possam prever temperaturas acima dos 40 graus, para dias seguidos durante o Verão”, destaca Vânia Lopes, realçando que o IPMA faz sobretudo previsões para 10 dias e que, mesmo nestes casos, é sempre necessário fazer “ajustes”.

Mas para as próximas três semanas o IPMA prevê, de facto, um aumento das temperaturas “acima da média (dos últimos 30 anos) entre um e três graus”, como cita o JN. No arranque de Junho essa subida pode ultrapassar em seis graus a temperatura habitual, de acordo com o diário.

Um cenário que vai ao encontro dos dados do AccuWeather que alerta ainda que “noites inesperadamente mais quentes” também serão uma preocupação durante estas ondas de calor, criando “condições perigosas” para as “casas sem ar condicionado”.

A situação vai exigir cuidados acrescidos para prevenir problemas de saúde. As recomendações incluem “beber bastante água, passar tempo à sombra e usar roupa leve”, bem como evitar “actividades extenuantes no exterior”

durante os períodos mais quentes do dia.

Outro problema que se pode esperar é a “fraca qualidade do ar, especialmente dentro e perto das cidades”, uma situação que pode ser agravada pelo fumo dos incêndios, como avisa o AccuWeather.

“Alto risco” de incêndios no norte de Portugal

As “ondas de calor intensas e longos períodos de tempo seco” durante o Verão são condições para um “alto risco” de incêndios, especialmente nas áreas “do norte de Portugal para o norte de Espanha”, mas também nos Alpes da Alemanha e na República Checa, como destaca o AccuWeather.

Os meteorologistas apontam o facto de uma Primavera e um Inverno chuvosos terem contribuído para o aparecimento de “mais vegetação do que em anos anteriores” como um dos factores do risco de incêndio agravado. Esse risco será especialmente maior durante a segunda metade do Verão.

Adivinha-se também que o risco se mantenha até ao Outuno, dada a persistência do tempo quente e com a continuidade da vegetação seca.

“A seca será uma preocupação crescente em todas estas áreas, desde o final do Verão até ao Outono, pressionando a agricultura e o fornecimento de água pelo segundo ano consecutivo em muitos locais”, destaca o meteorologista do AccuWeather, Tyler Roys.

Por outro lado, na Península dos Balcãs o grande problema serão as “tempestades severas”. Países como Grécia, Sérvia, Roménia e Bulgária terão que enfrentar “tempestades violentas” que podem provocar prejuízos avultados e até originar tornados, avisa o site de meteorologia.

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