André Ventura acredita que vai conseguir forçar a segunda volta nas próximas eleições presidenciais, garantindo que vai ser “a segunda volta mais espetacular da nossa democracia”.

O presidente do Chega e candidato à presidência da República, André Ventura, acredita que pode forçar Marcelo Rebelo de Sousa à primeira segunda volta de um presidente em busca da reeleição. “Vamos ter a segunda volta mais espetacular da nossa democracia”, disse o deputado em entrevista ao Jornal Económico.

Questionado se uma eventual falha do Estado na resposta ao coronavírus pode potenciar o crescimento do Chega, André Ventura considerou que não é essa situação que vai “levar diretamente a que mais pessoas digam que o Chega faz falta”. Pelo contrário, a corrupção, a impunidade e o abandono do Estado a algumas regiões pode ter esse efeito.

Ventura afastou um futuro cenário de maioria absoluta e definiu algumas linhas vermelhas do partido.

“Uma tem a ver com a reforma da justiça. As penas de prisão são ridículas e precisamos de as rever urgentemente, indo até à prisão perpétua em casos graves de pedofilia, terrorismo e homicídio. Reformar o sistema político também é fundamental”, disse, referindo-se ao projeto do partido para diminuição do número mínimo de deputados, dos atuais 180 para 100 eleitos.

A nível fiscal, o deputado do Chega defende uma taxa de IRS única, que deve ser fixada nos 15%.

Confrontado com o facto de ser comentador desportivo, o político de ultradireita defende que a presença pública televisiva “não é incompatível” com ser líder partidário. Além disso, garante que se for eleito presidente vai parar de o fazer, “com pena”.

Já se percebeu que não vai haver direita sem o Chega nos próximos anos. E, na minha opinião, quem achar que pode governar à direita sem o Chega engana-se”, atirou Ventura, ambicionando que o seu partido vai ser o futuro da direita.

Em relação à nomeação de Francisco Rodrigues dos Santos para a liderança do CDS, Ventura considera que esta foi uma tentativa de “copiar a liderança do Chega, pela forma, pela juventude”. O líder do Chega considera que “vai funcionar mal” caso Francisco Rodrigues dos Santos tente ser um “André Ventura 2”.

No que toca às acusações de ser racista e fascista, Ventura diz que são duas coisas que lhe custam ouvir. “Não sou racista e a acusação de fascismo é de quem tem uma certa ignorância”, explicou, justificando que se farta de votar ao lado do PCP e do Bloco. Todavia, admite que tem eleitores racistas e fascistas.

“Para mim um cigano é igual a um branco caucasiano, um negro ou um chinês, mas quando há problemas têm de ser identificados”, disse ainda.

Com as eleições presidenciais à vista, o deputado diz que Marcelo perdeu o seu voto quando no caso do bairro da Jamaica “ele se pôs do lado dos bandidos e não dos polícias”.

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