O deputado André Ventura está no centro de todas as críticas depois de ter sugerido a deportação da deputada do Livre Joacine Katar Moreira. Uma saudação nazi durante um comício do Chega também está a apontar todos os dedos a Ventura, com os partidos unânimes a condenarem o deputado.
A líder parlamentar do PS já anunciou que o partido vai propor na Assembleia da República uma condenação formal de André Ventura por “xenofobia”.
“O PS condena veementemente as afirmações proferidas contra um deputado, que são xenófobas. O convite feito a qualquer cidadão para sair e voltar ao seu país de origem é inadmissível numa sociedade democrática e é inadmissível em Portugal. Isto, para o PS, não passará sem uma condenação formal no espaço próprio, que é o Parlamento”, refere Ana Catarina Mendes.
O Bloco de Esquerda, pela voz do deputado Pedro Filipe Soares, também anunciou que vai pedir “uma frontal condenação” de Ventura ao Presidente da Assembleia da República (AR) e a todos os parlamentares.
“De acordo com o que nós ouvimos nas opiniões públicas, os vários partidos, da direita até à esquerda, têm condenado estas declarações de André Ventura. Eu espero que essa condenação vá até à conferência de líderes e ali, num espaço em que estão todos representados, em que está o senhor presidente da AR também representado, possa existir uma condenação que, por um lado, demonstre uma posição veemente para que isto não se repita no futuro e, por outro lado, coloque um ponto final nesta situação”, destaca Pedro Filipe Soares numa publicação no Facebook.
“As palavras de André Ventura demonstram um aspecto racista que tem que ser combatido e até xenófobo”, acrescenta o deputado bloquista, notando que foi uma “tentativa de silenciamento, num acto de clara expressão racista”.
À direita surge o mesmo tom crítico relativamente a Ventura, com o deputado do PSD Miguel Poiares Maduro a entender que a declaração de Ventura é “inaceitável” num deputado. “E não me venham com as asneiras que diz e faz a Joacine”, atira numa publicação nas redes sociais.
Do lado do CDS, Francisco Mendes da Silva constata que a “direita democrática deve ter a coragem moral de estabelecer um cordão sanitário que a separe irremediavelmente deste cavalheiro” e “custe o que custar”.
Em nome do Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo refere que Ventura “usa o racismo como isco para agradar às franjas eleitorais“.
Também a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, veio a terreiro condenar o “discurso xenófobo” de Ventura durante um discurso na Conferência 2020 Interseccional “Encarceramento e Sociedade” em Coimbra.
Ventura mantém ” exactamente aquilo que disse”
Em declarações à TSF, Ventura já veio reafirmar tudo o que disse sobre Joacine Katar Moreira, alegando que um deputado português não pode “defender interesses estrangeiros”.
“Quem não gosta de Portugal, quem não quer amar esta história e não quer amar este país então não pode ser, na minha opinião, representante político dos portugueses”, sublinha, acusando o Livre de querer “insinuar” que “toda a História de Portugal é de um colonialismo irresponsável, de um racismo intolerável e de um imperialismo insustentável”. “Nós não aceitamos isso. A história é o que é, tivemos os nossos méritos e os nossos defeitos”, aponta.
“A linguagem foi, obviamente irónica. Não me referia a nenhuma deportação física, como é evidente”, acrescenta ainda, mas reafirmando a sua declaração. “Mantenho exactamente aquilo que disse”, vinca.
Líder do Chega promete processo disciplinar por saudação nazi
Enquanto fazem eco estas críticas surgem também outros reparos ao deputado pelo vídeo que foi divulgado nas redes sociais e que mostra um apoiante do Chega a fazer a saudação nazi durante a entoação do Hino Nacional, num comício do partido no Porto, neste fim-de-semana que passou.
Ventura já veio a público repudiar o gesto e garantir que o homem vai ser “imediatamente” alvo de um processo disciplinar caso seja militante do Chega. “Perturba-me profundamente este tipo de comportamento”, refere o deputado ao Jornal de Notícias (JN).
Assumindo que ser apercebeu do gesto no momento em que o homem o fez, sem esboçar qualquer sinal visível na altura, Ventura refere que não soube o que fazer. “Foi uma situação incómoda”, afirma.
“Não fazia ideia quem era esta pessoa e continuo sem saber. Não é ninguém da organização do jantar nem nenhum militante conhecido”, garante, frisando que “se as autoridades competentes solicitarem ao Chega a identificação do indivíduo, obviamente que serão dados todos os elementos disponíveis“.
Entretanto, como resultado da passagem de Ventura pelo Porto, no fim-de-semana passado, o artista Filipe Sambado resolveu cancelar o concerto que tinha agendado para o Hard Club pelo facto de o espaço ter recebido um encontro de militantes do Chega.
“O Filipe, a sua banda e a Maternidade [agência que representa o artista] não se podem mostrar coniventes com um espaço que se permite compactuar com um encontro de ideologia de extrema direita, contando com membros que manifestam uma agenda e um programa racista, xenófobo, homofóbico, transfóbico, misógino e tantos outros adjectivos depreciativos de opressão e intolerância, contra os quais nos posicionamos, expressamos e lutamos”, afirma o artista e seus representantes em comunicado divulgado pelo Blitz.
O concerto agendado para 14 de Fevereiro passa, assim, para o Maus Hábitos, também no Porto.
Nao vejo necessariamente como racista ou xenofobo este comentário do sr.Ventura pois mesmo que a senhora fosse branca e portuguesa mas estivesse a defender os interesses de outro país ,poderia ser-lhe dito na mesma para ir trabalhar entao para esse mesmo país. Afinal,para que pagamos a uma deputada que nos quer prejudicar e defende outras nações ?? Ainda mais essa senhora que ,ao que parece, já disse tantos disparates...nem sei como é possível ter sido elegida e manter-se na função...para lhe dar " tacho " Portugal já lhe serve !