André Ventura vai de vento em popa, com o Chega a subir de forma significativa nas intenções de voto, de acordo com as últimas sondagens. Uma “ascensão” tão imediata que o leva a ser destaque no jornal espanhol El País que lembra que o crescimento de Ventura na vida política nacional “abre caminho para a ultra-direita no Parlamento de Portugal”.
O El País destaca que em apenas um mês no Parlamento, André Ventura conseguiu “quadriplicar” as intenções de voto no seu partido, o Chega, que foi fundado há apenas seis meses. Falando do político de 36 anos como “o ultra-direitista português”, o jornal lembra que ele já foi repreendido várias vezes pelo Presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, por usar a palavra “vergonha” com “demasiada frequência”.
Aliás, nesta segunda-feira, em jeito de resposta a Ferro Rodrigues, o Chega colocou um cartaz em frente ao Parlamento com a palavra “Vergonha”, alegando que é isso que os portugueses “sentem cada vez mais” relativamente ao que se passa na Assembleia da República e no “sistema político português”.
“O povo está farto dos políticos de sempre, todos iguais”, destaca Ventura citado pelo El País. “Nós somos diferentes e e é isso que nos faz crescer. Somos um partido de gente comum, não de elites, de gente que sofre com o actual sistema”, aponta ainda, em jeito de justificação para as sondagens que dão ao Chega 5% das intenções de voto, depois de nas legislativas de Outubro, ter tido uma votação de 1,3%.
A “ascensão” de Ventura “abre caminho para a ultra-direita no Parlamento de Portugal”, analisa o jornal espanhol, realçando que o Chega mantém “boas relações” com o Vox espanhol. “A etiqueta [de ultra de direita] agrada-me, mas não me preocupa. O que somos é um partido anti-sistema“, garante o deputado do Chega, lembrando que em dois meses no Parlamento, já votou “com a direita e com o Partido Comunista” e prometendo apoiar “o Orçamento do Governo socialista se incluir o suplemento de perigosidade para a polícia e o suplemento de alojamento para os professores”.
“Fala curto, claro e poucas vezes duvida”, refere o El País sobre Ventura, reforçando que “estudou no seminário, foi professor de Direito”, mas que “é, acima de tudo, comentador desportivo na televisão sensacionalista CMTV, onde não falta aos seus compromissos, mesmo que para isso tenha que abandonar o Parlamento e deixar o primeiro-ministro, António Costa, com a palavra na boca”.
O jornal também lembra que Ventura esteve ligado ao PSD de “centro-direita” e recorda o seu discurso contra a etnia cigana, frisando que já apresentou iniciativas para exigir a prisão perpétua, a castração química de pedófilos reincidentes e a redução dos deputados no Parlamento, além de notar que pretende “acabar com a Constituição do 25 de Abril de 1976”.
A publicação ainda atesta que Ventura “conseguiu escandalizar políticos e meios de comunicação por se juntar a uma manifestação de polícias“, algo que o deputado defende como a atitude “lógica” a tomar, uma vez que está “a favor das suas reivindicações”. “Uma vez mais, é a reacção do sistema. Se a esquerda se junta a manifestações de estivadores ou de professores é natural, se o Chega o faz é um golpe de Estado”, diz Ventura, lamentando que são “dois critérios diferentes para medir situações similares”.
“É uma questão de tempo, em quatro anos haverá um presidente do Chega, em oito seremos o primeiro partido do país”, atira ainda Ventura, com a confiança do sucesso que está a ter e com a certeza de que “as pessoas estão fartas de políticos que prometem muito e não fazem nada”.
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é agora que o fifica vai para os distritais!