Jean-Christophe Bott / EPA

Numa altura em que o número de infetados e mortos volta a subir em Portugal, o CM adianta que o SNS tem na sua posse 253 ventiladores que ainda não foram distribuídos pelos hospitais por falta de inspeção. Ainda assim, o número de ventiladores é superior ao de camas situadas em UCI. Falta de médicos também é preocupação.

253 ventiladores, comprados à China, que ainda não foram distribuídos pelos hospitais porque aguardam inspeção. Quem o confirmou foi o próprio Ministério da Saúde, que revelou ao CM que os aparelhos estão “em processo de verificação e testagem” por parte da Comissão de Acompanhamento de Medicina Intensiva. Os restantes 713 já foram atribuídos a unidades de saúde.

Os testes pelos quais os novos ventiladores estão a passar são fulcrais para determinar se os aparelhos estão em condições de ser utilizados. Cada um destes equipamentos custou cerca de 18 mil euros, mas o investimento geral em ventiladores chineses ultrapassou os 17,5 milhões, diz o CM.

Contudo, estes tipo de testes também foram realizados em julho em outros ventiladores que chegaram a Portugal, sendo que alguns acabaram por ser chumbados e não poderem avançar para os hospitais. Na altura, e até agora, o Governo não revelou quantos destes aparelhos ficaram por usar.

De acordo com o CM, o número atual de ventiladores nos hospitais é bastante superior ao de camas nas Unidades de Cuidados Intensivos do SNS. Atualmente, existem 1855 ventiladores, a contrastar com as apenas 569 camas de intensivos.

Para além do desequilíbrio entre o número de ventiladores e o número de camas nos hospitais, há ainda falta de profissionais de saúde. “O verdadeiro ventilador do SNS são os profissionais especializados. De pouco vale ter o equipamento se não existir ninguém para o manobrar”, defende o bastonário da OM, Miguel Guimarães.

Neste momento, as UCI públicas contam com 405 médicos. Segundo o que noticia o CM, deste total, apenas 305 são formados em Medicina Intensiva. “É necessário reforçar as UCI porque lá é que os médicos são precisos, para evitar que os hospitais estejam sob pressão com o aumento dos internamentos”, alerta Miguel Guimarães.

Em resposta o CM, o Governo garantiu estar a fazer face “aos desafios da pandemia” através do investimento de 22 milhões de euros para contratar profissionais. Porém, nas contas da Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos faltam 350 enfermeiros com especialidade médico-cirúrgica.

Em junho, o Governo prometeu que até ao próximo ano, o SNS vai ser reforçado com 914 camas de Cuidados Intensivos e 919 profissionais (95 médicos, 626 enfermeiros e 198 assistentes).

Esta segunda-feira arranca a construção de uma nova Unidade de Cuidados Intensivos no hospital Amadora-Sintra, para reforçar a resposta no contexto da pandemia covid-19. O investimento, de quase 802 mil euros, representa um aumento de 15 camas.

No contexto de pandemia, também outros hospitais se apressam em dar respostas. Várias unidades hospitalares já voltaram a reativar os hospitais de campanha, como é o caso do hospital de São João, no Porto.

O primeiro-ministro, António Costa, avançou ainda que o hospital das Forças Armadas já foi reativado e está a ser preparado outro hospital de campanha, em frente ao Santa Maria, em Lisboa.

O objetivo é aumentar a capacidade de resposta para os próximos meses que se avizinham difíceis.

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