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Pablo Iglesias, líder do Podemos

O Governo venezuelano de Hugo Chávez pagou mais de sete milhões de euros à fundação que daria origem ao Podemos, partido de Pablo Iglesias, com o objetivo de “propiciar mudanças políticas em Espanha mais alinhadas com o regime bolivariano”.

O jornal ABC teve acesso a um documento assinado pelo ministro das Finanças venezuelano da altura, Rafael Isea, e pelo próprio Hugo Chávez, que mostra que a fundação ligada aos fundadores do Podemos terá recebido mais de sete milhões de euros, entre 2003 e 2011.

As alegações surgem na semana em que, pela primeira vez desde as eleições, PSOE, Podemos e Ciudadanos vão encontrar-se para tentar formar uma maioria no parlamento. Os partidos deverão encontrar-se na quinta-feira, para tentarem estabelecer condições para a criação de um governo que possa ser aceite por uma maioria de deputados e evitar, assim, a repetição das eleições de dezembro.

O diário espanhol apresenta o documento como “a prova definitiva em como o partido Podemos nasceu como uma extensão do Chavismo em Espanha”.

Na Fundação CEPS – Centro de Estudos Políticos e Sociais trabalharam não só o líder do Podemos, Pablo Iglesias, e o seu número dois, Íñigo Errejón, mas outras figuras centrais do partido como a deputada Carolina Bescansa e o antigo ideólogo e número três da formação, Juan Carlos Monedero.

A Fundação CEPS recebeu 7.168.090 euros entre 2003 e 2011 por trabalhos de consultoria ao Governo de Hugo Chávez para “promover os conceitos de emancipação popular, consciência anticapitalista e controlo social”.

No entanto, no parágrafo 63 do relatório, o ministro explicita que os montantes pagos à fundação que foi o berço do Podemos visam pagar não apenas estas assessorias políticas, mas também unir em Espanha “forças e movimentos sociais” que levassem a mudanças políticas “mais favoráveis” ao regime venezuelano.

“Adicionalmente, segundo o acordado no conselho de ministros, o apoio económico que significará para a Fundação CEPS esta contratação permitirá estreitar laços e compromissos com reconhecidos representantes das escolas de pensamento de esquerda, fundamentalmente anticapitalistas, que em Espanha podem criar consensos de forças políticas e movimentos sociais, propiciando nesse país mudanças políticas ainda mais alinhadas com o Governo bolivariano”, indica o relatório.

O documento especifica que a Fundação CEPS recebeu 2.687.390 euros entre 2003 e 2007. O relatório, datado de 28 de maio de 2008, serve também para pedir a Chávez verbas adicionais para a CEPS: 1.650.700 euros para 2008 e outros 2.830.000 euros para o período entre 2009 e 2011.

No entanto, apesar de já se saber que os fundadores do Podemos prestaram serviços de consultoria a Chávez e ao seu Governo, estes mais de sete milhões de euros são um valor muito superior ao que a própria CEPS admite

ter cobrado ao regime da Venezuela, cerca de 3,7 milhões de euros.

ABC

Extrato do documento assinado por Hugo Chávez onde pedia a criação de um partido que criasse consensos de forças políticas e movimentos sociais de esquerda em Espanha

O documento hoje mostrado pelo ABC está já na posse da Unidade de Delinquência Económica e Fiscal (UDEF) da Polícia Nacional espanhola, que já estava anteriormente a investigar o alegado financiamento ilegal do Podemos.

A Fundação CEPS terá trabalhado para o regime chavista até 2012, quando Pablo Iglesias já estava em processo de formação do Podemos, registado oficialmente como partido em janeiro de 2014.

Os dirigentes do Podemos sempre negaram a existência de financiamento ilegal do seu partido, instando a que as autoridades investiguem a fundo as suas contas. Pela lei espanhola, é ilegal um partido político ser financiado por um regime externo.

Podemos nega que a sua formação tenha sido financiada pela Venezuela

O número dois do Podemos, Íñigo Errejón, negou que a constituição do seu partido tenha sido financiada pelo regime venezuelano através de uma fundação.

“É radicalmente falso”, realçou o “número dois” de Pablo Iglesias e líder parlamentar do partido no Congresso dos Deputados.

Questionado sobre se está em condições de afirmar que essas verbas pagas ao CEPS não chegaram ao Podemos em Espanha, Íñigo Errejón explicou que quem disser o contrário terá que apresentar provas disso junto do Supremo Tribunal.

Errejón salientou que o Supremo dirá o mesmo que já disse nas duas ocasiões em que se pronunciou nesse sentido: nada há de ilegal no financiamento do Podemos.

Em janeiro e maio de 2015 o tribunal arquivou queixas apresentadas contra o Podemos por financiamento ilegal.

Em fevereiro último, a procuradoria do Supremo nem sequer aceitou uma queixa de alegado financiamento do regime iraniano, já que um canal de televisão afiliado ao regime de Teerão efetuou vários pagamentos a Pablo Iglesias por comentários políticos.

ZAP