António Cotrim / Lusa
O furacão que está a afundar a bolsa chinesa está a fazer-se sentir nas negociações para a venda do Novo Banco ao chineses da Anbang.
O Expresso adianta que as negociações estão nesta altura num impasse, descrevendo que a Anbang, que tem ações de empresas chinesas, está a ter prejuízos e tem-se mostrado indisponível para melhorar as condições.
Em causa está o preço – e a dimensão do prejuízo a assumir pelo Banco de Portugal no processo. Tal como se encontra a proposta neste momento, os prejuízos poderiam chegar aos dois mil milhões de euros para o Fundo de Resolução.
O Diário Económico cita “fontes conhecedoras do processo” que afirmam que o grupo segurador chinês está a endurecer a sua posição negocial, acentuando-se o braço-de-ferro em torno da capitalização do Novo Banco, apontado neste momento como “o maior problema”.
O Banco de Portugal exige um reforço de capital para acautelar contingências e os resultados dos testes de stress europeus, mas o grupo segurador chinês exige um maior nível de conforto, com menores reforços na capitalização além da inicialmente prevista pelo comprador – na ordem dos mil milhões de euros.
A Anbang foi o comprador eleito pelo Banco de Portugal para dar seguimento às negociações, que têm que estar concluídas até segunda-feira, 31 de agosto. Caso a venda não se concretize, caberá ao Fundo de Resolução a recapitalização do banco, que provavelmente será suportado pelo Estado.
ZAP
Está mais que visto que será o Estado português a ter que desembolsar o montante da recapitalização. Não há qualquer margem para dúvidas. O CEO do Anbang já afirmou que a aquisição do Novo Banco em Portugal deixou de ser uma prioridade e que se encontra neste momento mais interessada em reforçar posições já contratualizadas com algumas empresas chinesas que se encontram em situação de risco inerente. Assim, esqueçam a compra do Novo Banco por capitais chineses. Mais um agravar da crise portuguesa se fará notar no quarto trimestre deste ano bem como no novo ano. Saudações.