O ex-ministro das Finanças grego afirmou esta terça-feira que os portugueses não vão ser capazes de ultrapassar a austeridade imposta por Bruxelas.
Em declarações à agência Lusa, o ex-ministro grego Yanis Varoufakis considera que o Governo de António Costa tem muito “boa vontade” mas que isso não será suficiente para ultrapassar as imposições de Bruxelas.
“Não, os portugueses não serão capazes de ultrapassar a austeridade e não se trata de uma questão de boa vontade do Governo. Para poder governar, o Executivo teve de aceitar as regras da Europa e isso significa austeridade”, afirmou hoje em Berlim.
O antigo ministro das Finanças deu como principal exemplo o caso que viveu mais de perto, ou seja, o Governo grego que, apesar de ter lutado “cinco ou seis meses contra a austeridade acabou por cair”.
No dia em que o ex-governante grego lança o seu novo movimento de esquerda pan-europeu – “Democracy in Europe Movement 2025 – DiEM25” -, Varoufakis acredita que anos de de políticas económicas autoritárias “só podem ser mudados ao nível da Europa”.
O grego vê no seu novo movimento um partido para “fazer regressar a democracia” a um continente “dominado por burocratas e banqueiros não eleitos”.
A eurodeputada Marisa Matias também participou no debate com o ex-ministro grego, durante o qual aproveitou para apontar o dedo a Bruxelas.
A ex-candidata presidencial diz que Bruxelas terá de respeitar a vontade democrática dos portugueses, até porque “o povo português não é menos do que o inglês”.
“Se cada vez que a Inglaterra ameaça com a saída da UE, se encontram soluções em temas tão centrais como circulação de pessoas que são no fundo os valores europeus”, as instituições europeias devem ter o mesmo tipo de comportamento com os outros Estados-membros, acusa a eurodeputada.
Em declarações à Lusa, Marisa Matias acredita que, apesar das limitações, o Orçamento de Estado para 2016 “é um compromisso” alcançado entre a esquerda “que vai ganhando terreno e espaço de confrontação com as próprias instituições europeias”.
A bloquista sublinha que “a negociação foi um conjunto de vitórias” e que “este orçamento é o começo de um caminho contra o empobrecimento que Portugal esteve sujeito” nos últimos anos.
ZAP
Já só faltava um Varoufakis para dar mais brilho a festa