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Edificio Faculdade de Economia da Universidade do Porto

A Faculdade de Economia da Universidade do Porto está a investigar um dos seus professores, Pedro Cosme Vieira, que tem sido assunto nas redes sociais, nos últimos dias, por causa do seu discurso assumidamente racista. A Procuradoria-Geral da República também pondera abrir um inquérito.

Pedro Cosme Vieira, que é docente da Faculdade de Economia do Porto (FEP) há 20 anos, começou a ser falado depois de o jornal i ter citado algumas das opiniões que expressa no blogue Económico-Financeiro e é já considerado o “professor mais odiado de Portugal“.

Nesta publicação criada em 2010, o professor tece considerações sobre economia, mas nos últimos tempos tem analisado o caso dos naufrágios no Mediterrâneo e a migração constante de pessoas para a Europa, referindo-se a essas pessoas como “pretalhada” e avançando como eventual solução para o problema abatê-las a tiro.

Não se inibe de assumir que é racista e também escreveu que “se se fizesse o abate sanitário de todos os infectados com SIDA, a doença desapareceria da face da terra”.

d.r. Pedro Cosme Vieira

Pedro Cosme Vieira, docente da Faculdade de Economia da Universidade do Porto

Perante o burburinho que este tipo de discurso vem causando, a Comissão de Ética da Universidade do Porto estará já a avaliar o caso, conforme nota enviada pela instituição ao Económico.

“A Universidade do Porto considera que as declarações proferidas pelo professor Pedro Cosme Vieira são fruto de uma opinião pessoal, que vincula apenas o próprio, não reflectindo os valores e as posições defendida” pela Universidade, refere-se ainda na mesma nota.

Entretanto, o Correio da Manhã adianta que a Procuradoria-Geral da República pondera abrir um inquérito ao professor.

Em sua defesa, Pedro Cosme Vieira refere que é “racista como todas as outras pessoas e por isso é que ainda não vi manifestações a pedir que os refugiados que dão à costa em Itália venham para Portugal”, conforme declarações ao Correio da Manhã.

“Quantas pessoas pensarão que a solução para a SIDA é lavar a coisa com lixívia?”, diz ainda o professor no mesmo jornal.

No seu blogue Pedro Cosme Vieira tem um apelo aos visitantes para que enviem um e-mail para o Conselho Pedagógico da FEP frisando que a publicação “não põe em causa o prestígio” da instituição. Isto para aqueles que consideram que “a liberdade de expressão ainda é algo que precisa ser defendido” e que consideram que o professor tem “o direito a escrever o que bem [lhe] apetecer”, conforme escreve.

SV, ZAP