António Cotrim / Lusa
O primeiro-ministro António Costa com o seu homólogo espanho, Pedro Sánchez
As fronteiras entre Portugal e Espanha vão reabrir no próximo dia 1 de Julho com honras de Estado, com a presença de Marcelo Rebelo de Sousa e do Rei Felipe VI. Pompa e circunstância que se justificam pela vontade dos dois países em demonstrarem absoluta coordenação depois da “metadura de pata” espanhola.
“Una metadura de pata” ou meter a pata na poça, como se diz em Português, foi a expressão usada por diplomatas espanhóis ouvidos pelo jornal Público para explicar a forma precipitada como o país vizinho anunciou a reabertura das fronteiras com Portugal para 22 de Junho.
A afirmação unilateral criou desconforto e até algum espanto no Governo português, nomeadamente porque os dois países estiveram alinhados na decisão de encerrar as fronteiras, em resposta à pandemia de covid-19, em Março passado.
Diplomatas espanhóis “asseguraram, na semana passada, ao Governo português que não houve qualquer má intenção na mais recente declaração unilateral: a de abrir fronteiras a 22 de Junho sem consultar franceses e portugueses”, aponta o Público.
Aquela decisão foi anunciada pela ministra da Indústria, Turismo e Comércio de Espanha, Reyes Maroto, e deixou os portugueses “surpreendidos”, como admitiu o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.
“Quem decide sobre a abertura da fronteira portuguesa é naturalmente Portugal e Portugal quer fazê-lo em coordenação estreita com o único Estado com o qual tem uma fronteira terrestre, Espanha”, alertou, desde logo, Santos Silva.
Poucas horas depois, a ministra fez marcha atrás e anunciou, então, a data de 1 de Julho para a “reabertura do turismo internacional”.
Mas o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, fez questão de pôr água na fervura do descontentamento português, notando que o seu Governo chegaria a “acordo” com o homólogo português, falando do “bom vizinho Portugal” e do “amigo” António Costa.
No fim de contas, a diplomacia espanhola carrega nas costas os “sucessivos erros” do seu Governo, como analisa o Público, notando as “dificuldades de articulação
no seio do gabinete liderado pelo socialista Pedro Sánchez e por Pablo Iglesias, do Unidas-Podemos, o primeiro de coligação na história democrática do país”.A gestão da pandemia tem sido um bicho-de-sete-cabeças para o Governo de Sánchez, fruto das circunstâncias muito especiais da vida política espanhola, nomeadamente das divergências entre algumas comunidades autónomas e o poder central.
Certo é que “a tensão sobre a data de reabertura” das fronteiras “foi ultrapassada”, como aponta o Expresso, notando que Espanha e Portugal vão “mostrar uma reabertura coordenada”.
Assim, as reabertura das fronteiras entre os dois países, a 1 de julho, vai ter “honras de Estado”, refere o semanário, notando que “entre Caia e Badajoz estarão o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o rei Felipe VI de Espanha, mas também os dois chefes de Governo, António Costa e Pedro Sánchez”.
Esta informação foi confirmada à Agência Lusa por fonte da Presidência da República.
Está previsto que as comitivas portuguesa e espanhola se encontrem na fronteira e a cruzem para o lado de Espanha, para uma recepção, e em seguida passem para o lado de Portugal, para um almoço, adianta a mesma fonte.
Devido à pandemia de Covid-19, as fronteiras terrestres entre Portugal e Espanha foram encerradas às 23 horas do dia 16 de Março, com nove pontos de passagem exclusivamente destinados ao transporte de mercadorias e a trabalhadores que tenham que se deslocar por razões profissionais, em termos definidos em conjunto pelos dois países.
[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa”]
Pois, e não podem simplesmente abrir as fronteiras quando for a melhor altura, sem protagonismos, pompas e circunstâncias, cerimónias, mediatismos saloios e gastos de tempo e dinheiro desnecessários
Digo eu, que como português e europeu estou bem mais preocupado com outras coisas do que com as CERIMÓNIAS de abertura das fronteiras e com a autoria de tal decisão (a autoria da decisão pouco me interessa, só me interessa que a decisão tenha sustentação técnica de qualidade), e que ainda acredito que os políticos podem e devem desempenhar outra função para além da função de "aparecer".
Mas parece que os próprios políticos ainda não perceberam isso.