Um novo estudo, levado a cabo por cientistas alemães, revela que os antidepressivos mais populares – como o Prozac, Zoloft e Celexa – podem causar alterações no cérebro em menos de três horas após a toma de uma única dose.

Os investigadores do Instituto Max Planck, em Leipzig, na Alemanha, examinaram imagens do cérebro de 22 pessoas antes e depois da toma de um tipo de antidepressivos que usa como princípio activo os inibidores selectivos da recaptação de serotonina, como é o caso do Prozac e do Zoloft.

Apenas três horas depois da toma do medicamento, os resultados da pesquisa, publicada no jornal Current Biology, revelaram que todos os participantes apresentavam alterações significativas na comunicação cerebral, como a redução de algumas funções e o aumento de outras, nomeadamente na zona responsável pelo controlo motor involuntário e equilíbrio.

“Ficamos surpresos”, afirmou a autora do estudo Julia Sacher, citada pelo Time. “Não esperávamos que estes antidepressivos tivessem um efeito tão proeminente, em tão curto espaço de tempo”.

Tendo em conta a complexidade do cérebro, e o facto de não existir apenas um tipo de depressão nem a mesma reacção por parte das pessoas a um mesmo fármaco, estes resultados podem ajudar cientistas e médicos a elaborar com mais precisão a composição farmacológica dos antidepressivos, e estabelecer quais os princípios activos mais adequados para cada estado depressivo.

Em Portugal, o consumo de antidepressivos quase quadruplicou entre 2000 e 2013. Segundo o Infarmed, este aumento não está relacionado com a crise financeira que o país atravessa, mas sim com a facilidade de acesso aos medicamentos e aumento da duração da toma.

CG, ZAP