Rodrigo Antunes / Lusa
O primeiro-ministro, António Costa
CDS e Chega mostram-se preocupados com o recentemente afastamento do presidente do Tribunal de Contas (TdC), Vítor Caldeira, do cargo e pedem mais explicações ao Governo de António Costa.
O jornal Sol noticiou no sábado que Vítor Caldeira recebeu um telefonema do primeiro-ministro, António Costa, a comunicar-lhe que não será reconduzido no cargo.
O jornal Público, que confirmou a informação, dá conta que CDS e Chega estão preocupados com a não recondução, frisando que os centristas tem relacionado a não recondução de Vítor Caldeira com as críticas que aquele tribunal tem feito à forma como estão a ser gastos os dinheiros públicos.
Em particular está o parecer dado às alterações à lei da contratação pública, no qual o TdC alerta para distorção de concorrência, possibilidades de conluio e até de corrupção.
“Sem regras transparentes e sem um Tribunal de Contas independente como vão ser fiscalizados os dinheiros públicos, evitando o compadrio e a corrupção?”, questiona o líder do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, numa pergunta enviada a António Costa.
O líder centrista insta ainda o primeiro-ministro a “esclarecer urgentemente os portugueses” sobre o que se passou com o presidente do TdC.
“A proposta do Governo não pode dar sinais de que promove o clientelismo, a corrupção e o medo de represálias (de não receber convites). Portugal não precisa de um modelo de capitalismo para os amigos do Governo comerem à mesa do orçamento, nem de legislação contrária à transparência, ao princípio da concorrência e restritiva das garantias de imparcialidade”, pode ler-se no texto ao gabinete de Costa e citado pelo Público.
O Chega de André Ventura também se mostra preocupado e pede esclarecimentos.
“Este afastamento é tanto mais grave na medida em que ocorre num momento em que Portugal se prepara para receber uma das maiores verbas de sempre da União Europeia e em que, por isso mesmo, a capacidade de fiscalização do Tribunal de Contas é superiormente importante”, lê-se num comunicado do partido a que o Público teve acesso.
“O Chega censura fortemente a desfaçatez e o sentimento de impunidade do Governo de António Costa na relação com o Tribunal de Contas, apelando ao Presidente da República que não deixe de chamar publicamente o Governo à razão numa matéria em que está em causa o equilíbrio de poderes da República”, acrescenta.
Luís Marques Mendes também abordou o assunto este domingo, no seu habitual espaço de comentário na SIC, deixando críticas ao Governo
. “Fica a sensação, justa ou injusta de que quem se mete com o Governo vai para a rua”, disse, elogiando o “mandato rigoroso, isento e independente” de Vítor Caldeira.O afastamento do presidente do Tribunal de Contas e a proposta de lei do Governo que altera as regras de contratação pública foram apontados pelo comentador como maus sinais numa altura em que vai chegar a Portugal muito dinheiro oriundo da União Europeia.
Questionado pelo Público, o gabinete de imprensa do TdC disse que “o presidente não faz nenhum comentário sobre o assunto”.
Marcelo não recebeu proposta de nomeação
O chefe de Estado afirmou esta segunda-feira que ainda não recebeu do Governo nenhuma proposta de nomeação para presidente do Tribunal de Contas e que nada sabe sobre este assunto além do que é do conhecimento público.
No final de um encontro sobre ciência, no Antigo Museu Nacional dos Coches, em Lisboa, questionado se o Governo já o informou do nome que tenciona nomear para o cargo de presidente do Tribunal de Contas, Marcelo Rebelo de Sousa começou por responder: “Eu sobre essa matéria não tenho nada a dizer“.
“Aquilo que sei é do conhecimento público: que as funções [de Vítor Caldeira] cessaram por força da lei, do decurso do mandato, no dia 30 de setembro. Não sei mais nada”.
Depois, Marcel assinalou que “tem de haver uma proposta do Governo ao Presidente da República sobre essa matéria”. Interrogado se já recebeu alguma proposta, afirmou: “Não, até agora, não. Se não, eu teria dito que sei mais alguma coisa“.
O juiz conselheiro Vítor Caldeira assumiu funções como presidente do Tribunal de Contas no dia 1 de outubro de 2016, quando estava a cumprir o seu terceiro mandato como presidente do Tribunal de Contas Europeu.
Organismos ou programas de televisão incomodativos para o governo levam todos a mesma volta! Uma "democracia" à medida do socialismo!