José Sena Goulão / Lusa

O antigo primeiro-ministro, José Sócrates

Os procuradores do inquérito do caso que envolve José Sócrates solicitaram à Procuradora-Geral da República pelo menos mais dois meses para concluir a investigação, disse esta quarta-feira à agência Lusa fonte ligada ao processo.

De acordo com uma fonte ligada ao processo, o pedido de prorrogação de prazo dirigido à PGR, Joana Marques Vidal, foi redigido pelo procurador Rosário Teixeira do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

A fonte esclareceu que a decisão de pedir prorrogação de prazo para conclusão do inquérito não resultou de qualquer reunião de procuradores hoje realizada no DCIAP e que a mesma já tinha sido decidida anteriormente.

Segundo o Público, a principal justificação do procurador para alargar o prazo em mais 60 dias é a de que ainda falta ao MP receber as respostas a pelo menos quatro cartas rogatórias enviadas às autoridades judiciais de quatro países: Singapura, Reino Unido, Suíça e Angola.

Em causa estão pedidos de elementos bancários considerados essenciais para fechar alguns circuitos financeiros que estão a ser reconstituídos pelos investigadores.

Escreve o jornal que o único pedido com uma “natureza diferente” foi aquele remetido às autoridades de Angola, que solicita a constituição de José Bernardo Pinto de Sousa, primo de Sócrates, como arguido.

“Uma pouca vergonha”

A defesa de Sócrates reagiu de imediato ao pedido do procurador Rosário Teixeira, considerando que é “uma pouca vergonha” e que “ultrapassa todas as marcas”.

Isto é um escândalo, ultrapassa todas as marcas. É um abuso que está a ser cometido à frente de todos os portugueses”, afirmou um membro da defesa ao Diário de Notícias.

Em declarações ao Público, o advogado Pedro Delille considera ainda este pedido uma “pouca vergonha absolutamente inaceitável” e referiu que pondera mesmo apresentar uma queixa no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.

“Em vez de reconhecer que não tem provas e ter a decência de arquivar o processo, o Ministério Público anda nesta brincadeira. Penso que já ninguém leva a sério

esta investigação”, acrescenta.

A Procuradora-Geral da República tinha imposto ao Ministério Público a data de 17 de Março, ou seja, esta sexta-feira, como o limite para a dedução de acusação. No entanto, a defesa do ex-primeiro-ministro alega que o prazo do inquérito já terminou e que está à espera do despacho de arquivamento do processo.

Esta quarta-feira foram interrogados a ex-mulher de José Sócrates, Sofia Fava, e Diogo Gaspar Ferreira, ex-presidente da empresa gestora do empreendimento Vale do Lobo.

Na “Operação Marquês”, o ex-primeiro-ministro está indiciado por corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais, num processo que investiga crimes económico-financeiros e que tem 25 arguidos: 19 pessoas e seis empresas, quatro das quais do Grupo Lena.

Entre os arguidos estão Armando Vara, ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos e antigo ministro socialista, Carlos Santos Silva, empresário e amigo do ex-primeiro-ministro, Joaquim Barroca, empresário do grupo Lena, João Perna, antigo motorista de Sócrates, Paulo Lalanda de Castro, do grupo Octapharma, Henrique Granadeiro e Zeinal Bava, ex-administradores da PT, Ricardo Salgado, ex-presidente do BES, o advogado Gonçalo Trindade Ferreira e os empresários Diogo Gaspar Ferreira e Rui Mão de Ferro e o empresário luso-angolano Hélder Bataglia.

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