Uma investigação da Universidade do Minho permitiu criar, a partir da borra do café, uma bebida com um teor alcoólico que a torna tão forte como vodka ou aguardente e que foi considerada pela revista “Time” uma das 25 melhores invenções do ano.
Em comunicado, a UMinho explica que aquela é a primeira bebida destilada directamente da borra de café e que, por se basear no aproveitamento daqueles resíduos, tem “elevado potencial comercial”.
Solange Mussatto, responsável pela investigação, lembra que os resíduos do café são “muito ricos”, desde logo porque “a borra representa cerca de 80% do grão”.
“A nova bebida foi identificada como café alcoólico mas, na verdade, é um destilado, como uma aguardente transparente, com 40 por cento de etanol e aroma a café”, refere a investigadora.
O resultado é “diferente do que existia até agora”, pois a nova bebida é obtida dos resíduos, ao contrário dos licores actuais, que são produzidos a partir dos grãos de café.
O estudo foi publicado na revista científica “LWT – Food Science and Technology” e mereceu uma referência na conceituada revista “Time”, dos EUA, que a considerou uma das 25 melhores invenções de 2013.
Pedro Costa / U.Minho
Solange Mussatto, investigadora da Universidade do Minho, criou uma bebida alcoólica a partir de borras de café.
A nova bebida tem um teor alcoólico que a torna tão forte como vodka ou aguardente, por exemplo. Foi obtida em laboratório depois de os resíduos secos de café serem fervidos em água, que de seguida foi coada, tendo-lhe sido adicionados açúcar e levedura para catalisar a fermentação.
Entretanto, foi feito um estudo para chegar às melhores condições para a produção da bebida, desde a extracção do aroma da matéria-prima, fermentação, destilação, bem como já foi caracterizado o produto final para apurar se reunia a composição adequada para consumo – que tem regras europeias quanto a compostos voláteis para uma bebida alcoólica -, tendo sido comprovado ser regulamentar para consumo.
No que diz respeito à viabilização da bebida, enquanto produto comercial, os primeiros passos já foram dados. A patente está registada e “aguarda alguém que se interesse pelo produto”, revela Solange Mussato, em entrevista à newsletter da U.Minho.
“Num formato de produção em contexto industrial, apesar de o processo ser relativamente simples e barato, a recolha de grandes quantidades de borra de café necessita de um sistema com alguns cuidados, já que estes resíduos têm humidade e outros factores de fácil contaminação”, realça a investigadora.
ZAP /U.Minho /Lusa
Sempre soube que os Minhotos gostam da sua bebida, mas não sabia que chegavam a ponto de inventar uma. :)
Fora de brincadeiras, isto é um bom exemplo do que a inovação nas universidades portuguesas é capaz de fazer. Em termos ecológicos também muito bom. Há muito boa massa cinzenta por lá e cortes nessa área são mesmo injustificáveis. Parte-se-me o coração ao ver jovens bem formados sem qualquer outra opção a deixarem o país.