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A cidade de Dresden é frequentemente palco de confrontos entre manifestantes neonazis e antifascistas

Um cidadão norte-americano de 41 anos foi confrontado e agredido por um transeunte no centro de Dresden, na Alemanha, depois de fazer repetidas vezes a saudação nazi.

De acordo com os registos policiais da ocorrência, o turista norte-americano estava entregue à tarefa de fazer repetidas vezes a saudação nazi à porta do café Europa, no bairro de Neustadt, em Dresden, quando foi agredido por um transeunte. Encontrava-se “extremamente alterado” e apresentava um elevado nível de álcool no sangue.

Segundo o The Washington Post, o bairro de Neustadt, no centro da cidade alemã, é conhecido por ser uma zona “liberal” e local de encontro de estudantes universitários.

O agressor do turista escapou do local, e está agora a ser procurado por “suspeitas de agressão e causar lesões corporais”. Já o turista agredido, cuja identidade foi mantida em sigilo, está a ser investigado por violar a lei alemã que proíbe símbolos nazis.

A saudação nazi, braço direito elevado acima do ombro com a palma da mão para baixo, era usada como forma de expressar devoção ao III Reich de Adolf Hitler, e foi banida na Alemanha após a Segunda Guerra Mundial, bem como outros símbolos nazis.

O turista norte-americano pode agora enfrentar uma pena de até três anos de prisão, embora os tribunais locais costumem aplicar apenas multas no caso de réus primários.

Esta é a segunda vez no espaço de um mês que turistas são presos na Alemanha por demonstrações ligadas ao nazismo. Há uma semana atrás, dois chineses foram multados em cerca de 500 euros cada um, depois de terem sido apanhados a fazer saudações nazis em frente ao Reichstag, o parlamento federal da Alemanha.

O fenómeno não acontece apenas na Alemanha. Este mês, o Supremo Tribunal da Suíça condenou um homem que foi fotografado em 2013 a fazer a saudação nazi em frente a uma sinagoga em Genebra.

Mas a cidade de Dresden, em particular, tem uma forte carga ideológica, conferida pelas memórias que herdou da II Guerra Mundial – quer das actividades nazis no região, quer da destruição da cidade pelos bombardeamentos dos Aliados no fim do conflito.

Durante a II Guerra Mundial, Dresden não tinha importância estratégica do ponto de vista militar, e ainda hoje a sua destruição permanece um capítulo negro na história da intervenção dos Aliados na libertação da Europa, sendo frequentemente usada por grupos de extrema-direita para acicatar sentimentos anti-americanos na cidade.

Todos os anos, a 13 de fevereiro, militantes neonazis e de extrema direita confluem à cidade para comemorar o aniversário da sua destruição – entrando invariavelmente em confronto, cuja violência tem escalado nos últimos anos, com contra-manifestantes antifascistas que tentam evitar a apropriação da cidade pela agenda política neonazi.

Razão pela qual o gesto do bravo turista americano à porta do café Europa terá despertado o apoio de muitos dos que lá se encontravam na altura, a indignação de outros tantos que pelo contrário até davam uma medalha ao herói em fuga que lhe deu uns tabefes, e o alívio de todos os que dão graças por ninguém se ter lembrado de pegar no Volkswagen.

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