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O Presidente dos EUA, Donald Trump, acompanhado da mulher, Melania

O Presidente dos EUA chegou, esta segunda-feira, a Londres para uma visita de Estado de três dias, que inclui um banquete no palácio de Buckingham e uma visita a Downing Street, quase um ano depois de uma visita furtiva.

Donald Trump aterrou, esta segunda-feira, no Reino Unido para uma visita de Estado de três dias, e já começou a causar polémica com um tweet dirigido ao ‘mayor’ de Londres. “Sadiq Khan, que tem feito um péssimo trabalho enquanto ‘mayor’ de Londres, foi estupidamente desagradável perante a visita do Presidente dos Estados Unidos, que é de longe o mais importante aliado do Reino Unido. É um falhado que devia preocupar-se com o crime em Londres, não comigo”, escreveu.

Este tweet surge como resposta às recentes críticas do autarca da capital britânica sobre a receção ao Presidente norte-americano com todas as honras de uma visita de Estado, que também considerou, num artigo publicado no Observer, que a linguagem de Trump é semelhante à dos “fascistas do século XX” e inclui-o no mesmo grupo de “extremistas” nos quais se incluem Viktor Orban, Matteo Salvini e Marine Le Pen.

O programa começa com uma cerimónia de boas vindas no Palácio de Buckingham pela Rainha e pelo Príncipe de Gales, Príncipe Carlos, e a Duquesa da Cornualha, Camilla, e a chegada será assinalada com salvas de canhão em Green Park e na Torre de Londres.

Após um almoço privado no Palácio para Trump e a mulher, Melania, a Rainha vai conduzir o chefe de Estado norte-americano numa visita a uma exposição com peças da coleção real de importância histórica para os EUA.

Seguem-se uma visita à Abadia de Westminster, onde o Presidente depositará uma coroa de flores no Túmulo do Soldado Desconhecido, chá em Clarence House com o príncipe Carlos e Camilla, e um Banquete de Estado à noite no Palácio de Buckingham, oferecido pela rainha.

Na terça-feira, a ainda primeira-ministra britânica, Theresa May, organiza um pequeno-almoço de negócios com empresários dos dois países, após o qual recebe Trump na residência oficial, em Downing Street, para almoço, seguido por uma conferência de imprensa.

“A visita de Estado é uma oportunidade para fortalecer a nossa relação já próxima em áreas como comércio, investimento, segurança e defesa, e para discutir como podemos construir esses laços nos próximos anos”, afirmou May, que abandonará as suas funções no próximo dia 7.

É neste dia que se espera uma grande manifestação no centro de Londres, onde os organizadores esperam que volte a figurar o chamado “baby blimp”, um balão de seis metros que representa Trump de fralda e um telemóvel na mão.

À noite, Trump oferece um jantar de agradecimento na residência do Embaixador dos EUA, no qual o príncipe Carlos vai participar em nome da rainha. Na quarta-feira, o Presidente dos EUA, a Rainha, o príncipe Carlos e outros chefes de Estado ou de Governo participam num evento comemorativo em Portsmouth, no sul de Inglaterra do 75.º aniversário do desembarque do Dia D das forças aliadas que contribuiu para a derrota da invasão nazi na II Guerra Mundial.

Trump aconselha Reino Unido a sair da UE sem acordo e nega ter-se referido a Meghan Markle como “desagradável”

Este domingo, na véspera da visita de Estado, o Presidente norte-americano voltou a envolver-se no debate do Brexit, recomendando ao Reino Unido que abandone a UE sem acordo.

“Se não obtém o acordo que querem, eu abandonaria”, disse Trump numa entrevista ao Sunday Times. “Se fosse eles, não pagaria os 50 mil milhões de dólares”, adiantou, numa referência ao pagamento dos compromissos do Reino Unido no quadro do orçamento europeu plurianual em curso (2014-2020), cujo montante é calculado por Londres entre 40 e 45 mil milhões de euros.

O chefe de Estado norte-americano, que já manifestou o seu apoio a Boris Johnson, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros britânico e candidato a suceder a May, considerou ainda que Londres tinha cometido um “erro” ao não envolver o agora líder do Partido do Brexit, Nigel Farage, nas negociações com Bruxelas.

No mesmo dia, Trump negou ainda ter dito que Meghan Markle, mulher do príncipe Harry e duquesa de Sussex, era “desagradável”. “Nunca chamei Meghan Markle de ‘desagradável’. Foi tudo inventado pelos media ‘fake news’ e já foram apanhados. Será que a CNN, o New York Times e outros vão pedir desculpa por isso? Duvido!”, pode ler-se na sua conta do Twitter.

Em causa está uma entrevista do Presidente dos EUA ao The Sun, na qual é possível ouvir Trump a usar a palavra em questão para se referir a Markle, depois de ser confrontado pelo jornalista do tabloide britânico com antigas críticas da duquesa, que o chamou de “misógino” e que, durante a campanha presidencial, considerou mudar-se para o Canadá se o republicano vencesse.

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