Luca Zennaro / EPA
O Presidente norte-americano, Donald Trump, tentou, com elevados incentivos económicos, garantir para os Estados Unidos o direito exclusivo de uma potencial vacina contra o coronavírus, na qual trabalha um laboratório alemão, noticiou o Welt am Sonntag.
Segundo o semanário, trata-se da empresa CureVac, com sede na cidade de Tubinga (Sul), que, em colaboração com o Instituto Paul Ehrlich para Vacinas e Medicamentos Biomédicos, está a trabalhar na elaboração de uma possível vacina.
O jornal, que se baseia em informações de círculos próximos do Governo alemão, assegura que representantes do executivo germânico negociaram com a CureVac para evitar que Trump fique com os direitos exclusivos de uma potencial vacina.
Trump está a fazer tudo o que é possível para conseguir uma vacina para os Estados Unidos, “mas precisamente só para os Estados Unidos”, escreve o dominical, citando fontes próximas do executivo alemão.
O governo alemão está “muito interessado em que se desenvolvam vacinas e princípios ativos contra o novo coronavírus também na Alemanha e na Europa”, confirmou um porta-voz do Ministério da Saúde ao Welt an Sonntag, sublinhando, neste sentido, que o executivo mantém intensas conversações com a empresa CureVac.
A empresa recusou fazer declarações sobre esta suposta “indireta, mas manifesta, disputa comercial”, segundo o jornal.
Pandemia pode durar até 2021
Num relatório divulgado pelo jornal The Guardian, o conselheiro médico do governo britânico prevê que, no pior dos casos, a pandemia de Covid-19 se prolongue até à primavera do próximo ano.
O cenário detalhado também sugere que, no Reino Unido, quatro em cada cinco pessoas vão contrair Covid-19. De acordo com a TSF, o relatório da agência britânica de saúde pública prevê ainda o internamento de 7,9 milhões de pessoas no país.
O perito em epidemiologia acredita que o número de casos confirmados vai cair no verão, mas que por volta de novembro vai voltar a aumentar, tal como acontece com a gripe. Todavia, o vírus vai tornar-se menos grave à medida que o corpo humano vai aumento a imunidade.
O Reino Unido está a preparar um um plano de emergência face ao coronavírus. No domingo, foram registadas mais 14 mortes no país, elevando o número de mortos para 35. No total, são 1.372 infetados. O Governo britânico tem estado sob críticas por não ter ainda decretado o encerramento de estabelecimentos de ensino ou o cancelamento de eventos de grande dimensão.
Numa carta aberta, centenas de cientistas urgiram o Governo britânico a rever a estratégia para combater a pandemia de Covid-19 no país por estar a pôr em risco “milhares de vidas” sem necessidade.
O Governo britânico ativou na quinta-feira a segunda fase do plano de combate à Covid-19, destinada a controlar a propagação do novo coronavírus, exortando as pessoas com sintomas para se auto-isolarem durante uma semana.
Nas medidas anunciadas, o Governo proíbe visitas de estudo ao estrangeiro e aconselha as pessoas idosas, mais vulneráveis a esta doença, a não viajarem em cruzeiros, mas não ordenou a proibição de grandes eventos nem o encerramento de escolas.
Maioria dos casos já são fora da China
A China registou hoje 16 novos casos de Covid-19 e 14 mortes, tendo o número de infeções ficado abaixo das 10 mil como 9.898 doentes infetados com o novo coronavírus. Dos 9.898 pacientes de Covid-19, 3.032 permanencem em estado crítico, disse a Comissão de Saúde da China.
Até ao início de segunda-feira na China (16:00 de domingo, em Lisboa), havia 80.860 infeções diagnosticadas, incluindo 67.749 casos recuperados e 3.213 mortos, acrescentou.
Este domingo, pela primeira vez desde que a doença surgiu na cidade de Wuhan, o número de casos no resto do mundo suplantou os registados na China, escreve o DN
.Todas as 14 mortes registadas no domingo ocorreram na província de Hubei, centro da epidemia, e onde várias cidades foram colocadas sob quarentena, com entradas e saídas bloqueadas.
Os números de novas infeções e mortes permaneceram abaixo dos 21 diariamente desde 11 de março, de acordo com as estatísticas oficiais. Em 12 de março, o Governo chinês declarou que o pico das transmissões tinha terminado no país.
Por sua vez, na Coreia do Sul, foram registados 74 novos casos de Covid-19, numa descida pelo quinto dia consecutivo e no segundo dia em que o número de infetados é inferior a 100.
Com os novos casos identificados no domingo, a Coreia do Sul conta 8.236 infetados, incluindo 7.024 que continuam ativos, 1.137 que já tiveram alta hospitalar e 75 mortos.
Dos 74 novos casos, 42 foram identificados em Daegu, a cerca de 230 quilómetros a sudeste de Seul, e na vizinha província de Gyeongsang do Norte, o principal foco do país, informou o Centro de Controlo e de Prevenção de Doenças Contagiosas da Coreia (KCDC).
O Governo sul-coreano já pediu às igrejas em todo o país, algumas das quais celebram serviços religiosos com milhares de fiéis várias vezes ao dia, que suspendam as missas.
Na Argentina, também já estão a ser tomadas medidas de contenção, nomeadamente o fecho de fronteiras e a suspensão das aulas. “Fechámos a fronteira da Argentina. Durante os próximos 15 dias, período que pode ser prolongado, as fronteiras da Argentina ficarão fechadas”, anunciou o Presidente argentino.
“Tomámos esta decisão porque o vírus já não vem só da Europa e começa a afetar países vizinhos. E também porque observámos que, pelas fronteiras terrestres, especialmente pela de Misiones [fronteira com o Brasil e o Paraguai] entram turistas das zonas que nós classificámos como de risco”, explicou Alberto Fernández.
easyJet cancela mais voos
A companhia aérea easyJet anunciou esta segunda-feira novos cancelamentos em consequência das restrições impostas pelos governos devido à pandemia de Covid-19 e por causa da redução na procura de viagens, mas sem especificar quais os voos afetados.
Em comunicado, a empresa explica que “esta tomada de posição reflete a estratégia da companhia que poderá implicar, no limite, a não utilização da maioria da frota easyJet”.
No entanto, a empresa garante que continuará a fazer os voos de repatriamento para que os cidadãos possam regressar aos seus países.
“Para ajudar a mitigar o impacto da Covid-19, estão a ser tomadas todas as medidas para diminuir custos e despesas não vitais para o negócio. A não utilização dos aviões fará baixar significativamente os custos variáveis”, é referido na nota.
Contudo, a easyJet adianta que do ponto de vista financeiro tem um saldo positivo de mais de 1,7 mil milhões de euros. “A easyJet não tem refinanciamentos de dívida com vencimentos até 2022 e os financiadores reconhecem a robustez do seu modelo de negócio”, segundo a empresa de aviação.
Na nota, o CEO da empresa, Johan Lundgren, sublinha que a companhia “está a fazer tudo o que está ao alcance para enfrentar os desafios da Covid-19“.
“Continuamos a operar voos de resgate e repatriamento, onde pudermos, para levar todos para casa, para que possam estar com a família e os amigos nestes tempos difíceis”, salienta.
[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]
A região da Lombardia pede ajuda a Cuba, Rússia e China por não confiar nem ter recebido ajuda alguma da UE.
Circula uma petição, na Casa Branca, onde os cidadãos pedem ao governo esclarecimentos do motivo do encerramento do laboratório militar Fort Detrick de onde provavelmente terá partido o COVID - 19.