Cristobal Herrera / EPA

Ao 17.º dia de shutdown, Donald Trump fez uma comunicação à nação com várias críticas aos democratas por não libertarem fundos para a construção do muro. O Presidente não declarou emergência nacional para contornar o Congresso, mas os analistas avisam que ainda poderá fazê-lo. 

Esta terça-feira, o Presidente dos Estados Unidos exigiu financiamento para o muro na fronteira com o México para travar “uma crescente crise humanitária e de segurança”. Ainda assim, no seu primeiro discurso televisivo à nação a partir da Sala Oval, Donald Trump não declarou emergência nacional para contornar o Congresso.

Colocando pressão sobre os congressistas do Partido Democrata para aprovarem a alocução de 5,7 mil milhões de dólares para a construção do muro, Trump defendeu que esta barreira é a única forma de pôr fim àquilo que chamou repetidas vezes de “crise humanitária”.

Aliás, o Presidente norte-americano foi mais longe, afirmando que o encerramento parcial do governo federal, que dura já há mais de 17 dias à hora que Donald Trump falou, é uma realidade “apenas porque os democratas não querem financiar a segurança das fronteiras”.

No discurso, cheio de farpas aos democratas, Donald Trump acusou-os de, no passado, terem defendido a criação de um muro e de agora não o fazerem por aproveitamento político. “Eles só mudaram de opinião depois de eu ter sido eleito Presidente.”

O shutdown dos Estados Unidos é o resultado da falta de entendimento entre os republicanos e democratas no Congresso. Enquanto que o plano dos republicanos consiste em gastar 5,7 mil milhões de dólares na segurança fronteiriça, os democratas têm respondido com ofertas que não chegam sequer aos 2 mil milhões de dólares, impossibilitando assim a construção do muro.

Em 13 minutos, Donald Trump voltou a insistir nos mesmos argumentos que têm marcado o seu discurso sobre a fronteira com o México e a imigração ilegal, indicando que esta é uma fonte de insegurança e de crime. No entanto, não declarou estado de emergência, o que lhe permitiria utilizar fundos do Departamento de Defesa para a construção de um muro sem ter de passar pelo crivo do Congresso.

Embora Trump não tenha declarado emergência nacional, ainda pode fazê-lo se o impasse se mantiver, defendem alguns analistas, segundo o Expresso. Essa declaração permitir-lhe-ia ter acesso à despesa militar para financiar o muro mas também levaria a acusações de usurpação do poder constitucional do Congresso e a vários confrontos legais.

“A nossa fronteira a sul é uma entrada constante de enormes quantidades de drogas ilegais, incluindo heroína, cocaína e fentanil. A cada semana, 300 dos nossos cidadãos morrem por causa de heroína, 90% da qual invade o nosso país a partir da fronteira a Sul. Serão mais os americanos a morrer pelas drogas este ano do que todos os que morreram em toda a guerra do Vietname”, argumentou.

Além disso, Trump lembrou os norte-americanos assassinados por imigrantes ilegais, embora estudos realizados ao longo de vários anos tenham apontado que os imigrantes são menos propensos a cometer crimes do que aqueles nascidos nos Estados Unidos.

“Encontrei-me com dezenas de famílias, cujos entes queridos foram ‘roubados’ pela imigração ilegal. Eu segurei as mãos das mães que choravam e abracei os pais angustiados. Tão triste. Tão terrível”, afirmou o Presidente norte-americano.

Quanto mais sangue americano é que temos de perder para que o Congresso faça o seu trabalho?”, questionou Trump.

“O símbolo da América deve ser a Estátua da Liberdade, não um muro de 30 pés”

A líder da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, reagiu minutos depois do discurso de Donald Trump, sublinhando que o Presidente escolheu o discurso do medo e assegurou que os democratas querem privilegiar os factos.

“O Presidente Trump deve parar de manter o povo americano como refém, deve parar de fabricar uma crise e deve reabrir o Governo”, declarou Pelosi, numa alusão ao shutdown parcial federal.

“Todos concordamos que é preciso proteger as nossas fronteiras”, sublinhou Pelosi, lembrando que a Câmara dos Representantes, agora sob o controlo dos democratas, aprovou no primeiro dia do novo Congresso legislação para terminar com a paralisação parcial do Governo. Uma solução rejeitada por Trump porque não prevê o financiamento do muro.

Já o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, declarou que o Presidente Donald Trump devia pôr cobro à paralisação parcial do Governo, enquanto prosseguem as negociações sobre o financiamento do muro entre os Estados Unidos e o México, porque “não há desculpa para prejudicar milhões de americanos”.

Acusando Trump de governar “através de ataques de raiva”, Schumer afirmou que o Presidente “apela ao medo, não aos factos; à divisão, não à unidade”. “O símbolo da América deve ser a Estátua da Liberdade, não um muro de 30 pés.

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