Oliver Contreras / EPA

O Presidente dos EUA, Donald J. Trump

O Presidente dos Estados Unidos partilhou nesta quarta-feira uma fotografia na sua conta de Twitter, na qual aparecem várias personalidades da política norte-americana atrás das grades, entre as quais Barack Obama e Bill Clinton.

Esta não é a primeira vez que Trump recorre a este rede social para publicar conteúdos sobre a investigação da interferência russa nas eleições norte-americanas. O alvo anterior foi Robert Mueller, o procurador especial destacado para a investigação, a quem Trump fez já inúmeros ataques nas redes sociais.

Numa série de retweets da página The Trump Train – que se descreve como o “melhor movimento político da história”, o presidente norte-americano partilhou uma fotografia na qual os antigos Presidentes Barack Obama e Bill Clinton aparecem atrás das grades. Na montagem aparecem ainda Hillary Clinton, o Robert Mueller e Rob Rosenstein, o procurador-geral ajunto da instigação.

“Agora que o conluio da Rússia foi provado ser mentira, quando é que começa o julgamento por traição?”, pode ler-se na imagem. O processo em causa, importa notar, está a decorrendo, não havendo ainda qualquer conclusão por parte da justiça.

A publicação de Donald Trump surge numa altura em que foram conhecidos alguns avanços na investigação de Mueller. No dia anterior a este publicação, Barack Obama teceu duras críticas a Trump e à sua administração.

“Eu nunca fui indiciado”, disse Obama

Obama criticou nesta terça-feira à noite os problemas legais em que está envolvido o seu sucessor, após saber que o diretor de campanha de Trump violou um acordo judicial.

Eu nunca fui indiciado, ninguém na minha administração foi indiciado”, disse na noite de terça-feira, num evento em Houston, no Texas, Barack Obama, horas depois de ter sido conhecida a acusação do procurador especial Robert Mueller de que Paul Manafort, antigo diretor de campanha de Donald Trump, tinha violado um acordo de confissão.

“Aliás, o meu governo foi o único governo da história moderna de quem se pode dizer isso. Ninguém chegou perto de ser indiciado porque as pessoas que se juntaram a nós estavam lá pelas razões certas”, acrescentou Obama.

Paul Manafort, diretor de campanha de Trump e seu conselheiro durante o início do mandato presidencial, terá violado um acordo de confissão, assinado em setembro, após ter reconhecido ter cometido crimes de obstrução à justiça e de infidelidade aos EUA.

De acordo com Robert Mueller, Manafort terá cometido vários crimes federais, por alegadamente ter mentido sobre vários assuntos, durante a investigação que o procurador especial está a conduzir sobre a possibilidade de interferência russa nas eleições de 2016.

Esta terça-feira, e segundo o The Guardian, Manafort terá reunido várias vezes com Julian Assange, o co-fundador do WikiLeaks. De acordo com o jornal britânico, Manafort poderá ter sido o elo de contacto entre a campanha eleitoral de Trump, os russos e a Wikileaks.

Durante um evento em Houston, no Texas, Obama criticou ainda a administração Trump pelas suas políticas interna e externa, dizendo que o aumento do nacionalismo radical nos EUA está a ameaçar a estabilidade internacional e a prejudicar a prosperidade doméstica.

“As pessoas perguntam-me o que me surpreende mais nesta Presidência. É a forma como os EUA estão a desvalorizar a ordem internacional. Se há um problema no mundo, as pessoas não ligam para Moscovo, nem para Pequim, ligam para Washington. Mesmo os nossos adversários esperam que nós resolvamos os problemas”, disse Obama, sem nunca mencionar o nome de Donald Trump, para explicar a sua incompreensão sobre a maneira como o atual Presidente se demite de responsabilidades políticas fora de fronteiras.

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