Donald Trump discursou esta terça-feira na ONU e começou por tecer largos elogios à sua Administração. Os líderes mundiais reagiram com risos que surpreenderam o Presidente norte-americano. 

Trump, que deveria discursar depois do presidente do Brasil, Michel Temer, acabou por ser substituído pelo Presidente do Equador, uma vez que chegou atrasado à sessão de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) que decorreu em Nova Iorque.

Apesar do atraso, foi o seu discurso que suscitou reações dos líderes mundiais que assistiam ao seu discurso. Trump começou por vangloriar-se pelos “feitos extraordinários” alcançados pela sua administração durante os dois anos do seu mandato.

“Em menos de dois anos a minha administração já conseguiu mais que qualquer administração na história do país”, frisou o líder norte-americano.

De imediato, e ainda durante o primeiro minuto do discurso -, o som de risos ouviu-se na sala e Trump, após uma pausa, sublinhou: “É verdade”, suscitando a primeira gargalhada do dia entre os líderes mundiais que assistem à abertura da Assembleia-Geral.

“Não esperava essa reação, mas tudo bem”, disse, admitindo ficar surpreendido.

“Os Estados Unidos estão agora mais fortes, mais ricos e mais seguros”, reforçou.

Mais tarde, numa parte do discurso dirigido à Alemanha, a delegação germânica foi filmada também a rir quando o presidente vaticinou que o país “ficará totalmente dependente da energia russa se não mudar imediatamente de estratégia”.

Face à reação insólita dos líderes mundiais, os internautas repescaram um antigo tweet de Trump direcionado a Barack Obama, na época Presidente dos Estados Unidos.

“Precisamos de um Presidente que não seja motivo de chacota para o mundo inteiro. Precisamos de um líder verdadeiramente grande, um génio da estratégia e da vitória. Respeito!”, criticava Trump em 2014. Estas palavras são agora devolvidas ao seu autor.

Irão está a semear “o caos, a morte a destruição”

Numa outra passagem do seu discurso, Donald Trump deixou duras críticas ao Irão, acusando o país de ser “uma ditadura corrupta” que está a semear “o caos, a morte e a destruição” no Médio Oriente.

Para o presidente norte-americano, o Irão não respeita os seus vizinhos ou as fronteiras destes e, tratando-se de um regime que defende “Morte à América” e a destruição de Israel, o mundo não pode permitir-lhe desenvolver armas nucleares.

Trump admitiu ainda novas sanções ao Irão, pedindo que todas as nações do mundo isolem o país pelo seu “comportamento agressivo”. O Presidente dos EUA disse ter lançado uma campanha de “pressão económica” para retirar ao Irão os recursos de que necessita para prosseguir a sua “agenda sangrenta” na Síria e no Iémen.

Donald Trump acusou ainda a China de praticar um comércio injusto, afirmando que os Estados Unidos não vão mais tolerar acordos que permitam a outros países enviar os seus produtos para a América, subsidiar os seus bens e manipular a moeda para obter vantagens imerecidas. “Os EUA não vão mais deixar que se aproveitem deles”, frisou.

O líder da Casa Branca falou também da Coreia do Norte para agradecer a Kim Jong-un – a quem há um ano chamou, perante a Assembleia-Geral, rocket man, – os passos que deu no sentido da desnuclearização, depois da cimeira entre Trump e Kim em junho passado.

O presidente norte-americano dedicou boa parte do seu discurso a defender a “soberania americana” e a rejeitar “a governação global”.

“Eu honro o direito de todas as nações nesta sala para seguirem os seus costumes, crenças e tradições. Os Estados Unidos não vos dirão como devem viver, trabalhar ou rezar. Só pedimos que honrem a nossa soberania também”, sublinhou Trump, reiterando as suas políticas nacionalistas e criticando claramente o multilateralismo.

Marcelo não aplaudiu

O chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou nesta terça-feira que não aplaudiu o discurso do Presidente norte-americano “em obediência” à posição portuguesa pelo multilateralismo e pelo diálogo.

A este propósito, Marcelo que Portugal acredita “acima de tudo na orientação do secretário-geral das Nações Unidas”, António Guterres. “Entendemos que a linha de orientação dele para as Nações Unidas está correta, coincide com a linha que nós defendemos. Há outras orientações, mas que são diversas das nossas”, afirmou.

Questionado sobre o motivo pelo qual não aplaudiu o discurso do Presidente norte-americano, Marcelo respondeu que Portugal “sobre a matéria do papel das Nações Unidas e da situação mundial tem uma visão que é defender o multilateralismo, defender o diálogo”.

“Defender a preocupação com as alterações climáticas, defender a concertação permanente para resolver os conflitos mundiais, defender o livre comércio internacional e não o protecionismo”, completou.

“Nós temos é, sobretudo, de defender aquilo em que acreditamos“, rematou.

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