Yuri Gripas /ABACA / POOL

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considerou que a atual crise do novo coronavírus é “pior” que o ataque surpresa conduzido pelo Japão em 1941 contra a base naval norte-americana de Pearl Harbor, no Havai.

“É pior que Pearl Harbor”, afirmou esta quarta-feira o chefe de Estado norte-americano em declarações na Sala Oval, na Casa Branca, em Washington, mencionando a ofensiva aérea japonesa que fez mais de 2.400 vítimas norte-americanas e que ditou a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial.

É pior que o World Trade Center”, acrescentou Trump, numa referência aos atentados ocorridos em 11 de setembro de 2001 e que visaram, entre outros alvos, estes dois edifícios, localizados no centro financeiro de Nova Iorque.

Os atentados terroristas de setembro de 2001 fizeram quase 3.000 mortos.

Na atual pandemia do novo coronavírus, os Estados Unidos são, neste momento, o país com mais mortes associadas à doença covid-19 (71.078) e com mais casos de infeção confirmados (mais de 1,2 milhões).

Nunca houve um ataque desta natureza. Nunca deveria ter acontecido”, acrescentou Trump, reafirmando o seu desejo de “reabrir o país”. “Mas temos de abrir o nosso país outra vez”, continuou Trump, citado pelo jornal norte-americano New York Times.

“As pessoas querem voltar e vamos ter um problema se não o fizermos”.

Durante uma visita a uma fábrica de máscaras, Donald Trump admitiu que se prepara para reabri o país, considerando que “haverá mais mortes” com a retoma económica e justifica que esta será uma uma consequência natural ao facto das pessoas não estarem confinadas às suas casas, segundo a emissora NBC, citada pelo Jornal Económico.

“É possível que haja algumas [mortes], porque as pessoas não vão estar trancado num apartamento ou casa ou seja o que for. Mas, ao mesmo tempo, praticaremos o distanciamento social, lavaremos as mãos, faremos muitas das coisas que aprendemos a fazer durante o último período de tempo”, disse à ABC durante a visita à fábrica.

Haverá mais mortes, mas o vírus passará, com ou sem uma vacina”, disse Trump. “Acho que estamos a ir muito bem com as vacinas, mas, com ou sem uma vacina, ele [Covid-19] vai passar e voltaremos ao normal”.

Task force da pandemia não vai encerrar

Nas mesmas declarações na Casa Branca, o Presidente norte-americano explicou porque desistiu de acabar com a célula de crise (task force) que foi criada para organizar a resposta a nível do governo federal face à pandemia do novo coronavírus.

“Não tinha percebido quão popular era a célula de crise”, afirmou Trump, admitindo mesmo que a equipa possa vir a ser reforçada com mais “duas ou três” pessoas. “É muito apreciada pela opinião pública”, insistiu.

Na terça-feira, o vice-Presidente norte-americano, Mike Pence, que lidera a célula de crise contra o coronavírus criada pela Casa Branca, indicou que esta equipa seria desmantelada nas próximas semanas e que a abordagem à crise iria ser gerida pelos vários departamentos (ministérios) que compõem a administração norte-americana.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias France-Presse (AFP), a pandemia de covid-19 já provocou mais de 257 mil mortos e infetou quase 3,7 milhões de pessoas em 195 países e territórios.

[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]