Chris Ratcliffe / EPA

O Presidente dos Estados Unidos encorajou os residentes da Carolina do Norte a testarem a segurança do sistema eleitoral do seu estado, tentando votar duas vezes nas Presidenciais de novembro, uma pelo correio e outra pessoalmente.

“Que enviem o voto por correspondência e que votem, e se o seu sistema for tão bom como dizem, então obviamente não poderão votar”, disse Donald Trump aos jornalistas durante uma visita a Wilmington, na Carolina do Norte.

O Presidente norte-americano repetiu essa ideia a alguns dos apoiantes que o esperavam quando aterrou nesta cidade, dizendo-lhes: “Enviem o vosso voto por correio mais cedo e depois vão votar. Não podem deixá-los tirar-vos o voto, estas pessoas estão a fazer política suja”, afirmou.

Tal como recorda a agência Lusa, a sugestão do republicano constituiria um crime ao abrigo da lei da Carolina do Norte, bem como fraude eleitoral, que é precisamente o tipo de problema que o Presidente diz querer evitar por todos os meios nas eleições agendadas para o dia 3 de novembro.

Trump tem insistido, sem provas, que o voto por correspondência, que muitos estados estão a expandir devido à pandemia de covid-19, para evitar grandes multidões no dia das eleições, pode dar origem a fraude.

O Presidente só aceita o voto por correspondência quando os cidadãos estão fora do estado onde estão registados, sendo que o próprio disse ter utilizado este método para votar no território onde tinha a sua principal residência, a Florida.

Segundo o jornal New York Times, Trump falou recentemente em privado com os seus conselheiros sobre a ideia de instar as pessoas a votar duas vezes, precisamente porque a sua comitiva está preocupada que a campanha do Presidente contra o voto pelo correio possa dissuadir os seus próprios apoiantes de irem votar.

Um porta-voz da comissão eleitoral do estado da Carolina do Norte, Patrick Gannon, disse ao jornal nova-iorquino que o sistema eleitoral do estado impediria uma pessoa de votar duas vezes, porque os funcionários teriam acesso a registos que mostram se o eleitor já exerceu ou não o seu direito de voto pelo correio. “Votar duas vezes intencionalmente é um crime”, recordou Gannon.

A Carolina do Norte é um dos estados norte-americanos onde as últimas sondagens mostram uma corrida mais apertada entre Trump e o seu rival democrata, Joe Biden, que lidera os inquéritos por apenas 1,6 pontos percentuais nesse território, dentro da margem de erro.

Esta quarta-feira, o chefe de Estado atacou, através da sua conta no Twitter, a presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, após a divulgação de um vídeo

em que se pode ver a democrata num cabeleireiro sem máscara.

“A louca Nancy Pelosi está a ser dizimada por ter um salão de beleza aberto, quando todos os outros estão fechados, e por não usar máscara – apesar de constantemente dar lições a todos os outros”, escreveu o republicano na sua conta no Twitter.

De acordo com o site Sapo 24, Pelosi disse ter sido enganada pelo cabeleireiro, que lhe garantiu ter autorização para atender um cliente de cada vez. “Assumo a responsabilidade de confiar na palavra do salão de beleza da vizinhança em que estive várias vezes durante anos. Assumo a responsabilidade de ter caído numa armadilha”, declarou aos jornalistas.

Entretanto, um grupo de 81 prémios Nobel, distinguidos nas áreas da Física, da Química e da Medicina, anunciou o seu apoio a Joe Biden nas Presidenciais, argumentando com o respeito deste pela ciência e pela contribuição dos imigrantes para esta.

“Em nenhum momento da história da nossa nação houve uma tão grande necessidade de os nossos líderes apreciarem o valor da ciência na formulação de políticas públicas”, escreveram numa carta aberta.

Os cientistas salientaram que, no seu “largo historial de serviço público”, Biden tem demonstrado constantemente a sua vontade de “escutar os peritos” e a sua compreensão do “valor da colaboração internacional na investigação” científica.

O grupo realçou também o “respeito pela contribuição que os imigrantes dão para a vida intelectual” nos EUA, um dos assuntos que também tem valido fortes críticas a Trump por parte da comunidade científica e tecnológica, devido às suas políticas contra a imigração, mesmo que esta seja legal.

Segundo os serviços da campanha eleitoral de Joe Biden, este grupo de cientistas distinguidos com o prémio Nobel é o maior que alguma vez apoiou um candidato Presidencial no país.

De acordo com a cadeia televisiva CNN, a iniciativa da carta foi do congressista democrata Bill Foster, o único físico que existe no Congresso dos EUA.

[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]