Jason Szenes / EPA
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma aparição surpresa, de apenas uns minutos, para assistir à Cimeira da Ação Climática, nas Nações Unidas.
A presença de Trump na cimeira, que decorre em Nova Iorque, não era esperada, mas ainda assim o Presidente norte-americano fez questão de se sentar durante alguns minutos no auditório onde decorriam os trabalhos, onde ouviu e aplaudiu o discurso do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.
Trump tinha usado a sua conta da rede social Twitter, no domingo, para partilhar uma mensagem de elogio que lhe fora dirigida pelo chefe do Governo indiano e decidiu retribuir o gesto de simpatia ouvindo a participação de Modi nas Nações Unidas, onde dezenas de líderes mundiais procuram dar nova vida ao acordo de Paris.
O Presidente norte-americano não fez qualquer comentário sobre a cimeira
aos jornalistas. Porém, no Twitter, Trump publicou um excerto do discurso feito entre lágrimas da ativista e ambientalista Greta Thunberg na cimeira do clima das Nações Unidas, recorrendo à ironia para dizer que “ela parece uma jovem muito feliz”.
“Ela parece uma jovem muito feliz que está perante um futuro brilhante e espetacular. Tão bom ver algo assim!”, escreveu Donald Trump esta segunda-feira à noite.
O comentário foi feito no Twitter, depois de Greta Thunberg, de 16 anos, ter feito um discurso na cimeira do clima das Nações Unidas marcado pelo tom frontal e por a certa altura ter chorado. “Está tudo errado. Não deveria estar aqui. Devia estar de regresso à escola do outro lado do oceano. Mas todos me procuram em busca de esperança. Como se atrevem? Vocês roubaram os meus sonhos e a minha infância com palavras vazias”, atirou em lágrimas a jovem sueca de 16 anos.
Greta Thunberg, que viajou para Nova Iorque num veleiro por se recusar a andar de avião, argumentando que é um meio de transporte especialmente poluente, foi uma das presenças mais aguardadas na cimeira do clima das Nações Unidas, onde participaram vários líderes nacionais e chefes de Estado, como foi o caso do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
Horas antes do discurso de Greta Thunberg, os jornalistas que se encontram na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, já tinham registado imagens que mostram a altura em que Donald Trump entrava naquele edifício. Nesse momento, ao fundo da sala, foi possível ver como a ativista sueca acompanhou com atenção a chegada do Presidente dos EUA à sala.
Greta Thunberg processa 5 países por inação
Dezasseis jovens, incluindo a ativista sueca Greta Thunberg, anunciaram esta segunda-feira que vão colocar uma ação judicial contra cinco países a propósito da inação em relação às alterações climáticas. O anúncio foi feito em Nova Iorque à margem da Cimeira da Ação Climática, convocada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres.
Os jovens denunciam a inação dos líderes como uma violação da Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança. Ainda que os líderes mundiais tenham assinado a convenção há 30 anos (novembro de 1989), pela qual se comprometeram a proteger a saúde e os direitos das crianças, “eles não cumpriram as suas promessas”, disse o porta-voz sueco do grupo.
Quase todos os países, com exceção dos Estados Unidos, ratificaram a convenção, que deveria proteger a saúde e os direitos das crianças, mas “cada um de nós viu esses direitos violados e negados”, e os nossos futuros “estão em vias de ser destruídos“, disse Alexandria Villasenor, considerada a Greta Thunberg americana.
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Alexandria Villaseñor, a Greta Thunberg norte-americana
A queixa sem precedentes junta 16 jovens de 12 países, com idades entre os oito e os 17 anos e tem a ajuda do escritório de advocacia internacional Hausfeld e o apoio da UNICEF. Tem como alvos a Alemanha, França, Argentina, Brasil e Turquia. A queixa inscreve-se no quadro de um “protocolo opcional” pouco conhecido da convenção que autoriza, desde 2014, que as crianças possam registar uma queixa junto do Comité dos Direitos da Criança da ONU se acreditarem que os seus direitos estão a ser violados.
O Comité deve investigar as supostas violações e, depois, fazer recomendações aos Estados para que tomem medidas. As recomendações não são vinculativas, mas os 44 países que assinaram o protocolo concordaram com o princípio de as respeitar.
Os cinco países são dos maiores poluidores do mundo e ratificaram o protocolo. Países que são mais poluidores, como os Estados Unidos, a China ou a Índia, não ratificaram o protocolo.
[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]
E os EUA não entram na queixa porque razão??? Medo?