Cristobal Herrera / EPA

O Presidente norte-americano, Donald Trump, apelou esta segunda-feira aos chefes militares venezuelanos para se juntarem ao opositor e presidente autoproclamado Juan Guaidó e deixarem entrar a ajuda humanitária no país, sem o que se arriscam a várias perdas.

“Os olhos do mundo inteiro estão focados em vocês”, disse Trump.

“Vocês podem escolher aceitar a oferta generosa de amnistia do presidente Guaidó e viverem em paz com os vossos (…). Senão, podem escolher a segunda via: continuar a apoiar Maduro [Presidente da Venezuela]. Neste caso, não vão ter locais para se refugiarem. Não vão ter saída possível. Vão perder tudo”, enfatizou Donald Trump, que discursava em Miami.

Durante a sua intervenção, Donald Trump disse que “está a chegar um novo dia para a América Latina”, ao procurar congregar apoio entre a maior comunidade venezuelana nos EUA para o líder oposicionista Juan Guaidó. Ao falar na Universidade Internacional da Florida, em Miami, frente a bandeiras dos EUA e da Venezuela, Trump afirmou que os norte-americanos apoiam Guaidó e condenou o Governo do Presidente Nicolas Maduro.

Depois de instar os militares a apoiarem Guaidó, Trump avançou que pretende “uma transição pacífica”, mas, acentuou, “todas as opções estão em aberto”.

Antes, a assessora de imprensa da Casa Branca, Sarah Sanders, dissera que os dirigentes norte-americanos “sabiam onde os oficiais militares [da Venezuela] e as suas famílias tinham dinheiro escondido no mundo”.

O sul do Estado da Florida acolhe mais de cem mil venezuelanos e venezuelanos-norte-americanos, naquela que é a maior concentração desta comunidade nos EUA.

No seu discurso neste importante Estado, em termos de eleições presidenciais, Trump procurou contrastar as suas políticas com as dos democratas progressistas, que classificou de “socialistas”. “O socialismo devastou tanto” a Venezuela “que até as maiores reservas de petróleo do mundo foram insuficientes para manter as luzes ligadas”, referiu.

“O socialismo está a morrer e a liberdade, a prosperidade e a democracia estão a renascer” no hemisfério, declarou Trump, que disse esperar que em breve “este se torne o primeiro hemisfério livre em toda a história humana”.

A presidente do Partido Democrata na Florida criticou Trump, por ter “duas caras em relação à Venezuela”, justificando que “fala sobre combater o regime de Maduro, mas continua a deportar e deter venezuelanos que fogem da repressão do regime de Maduro”.

Trump tem estado a passar o fim de semana prolongado, devido a um feriado federal, no seu clube privado, em Palm Beach, na Florida. Na sexta-feira, dia 15, declarou o estado de emergência nacional para conseguir financiar a construção do muro na fronteira mexicana.

Discurso com “estilo nazi”

Nicolás Maduro reagiu pouco depois ao discurso do seu homólogo norte-americano, considerando o discurso “nazi” e declarando que os Estados Unidos agem como se fossem donos da Venezuela e os cidadãos desse país os seus escravos.

“O Donald Trump esteve hoje, com uma retórica cansada, a questionar o direito do nosso país livre a adotar as ideias do socialismo humano, cristão, com um discurso quase ao estilo, para proibir as ideologias”, disse Nicolás Maduro em Caracas.

“Donald Trump quer proibir as ideologias, a diversidade política e quer impor o pensamento único dos supremacistas brancos da Casa Branca”, acrescentou.

Ainda antes do discurso de Trump, o líder venezuelano tinha já anunciado que a Rússia enviara 300 toneladas de ajuda humanitária para os venezuelanos, que deverá chegar na quarta-feira ao país. “Vão chegar ao Aeroporto de Maiquetía (o principal do país) medicamentos de alto custo para ajudar o povo. Isso sim, já pagámos, com a nossa mão, com a ajuda da Rússia, da Turquia, da China e da ONU“, disse.

Referindo-se à ajuda norte-americana, Maduro acrescentou voltou a reiterar que a comida está contaminada; “Roubaram-nos 30 milhões (devido às sanções dos EUA) e oferecem-nos 20 milhões, em comida podre, contaminada”.

“Não somos mendigos de ninguém nem vamos fazer da Venezuela honorável uma Venezuela de mendigos. Não vamos aceitar. Aqui há suficiente dignidade, subestimam a dignidade de um povo”, frisou o Presidente eleito.

[sc name=”assina” by=”ZAP” source=”Lusa” ]