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O Tribunal de Contas diz que, no caso das privatizações da EDP e da REN, o Governo não tomou medidas legislativas “que acautelassem os interesses estratégicos do Estado Português após a conclusão do processo de privatização”.
No relatório de auditoria dos processos de (re)privatização do setor elétrico, revelado esta segunda-feira, o Tribunal de Contas frisa que, não obstante o decreto de privatização da EDP e da REN e o acordo de venda e de parceria estratégica conterem referências à salvaguarda do interesse nacional, “não foi prevista qualquer cláusula de penalização para o seu incumprimento“.
O tribunal conclui assim que, “nestes dois processos” não foram tomadas quaisquer iniciativas legais para acautelar os interesses estratégicos do Estado depois de concluída a privatização, “tal como estatuído no artº 27 da Lei Quadro das Privatizações”.
A auditoria constata que “a postura do Estado Português” se revelou “menos adequada quando comparada com a de alguns dos países europeus que protegem claramente os seus ativos estratégicos”.
A instituição dá mesmo exemplos: “Alguns destes países asseguram aqueles ativos através da fixação de limites na aquisição de ativos estratégicos por entidades estrangeiras que não integrem o espaço europeu (Alemanha, Áustria e a Finlândia), o reforço ou controlo do Estado através de poderes especiais golden shares (Bélgica, França, Polónia e a Itália) e/ou a detenção da maior parte do capital (Lituânia e Islândia)”.
Em sede de contraditório das entidades envolvidas, o Tribunal de Contas refere que “a salvaguarda dos ativos estratégicos foi assegurada através de diplomas legais de cada um dos processos e pelo framework agreement“, assinado entre o Estado, as empresas e os novos acionistas chineses.
No entanto, o tribunal sublinha que “caso aqueles instrumentos fossem suficientes não seria necessário a aprovação de um regime específico”.
Apesar desta crítica, a instituição sublinha que as privatizações em análise atingiram o objetivo previsto no memorando assinado com a Troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) que era o de reduzir a dívida pública e que “foi atingido com a afetação total da receita líquida das operações à amortização da dívida pública”.
O tribunal indica que a venda direta da EDP, relativo à 8ª fase e conclusão da 7ª, e da REN, correspondente à 2ª fase, “geraram uma receita líquida global de 2.768 milhões de euros”, mas os auditores indicam que a receita prevista para estes processos não foi autonomizada no memorando, “pelo que não é possível comparar os valores realizados face aos valores previstos, no sentido de identificar e quantificar eventuais desvios financeiros”.
No entanto, no caso da EDP, o Tribunal estima que, “uma vez que a participação rendeu ao Estado 2.216,4 milhões de euros, a perda de valor para o Estado, numa ótica financeira, ascendeu a cerca de 1.584 milhões de euros”.
Já no caso da REN, “atendendo a que o Estado Português alienou esta participação por apenas 551,42 milhões de euros, a perda de valor para o Estado, numa ótica financeira, ascendeu a cerca de 400 milhões de euros”.
No entanto, “em nome da transparência e da responsabilização”, a partir de agora, o Governo deverá disponibilizar ao Tribunal de Contas (TdC) e à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) toda a informação que envolve as privatizações, incluindo a fundamentação da decisão sobre os métodos de privatização escolhidos.
O Tribunal de Contas aconselha ainda que a Parpública reduza os gastos na execução das privatizações, recorrendo a consultores internos para poupar em recursos, dado que o dinheiro gasto em consultorias é pago pelo Estado, ou seja, acaba por recair sobre os contribuintes.
ZAP / Lusa
...perdido milhões com privatizações da EDP e REN pois claro que é de todo o interesse guardar lugar para uma futura negociata quando deixar-se o dito (des)governo, não é sr. (des)governo?
É de todo o interesse estas coisas pois o contribuinte é que perde e os srs políticos!!!!é que comem, mas estão a defender os valores de todos os portugueses, só espero é que o MP não ande a dormir.