José Sena Goulão / Lusa
O antigo primeiro-ministro, José Sócrates
O ex-primeiro-ministro José Sócrates acusou esta segunda-feira o antigo Presidente da República Cavaco Silva de ter mentido no seu livro, que não passa de um “traiçoeiro e vil ataque”, encontrando consonância entre insinuações levantadas e suspeitas do Ministério Público.
“Este livro não passa de um traiçoeiro, de um vil e de um mesquinho ataque contra mim. Isto não se trata de nenhuma prestação de contas, isto trata-se de um ataque político a um adversário”, disse José Sócrates em entrevista à TVI, a propósito de “Quintas-feiras e outros dias”, o livro lançado recentemente pelo antigo chefe de Estado.
O antigo primeiro-ministro acusou, por mais do que uma vez, Cavaco Silva de ter mentido neste livro e, a propósito de um capítulo sobre a autoestrada transmontana foi mais longe: “comecei a reparar numa certa consonância entre as insinuações do senhor Presidente da República e as suspeitas do Ministério Público“.
Segundo Sócrates, o problema não é Cavaco revelar as conversas, mas deturpá-las, acusando o ex-presidente de faltar à verdade e de “transformar conversas num ataque político traiçoeiro a um adversário político”.
“O senhor Presidente mente no livro“, disse Sócrates, que afirmou sentir repugnância pelo que acredita uma “tramóia arquitectada para tramar um adversário político, para o seu partido ganhar eleições”.
Sócrates acusa o ex-Presidente de ter conspirado para a queda do Governo que liderou, depois de chumbado o PEC IV na Assembleia da República em março de 2011. “É um homem que é capaz de fazer isto, é capaz de fazer tudo”, disse.
Para o ex-primeiro-ministro, Cavaco Silva “comportou-se sempre como o principal mentor da crise política, manobrou na sombra. Ele provocou a crise política de 2011, dando o braço ao PSD para derrubar o Governo”.
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