Uma tradição de décadas na Casa Branca pode estar prestes a chegar ao fim. O Presidente dos Estados Unidos realiza uma cerimónia na Sala Leste para a revelação do retrato oficial do seu antecessor imediato que ficará pendurado nos corredores da Casa Branca para a posteridade. Porém, Donald Trump não pretende seguir a tradição, deixando o retrato de Barack Obama por revelar.
De acordo com a CNN, as notícias de que Donald Trump pode não fazer a apresentação cerimonial do retrato oficial do ex-Presidente, Barack Obama, levantaram preocupações de que o que há décadas tenha sido uma das interações mais despreocupadas entre Presidentes, independentemente do partido, o deixe de o ser.
Segundo a Associação Histórica da Casa Branca, organização privada sem fins lucrativos fundada em 1961, as revelações dos retratos presidenciais são “eventos bi-partidários, com cumprimentos calorosos e discursos colegiados trocados pelo Presidente e o seu antecessor”.
No entanto, a relação de Trump e Obama já teve melhores dias. Recentemente, Trump acusou Obama de atividade criminosa e o ex-Presidente criticou a a liderança do atual líder dos Estados Unidos.
Apesar das conversas iniciais entre Trump e o seu antecessor para escolher uma data para o evento de retratos esta primavera, a comunicação foi agora interrompida e adiada indefinidamente.
De acordo com a NBC News, que ouviu fontes próximas do assunto, Obama não tem interesse em participar do rito de passagem pós-presidência enquanto Trump estiver no cargo.
A tradição dos retratos presidenciais
A tradição remonta décadas a muitas administrações e deve representar um raro momento de harmonia e camaradagem em Washington.
Desde George Washington que o Presidentes dos Estados Unidos encomendam retratos de si mesmos. Quer seja sentados ou de pé, um retrato com um sorriso ou um rosto severo, todos os Presidentes são pintados para serem pendurados na Casa Branca.
O retrato de Washington guarda uma história significativa: a primeira-dama Dolley Madison salvou-o em 1814, quando os britânicos incendiaram a Casa Branca durante a Guerra de 1812.
Um dos retratos mais famosos é a pintura do artista George Lincoln Alexander Healy de Abraham Lincoln. No entanto, quando o retrato foi finalizado em 1869 e enviado à Casa Branca para ser adicionado à coleção, o Presidente Ulysses S. Grant “não o achou adequado” e selecionou outro. Mais de 70 anos depois, o retrato de Healy regressou à Casa Branca e está pendurado na Sala de Jantar do Estado.
O retrato de John F. Kennedy, do artista Aaron Shikler, foi feito em 1971, anos após o assassinato de Kennedy. Sem Kennedy vivo para posar, Shikler seguiu as orientações da viúva.
O retrato de Bill Clinton foi o primeiro retrato presidencial oficial pintado por uma artista afro-americana, Simmie Lee Knox. Knox também pintou o retrato da ex-primeira dama Hillary Clinton.
O processo de criação dos retratos presidenciais normalmente começa com a Associação Histórica da Casa Branca, que ajuda a orientar a sessão. As sessões para o trabalho quase sempre ocorrem depois de o casal sair da Casa Branca. Assim, eventos de revelação acontecem sob a liderança do Presidente e da primeira dama seguintes.
Desde Jimmy Carter, que optou por não ter uma cerimónia de inauguração para o seu próprio retrato – embora tenha revelado o retrato do seu antecessor, Gerald Ford -, os presidentes vivos estão presentes durante as revelações formais dos retratos, assim como as primeiras-damas.
Frequentemente, as críticas de uma campanha difícil ou opiniões políticas opostas são deixadas de lado quando os dois casais se levantam na Sala Leste para comentários respeitosos. No caso de Ronald Reagan e George H.W. Bush, Bush brincou, dizendo que, quando o locutor do evento disse, “Sr. Presidente”, Bush quase automaticamente ficou no fundo da sala, como tinha feito nos oito anos anteriores, como vice-presidente de Reagan. Por sua parte, Reagan, no evento de 1989, expressou a sua gratidão por regressar à Casa Branca.
Os mesmos sentimentos foram expressos anos depois por George W. Bush, cujo regresso com Laura Bush foi preparado com muito cuidado por Michelle Obama. Durante a apresentação cerimonial, no seu discurso, Barack Obama contou que Bush foi a primeira pessoa que chamou quando soube em 2011 que as forças norte-americanas tinham matado Osama bin Laden.
Ressentimentos políticos podem matar a tradição dos retratos presidenciais, que, independentemente da relação de Trump com o seu antecessor, provavelmente teriam sido cancelados de qualquer das formas por causa da pandemia de covid-19.
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Ainda bem, certamente há coisas bem mais importantes para fazer do que perder tempo neste teatrinho decadente e enfadonho.
Um exemplo que todos devíamos seguir. E além do mais, felicito a vontade de não se fazer papel de hipócrita e de não se encenar uma fantochada.
Nós por cá vamos tendo um presidente, um 1.º ministro e um líder da oposição numa masturbação assistida e colectiva. Triste e confrangedor espectáculo para quem está à espera de ver resolvidos os imensos problemas que portugal tem...