José Coelho / Lusa

O salário do mês de janeiro não está garantido para todos os trabalhadores do grupo Ricon, de Vila Nova de Famalicão, disse esta quarta-feira o administrador de insolvência, durante a assembleia de credores da Delvest.

O administrador de insolvência afirmou, esta quarta-feira, que o salário de janeiro não está garantido para todos os trabalhadores do grupo Ricon, contrariando assim a garantida que tinha sido dada aos trabalhadores da Ricon SA, outra das empresas do grupo, de que lhes seria pago o salário do primeiro mês do ano.

“O que se passava é que havia uma conta comum de onde as várias empresas faziam tesouraria. Acabei de perceber que a fonte seria a Delvest. O dinheiro pertence à Delvest e não às outras marcas. Se não foi possível fazer o fluxo financeiro que sempre se fez, as outras empresas não vão poder receber“, afirmou Pedro Pidwell.

O responsável não quis prestar declarações à Lusa nem explicar o que havia afirmado durante a assembleia de credores daquela empresa do grupo. No entanto, fonte ligada ao processo adiantou que a massa salarial do grupo chega aos 700 mil euros mensais.

Segundo concluiu o presidente do Sindicato Têxtil do Minho e Trás-os-Montes, pela voz do dirigente Francisco Vieira, no final da sessão, “os únicos que podem ter a certeza que vão receber o salário do mês de janeiro são os trabalhadores da Delvest S.A“.

Da assembleia de credores da Delvest SA, uma das oito empresas do grupo Ricon, saiu ainda a aprovação da proposta de Pidwell de encerramento e liquidação dos ativos da empresa, sendo que o mesmo destino já foi decretado pelo Tribunal do Comércio de Vila Nova de Famalicão relativamente à Ricon S.A, à Delcon e, terça-feira, às ‘holdings’ do grupo, a Nevag SGPS, a Nevag II SGPS e a Ricon Serviços.

A mesma assembleia de credores da empresa do grupo que gere rede de lojas da marca Gant em Portugal, encerradas desde segunda-feira, depois do despedimento de todos os funcionários, ficou ainda marcada pela discussão do futuro a dar ao material que está em stock nas lojas.

A juíza que presidiu à assembleia concedeu ao administrador de insolvência “cinco dias para ver a possibilidade de escoamento da mercadoria nas lojas”, que poderá ser concentrada e posta à venda numa dos estabelecimentos da rede.

Os trabalhadores do Grupo Ricon estão em protesto à porta das unidades fabris esta quinta-feira, marcando assim o fim de um dos principais empregadores da indústria têxtil do Vale do Ave.

O grupo Ricon apresentou-se à insolvência em finais de 2017, tendo os trabalhadores recebido esta segunda-feira as respetivas cartas de despedimento. Em comunicado, a administração explicou que a atividade do grupo “dependia de forma significativa da Gant” e que aquela marca “se mostrou totalmente intransigente para negociar”.

Pedro Pidwell confirmou as tentativas de negociação com a Gant, afirmando que a “derradeira tentativa” deu-se na segunda-feira, com a intervenção de dois grupos de investidores, mas que a Gant recusou as propostas em cima da mesa.

Segundo a representante da marca sueca “a GANT tem uma estratégia para Portugal que não passa por nenhuma das propostas apresentadas.

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